A Data Fifa serve de respiro aos clubes, especialmente àqueles que não precisam ceder jogadores às seleções. É momento de parar um pouco, fazer ajustes e seguir com força para a reta final da temporada. E os campeonatos na maior parte da Europa chegam a seus momentos decisivos. Não apenas as ligas mais badaladas, mas também as competições de vários países secundários. Diante da pausa, aproveitamos para recriar pauta de 2017 e apresentar um balanço geral do “lado b” do continente, indicando alguns clubes para prestar atenção nas próximas semanas. Não são exatamente as forças de seus países, mas estão prontos a surpreender. Ou, em alguns casos, são as antigas potências que voltam a sonhar com o topo. Vale ressaltar que a lista não abarca as ligas que adotam o calendário anual. Confira:

Lokomotiv Moscou

Onde: Campeonato Russo
O que busca: Primeiro título em 14 anos
Como está: Líder com cinco pontos de vantagem
Restam: Sete rodadas (confira a tabela)

O Lokomotiv Moscou quase sempre figurou na elite do Campeonato Soviético, mas apenas na década de 1950 realmente competiu pelo título. A ascensão como força local aconteceu após o desmembramento do país, com a criação do Campeonato Russo. Depois de alguns vice-campeonatos e conquistas na Copa da Rússia, os ferroviários conquistaram a liga nacional em 2002 e 2004 – com direito a um jogo-desempate contra o CSKA Moscou na primeira taça. Desde então, os moscovitas caíram de nível. Não à toa, na temporada passada acabaram num modesto oitavo lugar, apesar de faturarem a copa. Cenário que mudou bastante na atual edição da Premier League Russa. Em uma competição sem uma força hegemônica nos últimos anos, que permitiu o fim do jejum do Spartak Moscou em 2017, o Lokomotiv mostrou suas credenciais. O Zenit até parecia ser o favorito, especialmente ao investir pesado em contratações, mas despencou nas últimas semanas. Líder desde a 15ª rodada, o time de Yuri Semin (o mesmo técnico de 2002 e 2004) tem boas chances de encerrar o jejum de 14 anos. Destaque para os muitos jogadores tarimbados, como Guilherme, Manuel Fernandes, Igor Denisov e o imparável Jefferson Farfán – que soma 15 gols e oito assistências em 16 partidas.

Istambul Basaksehir

Onde: Campeonato Turco
O que busca: Primeiro título a Istambul fora do trio de ferro
Como está: Vice-líder, um ponto atrás do Galatasaray
Restam: Oito rodadas (confira a tabela)

Mais uma vez, o Basaksehir aparece nesta lista. Está claro que o clube de Istambul tende a permanecer entre os primeiros colocados do Campeonato Turco nos próximos anos. O antigo Istanbul BB possui aporte financeiro, um estádio novo e elenco forte, apostando principalmente em medalhões. Deixou o título escapar na temporada passada, terminando com o vice-campeonato, mas segue na briga com o trio de ferro. A equipe treinada por Abdullah Avci chegou a liderar a Süper Lig por sete rodadas, entre o final do primeiro turno e o início do segundo turno. Já na última rodada antes da Data Fifa, diminuiu a distância para o líder Galatasaray, vencendo justamente o confronto direto com o Besiktas, logo abaixo na tabela. E ainda possui o duelo com os leões em seu calendário, visitando a Türk Telekom Arena. O time recheado de veteranos conta com os serviços de Emmanuel Adebayor, Eljero Elia, Gökhan Inler e Emre Belözoglu, contratando ainda Arda Turan na janela de inverno. Caso leve a taça, mais do que um título inédito ao clube, seria o primeiro a uma agremiação de Istambul além do trio Besiktas-Fenerbahçe-Galatasaray.

Young Boys

Onde: Campeonato Suíço
O que busca: Primeiro título em 32 anos e fim da hegemonia
Como está: Líder com 16 pontos de vantagem
Restam: Dez rodadas (confira a tabela)

A era do Basel, definitivamente, está com os dias contados na Suíça. Depois de oito títulos consecutivos, o time não engrenou nesta temporada da Super League. E a taça, com todos os méritos, está no colo do Young Boys. Os aurinegros foram vice-campeões nos últimos três anos, mas não conquistam a liga desde 1986, em seu único triunfo a partir de 1960. Desta vez, ao menos, a campanha é exemplar. Das 26 rodadas disputadas até o momento, o clube de Berna não liderou em apenas três, logo no início da campanha. Enquanto o Basel não engrenava, os ponteiros ganharam distância. Neste momento, os 16 pontos de vantagem parecem ser suficientes para garantir a festa inédita em décadas. Dono de um ataque arrasador e com 19 vitórias até o momento, o Young Boys tem os três primeiros colocados na tábua de artilheiros. Entre os nomes mais conhecidos do elenco, estão os rodados Guillaume Hoarau e Miralem Sulejmani.

