O mercado de transferências de janeiro costuma ser uma oportunidade de aparar as arestas aos clubes europeus. Contratar um jogador ou outro que supram posições carentes e possam dar aquele impulso na reta final do campeonato. Mas nem todo mundo entende assim. Há aquelas diretorias que veem os 31 dias como a salvação da lavoura, comprando aos montes para ver o que acontece. A postura é comum geralmente do meio para baixo da tabela, quando a torcida exige uma resposta. No entanto, também existem aqueles que buscam mostrar serviço quando uma posição de coadjuvante não era exatamente o esperado.

Esta janela foi especialmente prolífica na Inglaterra, onde os primeiros colocados pinçaram nomes de peso. Em outras ligas, gigantes como Barcelona, Internazionale e Borussia Dortmund também adicionaram reforços midiáticos às suas fileiras. O interesse deste texto, contudo, não são esses times – até porque já são falados em demasia até na imprensa brasileira. A intenção aqui é apontar as agremiações sem a mesma projeção que fizeram suas baciadas, com três ou mais novatos, e parecem realmente dar um salto de qualidade neste momento – por mais que o desespero pela salvação deixe uma pontinha de desconfiança se tanta gente vai dar certo.

Assim, selecionamos dez times dos cinco principais países de Europa, apontando quem trouxe vários nomes a se observar. A escolha é subjetiva e, por isso, um time que te chamou a atenção pode não ter me atraído tanto. Para isso mesmo é que está a caixa de comentários logo abaixo, para discutir e acrescentar informações.

Sevilla

A temporada não começou animadora para o Sevilla. Os resultados nem são tão ruins, mas as atuações abaixo da média geraram a demissão do técnico Eduardo Berizzo e uma sensação de que é necessário colocar ordem na casa para evitar maiores prejuízos. E o mercado de inverno foi bastante positivo a Vincenzo Montella. Os únicos gastos aconteceram com a contratação de Guilherme Arana, a princípio um jogador para o futuro. Mas, de graça, os andaluzes ganharam uma baciada. Sandro Ramírez não deu certo no Everton e chega por empréstimo para oferecer intensidade ao ataque. O caso é parecido com o de Roque Mesa, meio-campista bastante técnico, que não se encontrou na draga do Swansea. E para a lateral ainda há o competente mexicano Miguel Layún, ex-Porto. O clube ainda tentou trazer Marcelo Brozovic, da Internazionale, mas o negócio não saiu das intenções.

Málaga

Candidatíssimo ao rebaixamento, o clube da Andaluzia precisava se mexer. Não vive momentos de bonança de anos atrás, mas ainda tem bala na agulha. E, mesmo sem investimentos altos, os boquerones trouxeram uma leva ampla de reforços. São sete novidades, cinco deles emprestados. Os destaques ficam para o ataque. Brown Ideye é o mais experimentado e estava no futebol chinês, depois de muito rodar. Terá ao lado o compatriota Isaac Success, investimento alto do Watford que não disse a que veio e volta à Espanha, após se projetar com o Granada. O meio acolhe os tarimbados Manuel Iturra e Alberto Bueno. Samu García volta para a antiga casa, onde despontou bem. E vale prestar atenção em Maxime Lestienne, ponta belga que por vezes oscila, mas possui sua dose de talento. A salvação é complicada. Porém, não será por falta de tentativa.

Levante

A campanha do Levante em seu retorno à primeira divisão não é tão ruim. A queda de desempenho depois do bom início, no entanto, fez a diretoria ligar o sinal de alerta para evitar o rebaixamento. São seis reforços, muitos deles renomados e cinco por empréstimo. Giampaolo Pazzini dispensa apresentações, após auxiliar o acesso do Verona na última temporada. Ganha a companhia de Coke, lateral vitoriosíssimo com o Sevilla, mas que não se encaixou no Schalke 04 ao ser perseguido pelas lesões. Revelado pelo Barcelona, mas sem nunca vingar no time principal, o meia Rubén Rochina chega do Rubin Kazan. E o ataque ainda recebe o albanês Armado Sadiku, tarimbado no futebol suíço, mas que não deu muito certo no Legia Varsóvia.

Schalke 04

Quebrar a banca no mercado de inverno não é hábito entre os clubes alemães. Mesmo os ameaçados pelo rebaixamento costumam ser contidos em suas ações, buscando nomes pontuais. Assim, quem merece uma menção honrosa pela intensidade é o Schalke 04. São cinco novos nomes desembarcando em Gelsenkirchen. O retorno do lateral Abdul Rahman Baba, que não agradou no Chelsea, é bem-vindo. Na ponta, outro negócio de relevo é o empréstimo de Marko Pjaca, croata de talento e potencial, mas que vinha penando contra a concorrência na Juventus. E observar no jovem atacante Cedric Teuchert, de 20 anos, que marcava seus golzinhos na segundona pelo Nürnberg e vem como opção.

