I.

Martín atravessava os campos abertos da Província de Buenos Aires a bordo do trem. Pela janela de um dos vagões da Linha General Roca, via, ao sul da Capital, um subúrbio em constante crescimento. Ainda existiam as chácaras, os pátios que ostentavam flores e goiabas, os longos terrenos abandonados ou à espera de construções. Mas naqueles anos, nos poucos quilômetros que separam Avellaneda de Buenos Aires, já era possível sentir a fumaça das fábricas, consequência imponente da década anterior. Na bagagem, ele levava pouco ou nada: alguma roupa, uma insignificante quantia em pesos e as chuteiras pretas de sempre.

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