Diego Simeone é um técnico consagrado atualmente pelo seu trabalho magnífico no Atlético de Madrid, onde também foi jogador. É comum ouvirmos que ele, como técnico, faz os seus times serem à sua imagem e semelhança. O que muitos esquecem é que Simeone, como jogador, foi um jogador fabuloso. Na sua passagem pela Inter, chegou sob desconfiança, mas se tornou ídolo. Há 20 anos, ele e Ronaldo foram fenomenais no clássico contra o Milan, no dia 22 de março de 1998, em uma marcante vitória por 3 a 0.

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Era a primeira temporada de Ronaldo com a camisa da Inter. Ele chegou em agosto de 1997 como o então jogador mais caro do mundo, vindo do Barcelona – que o tinha tornado o jogador mais caro do mundo ao tirá-lo do PSV, em 1996. Ronaldo gostava da camisa 9, mas ela tinha dono na Inter naquela época, Ivan Zamorano. O Fenômeno, então, ficou com a 10 naquele ano. E foi um ano com uma nota digna do número que usava.

Diego Simeone também chegou naquela temporada, embora com muito menos cartaz, claro. Tinha vindo do Atlético de Madrid, onde foi um dos destaques da temporada mágica dos Colchoneros, que o time conquistou o título espanhol e da Copa do Rei na temporada 1995/96. Já era um jogador importante da seleção argentina.

Mais do que um marcador implacável, Simeone era um jogador técnico também. Tinha bom domínio de fundamentos, era bom passador e chegava bem ao ataque para marcar gols. Sim, gols. Pelo Atlético de Madrid, por exemplo, ele fez 98 jogos entre 1994 e 1997 e marcou 21 gols. Para um volante, um número bem alto.

Esse jogador apareceu naquele dia 22 de março de 1998. Era a 26ª rodada da Serie A, o Campeonato Italiano. A Inter estava à caça da Juventus, líder naquele momento com 53 pontos. A Lazio era a segunda com 51 e a Inter vinha em terceiro com 50 pontos. O Milan, naquele momento, ia muito mal: tinha 39 pontos e era só o oitavo colocado. Portanto, o jogo valia muito mais para a Inter.

Em campo, várias lendas. O brasileiro Zé Elias estava lá pela Inter. Foi uma partida daquelas de Ronaldo. O brasileiro estava inspirado e não poupou nem a lenda Paolo Maldini. Naquele jogo, porém, quem marcaria dois gols seria o camisa 14. Simeone foi quem abriu o placar, aos 42 minutos do primeiro tempo, de cabeça, em uma cobrança de escanteio.

A Inter era dominante na partida. Depois de tentar algumas vezes no segundo tempo e chegar perto de marcar, Ronaldo conseguiu o segundo gol do jogo aos 31 minutos. Francesco Moriero fez o lançamento para Ronaldo, nas costas da defesa, e o Fenômeno mostrou por que ganhou aquele apelido: um toque magistral por cima do goleiro para ampliar o placar para 2 a 0.

Aos 43 minutos do segundo tempo, com o Milan tentando um gol que o colocasse de novo na disputa, um contra-ataque matou o jogo. Simeone arrancou do meio-campo, livre, driblou o goleiro Sebastiano Rossi e tocou para o gol para marcar seu segundo gol e sacramentar a vitória com autoridade da Inter: 3 a 0.

Simeone ganhou a fama de violento e um jogador com mais vontade do que técnica. Que ele tinha uma vontade imensa, é totalmente verdade. Era um jogador taticamente muito inteligente e rapidamente organizava o seu time em campo – um indício do treinador brilhante que se tornaria. Mas além disso tudo, sabia o que fazer com a bola também. Muito mais do que a sua fama de botinudo sugere.

Ao final daquela temporada, a Juventus acabaria mesmo com o título, com 74 pontos contra 69 da Internazionale, vice-campeã. Naquela temporada, Oliver Bierhoff foi o artilheiro da Serie A pela Udinese com 27 gols. Ronaldo, com 25, ficou logo atrás. Roberto Baggio, que viria a ser companheiro de Ronaldo pouco tempo depois, terminou a temporada com 22 gols pelo Bologna.