Saint-Étienne

O Saint-Étienne atravessam uma temporada depressiva. Os Verts até começaram brigando por uma vaga na Champions, mas caíram de produção em outubro e se afundaram depois da histórica goleada sofrida em casa contra o Lyon. O time venceu míseros dois jogos nas últimas 14 rodadas e o flerte com o rebaixamento é evidente. Por isso mesmo, a diretoria respondeu abrindo a carteira – não exatamente gastando nos negócios, mas nos salários. A defesa ganha dois medalhões gratuitos: Neven Subotic e Mathieu Debuchy, que já não desfrutam do respaldo de outros tempos. No meio, Yann M’Vila muito prometeu e nunca vingou, chegando após longo inverno no Rubin Kazan. Por fim, o ponta Paul-Georges Ntep volta à Ligue 1, onde voava com o Rennes. Vem por empréstimo do Wolfsburg.

Benevento

Pobre Benevento. Depois de um primeiro turno quebrando recordes negativos, as necessidades estavam bem claras. E o clube da bruxinha não se furtou a contratar. Buscou oito novos jogadores, mais do que qualquer outro na Serie A. São dois brasileiros: o volante Sandro, que estava escondido no Antalyaspor, e o meia Guilherme, que teve bons momentos no Legia Varsóvia. Outro medalhão é Cheick Diabaté, de longa passagem pelo Bordeaux. Já da Sampdoria vieram dois, o experiente goleiro Christian Puggioni e o meia Filip Djuricic, ex-Benfica. A equipe segue na lanterna da competição, mas inegavelmente com novas perspectivas.

Cagliari

Em agosto, o Cagliari foi um dos times medianos que mais se movimentou no mercado. Trouxe várias figurinhas carimbadas, como Leonardo Pavoletti, Marco Andreolli, Luca Cigarini e Gregory van der Wiel. O time não se encaixou, o risco de rebaixamento é iminente e a diretoria resolveu mudar a estratégia. Desta vez são cinco novatos, quase todos jovens. Leandro Castán é o mais cascudo destes, emprestado pela Roma. O clube da Sardenha contratou Damir Ceter, que se destacou no Independiente Santa Fe, e o meio-campista Fabrizio Caligara, da base da Juventus. No entanto, o garoto de maior impacto vem de graça, retornando de empréstimo ao Perugia. O norte-coreano Kwang-Song Han estava brilhando na Serie B e, aos 19 anos, gera interesse de diferentes clubes da Europa. Agora, o centroavante poderá se provar na primeira divisão, onde já fez um gol na temporada passada.

Everton

A janela de inverno na Premier League quebrou recordes. No entanto, ao invés de apostarem em quantidade, os ingleses priorizaram qualidade. E quem ganhou mais cartas na manga para o time titular foi o Everton – e pudera, depois de muito gastar e pouco resolver no verão. A necessidade imediata era um centroavante e ele veio com pompas, Cenk Tosun, que atravessava ótimo momento com o Besiktas. É um investimento alto, mas em um jogador com capacidade. Theo Walcott estava descontente no Arsenal e já começou a encher os pulmões com os novos ares de Goodison Park, rendendo de imediato. E, de última hora, a zaga ganhou um novo nome com o empréstimo de Eliaquim Mangala, que nunca justificou o preço pago pelo Manchester City, ganhando uma chance de redenção com os Toffees. Valerá, talvez, para chegarem à Liga Europa – na qual fracassaram de maneira retumbante meses atrás.

Watford

O clube inglês que mais contratou foi o Watford, com quatro reforços. Pode parecer natural, considerando que os Hornets vivem um momento de transição, após a saída de Marco Silva. Mas vale destacar como o clube olha para frente, especialmente na procura por alguns jovens. O mais experimentado da trupe é Gerard Deulofeu, que mais uma vez desapareceu no Barcelona e retorna à Inglaterra, onde teve os seus lampejos. Didier Ndong estava em meio ao furacão do Sunderland e foi resgatado por empréstimo, opção interessante ao meio-campo. A ponta também ganha Dodi Lukebakio, aposta do futebol belga de 20 anos. E talvez Gomes conheça o seu sucessor, com a chegada de Pontus Dahlberg, goleiro de 19 anos que já aparece nas convocações da Suécia, candidato à Copa do Mundo.

Nottingham Forest

Tudo bem, o Nottingham Forest não disputa a Premier League faz um tempo. Mas mesmo na Championship, merece menção especial pelo mercado atípico. Os alvirrubros buscaram sete reforços, vários deles veteranos e com histórico até mesmo nas seleções nacionais. O goleiro será Costel Pantilimon, que estava no Deportivo de La Coruña e foi repassado pelo Watford por empréstimo. A defesa ganha o português Tobias Figueiredo, com histórico nas equipes nacionais de base, e que tem vínculo com o Sporting. O meio ganha Jack Colback, cedido pelo Newcastle, além do argelino Adlène Guédioura e do iraniano Ashkan Dejagah. Já no ataque, menção honrosa ao rodado Lee Tomlin. O Forest é o 15° na tabela e, depois de eliminar o Arsenal, caiu para o Hull City na FA Cup.