É manhã de terça-feira e lá vamos nós caçando assunto na segunda rodada do Brasileiro, de assim até dezembro, contra a torcida única, as teorias da conspiração e os cavalinhos falantes do Fantástico. Bom dia!

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Linda festa para Júlio César. Despedida em jogo oficial e casa cheia bastante digna para um gigante do futebol brasileiro. Afeto não se encomenda, nem se mantém por entradas via Skype. Júlio manteve viva a relação com o torcedor rubro-negro por ter sido o jogador que foi aqui, não pelo que poderia ter sido, como tantos exportados. Talentoso e visceral, foram quase 300 jogos antes do sonho europeu, com títulos, lances marcantes e um detalhe que contava (hoje não existe mais) bastante na idolatria: campeão como titular pela seleção enquanto atuava pelo clube do coração – isso pesa, sim, e é cada vez mais raro.

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Ainda no assunto, registro meu pavor pelo fetiche de parte de torcedores e imprensa por repatriação de veteranos. Para cada Júlio César que retorna identificado e para um registro de fim de carreira, tem um Lúcio ou um Michel Bastos vivendo a altos salários pelo que foi um dia. Aliás, estamos velhos: do time que perdeu para a Holanda em Porto Elizabeth em 2010, só Daniel Alves ainda não voltou.

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Esperando sentado um gol do Cruzeiro. Pior notícia desse começo de campeonato, um time que, quando não está inspirado, não dá um jeito de vencer os jogos. E, quando a fase anda mais ou menos, sobra até gol de nariz jogando com um a mais por uma hora e pouco.

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E que vitória do Fluminense. São raros os jogos de início de pontos corridos que são lembrados lá na frente, ainda mais essas rodadas esmagadas pelas copas e com hiato mundialista vindo aí. Esse será, sim, lembra, aquele domingo lá em abril que o time do Abel tirou três pontos sabe-se lá de onde depois de um tricolor levar um vermelho atípico de início?

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É insuportável para os rivais a leveza com que o Corinthians joga muito com cara de quem está jogando nada. Quem passe de rabo de olho naquela TV do boteco não vê esse domínio todo, mas o jogo mental e a confiança na proposta são absurdos. É o time que quando parece que vai ganhar a qualquer momento… Ganha mesmo.

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Sidcley, o homem das duas espetadas antes do meio-dia na Vila Capanema – um gol e um meio-gol -, estreou em 7 de março. Tem só 12 jogos pelo Corinthians, o time em que o filho já nasce sabendo o que fazer.

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Nenhuma troca de treinador em duas rodadas. Pelas contas do Rodolfo Rodrigues, a última vez que isso aconteceu foi em 2011, quando Silas deixou o Avaí. A gente é tão viciado nessa coisa de que o técnico vai para a rua logo que, passando o olho na tabela, contei cinco que poderiam perder o boné no final de semana [ATUALIZAÇÃO *Maldição de quem não espera o dia seguinte da rodada: Nelsinho entregou o cargo nesta terça, no começo da tarde].

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O futebol ensina: não se faz receita de grande jogo na véspera. Projetou-se tanto o Grêmio x Atlético Paranaense que, no fim das contas, esperava mais. Ainda assim, é acima da média do que assistimos, principalmente fazendo o jogo do abajur depois de Ceará x São Paulo, um oxo oposto, daqueles que um gol implora para cair do céu.

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No futebol-mercado, o jogador carrega a etiqueta do preço. Lembram do Papagaio, atacante do Palmeiras? E do Fernando, convocado para a seleção sub-20? Pois bem: quando o jogo se cansa do Borja, entra o Deyverson, cinco milhões de euros na conta da Crefisa a pedido do Cuca.

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Anderson Polga, Cris, Henrique… Alguma vez o quarto zagueiro da seleção era tão bom quanto os titulares? Joga muito o Geromel. No par ou ímpar, atualmente, não vejo grande distância para o Miranda, menos ainda para o Marquinhos ou o Thiago Silva.

*Paulo Junior é jornalista da Central 3, onde apresenta o podcast da Trivela, e editor do Puntero Izquierdo