AEK Atenas e PAOK

Onde: Campeonato Grego
O que busca: Primeiro título em décadas e fim da hegemonia
Como está: Líder com 54 pontos e vice-líder com 52*
Restam: Seis rodadas que só Zeus sabe quando acontecerão (confira a tabela)

É impossível escolher apenas um time no Campeonato Grego. Afinal, a edição mais emocionante da Super League em muitos anos tem dois clubes tradicionais prontos a escrever a história. O AEK Atenas, líder, se recupera cinco anos depois de falir e precisar se reerguer a partir da terceira divisão. Pode levantar sua primeira taça na liga em 24 anos. Treinado por Manolo Jiménez, confia no trio ofensivo formado por Marko Livaja, Sergio Araujo e Lazaros Christodoulopoulos. O PAOK, por sua vez, mantinha-se na perseguição ao Olympiacos durante sua hegemonia recente, mas nunca desfrutou de uma chance tão boa de assumir o topo. Seria apenas a terceira conquista do clube no campeonato, a primeira desde 1985. Líder por sete rodadas, o time comandado por Razvan Lucescu (sim, filho de Mircea) depende bastante dos gols do artilheiro Aleksandar Prijovic

Resta saber quando acontecerão as últimas rodadas. Justamente o confronto direto entre PAOK e AEK, no Estádio Toumba, terminou em confusão. Um gol dos alvinegros anulado pelo árbitro no final do segundo tempo levou o presidente do clube a invadir o campo com um revólver na cintura. Desde então, a situação de calamidade congelou as partidas na Super League. Fato é que os tribunais já vinham sendo bastante ativos na definição dos pontos, também no imbróglio entre PAOK e Olympiacos semanas antes. Os alvirrubros, aliás, não devem ser vistos como carta fora do baralho. Somam 50 pontos, esperando um descuido para buscarem o octa. Os seguidos desmanches recentes, contudo, prejudicam um desempenho mais consistente.

*Segundo a tabela oficial, porque há divergência conforme diferentes fontes, por conta das decisões da justiça desportiva

Bröndby

Onde: Campeonato Dinamarquês
O que busca: Primeiro título em 13 anos
Como está: Líder com vantagem no saldo de gols
Restam: Dez rodadas no hexagonal final (confira a tabela)

O Copenhague não vinha de uma hegemonia de títulos consecutivos, mas dominou o Campeonato Dinamarquês desde a virada do século. E a força diminuiu nesta temporada, com o clube terminando a fase regular da Superliga numa “modesta” quarta colocação, a pior desde 2000. Espaço para que outros clubes ascendam, entre eles o Bröndby. Potência entre os anos 1980 e 1990, os auriazuis não levantam a taça desde 2005, amargando as alegrias dos maiores rivais desde então. Vice-campeão na temporada passada, enfim, os garotos do oeste parecem prontos a retomar o topo. O problema está na concorrência: o Midtjylland está na cola, em desvantagem por míseros três gols de saldo, ambos com 60 pontos. Ao que parece, a briga no hexagonal final (que reúne os seis melhores da fase de classificação, em turno e returno) se concentrará entre os dois, que se alternam na primeira colocação desde meados do primeiro turno – quando o Nordsjaelland, atual terceiro, perdeu seu fôlego. No elenco do Bröndby, menção honrosa ao artilheiro finlandês Teemu Pukki.

Cluj

Onde: Campeonato Romeno
O que busca: Primeiro título em seis anos
Como está: Líder, com dois pontos de vantagem
Restam: Oito rodadas no hexagonal final (confira a tabela)

O Campeonato Romeno tem aberto espaço a forças ascendentes nos últimos anos. Astra Giurgiu e Viitorul Constanta foram campeões inéditos nas duas temporadas anteriores. Já desta vez, o principal candidato é o Cluj, que se tornou campeão nacional pela primeira vez em 2008 e levaria a taça mais duas vezes, em 2010 e 2012. Durante os últimos anos, os grenás viveram momentos não tão bons assim. Chegaram a enfrentar um processo de insolvência e brigas jurídicas para se manter na primeira divisão, com algumas campanhas modestas. Após o aporte financeiro garantido por um novo dono, os ferroviários se restabelecem como favoritos na atual campanha. O time foi líder em 19 das 26 rodadas da temporada regular, avançando para o hexagonal final com dois pontos de vantagem em relação ao FCSB – o Steaua Bucareste sem os direitos de seus antigos símbolos. No confronto direto do último domingo, prevaleceu o empate por 1 a 1. No banco de reservas, o treinador é Dan Petrescu, ícone da seleção romena nos anos 1990. Ídolo na era dourada do clube, o argentino Emmanuel Culio voltou e é uma das referências em campo.

Jagiellonia Bialystok

Onde: Campeonato Polonês
O que busca: Título inédito
Como está: Líder, com três pontos de vantagem
Restam: Uma rodada da temporada regular e sete do octogonal final (confira a tabela)

Na temporada passada, o Jagiellonia chegou a almejar o título inédito no Campeonato Polonês. Terminou a temporada regular na liderança, mas não manteve o mesmo ritmo no octogonal final, ficando a dois pontos do campeão Legia Varsóvia. Desta vez, aparece novamente no páreo. Surgido em 1920, o clube passou a frequentar o primeiro nível do Campeonato Polonês a partir da década de 1980. Chegou a cair à quarta divisão na virada do século, mas se recuperou desde então e se firmou na elite depois de 2008. Mas só agora é que os aurirrubros realmente sonham com a glória, antes no máximo pintando na Liga Europa. Embora tenham sempre frequentado as primeiras posições na atual campanha, só assumiram a liderança na reta final da temporada regular, sustentando atualmente uma boa vantagem de três pontos em relação ao Legia. Resta saber como responderão no octogonal final, de exigência grande nas próximas semanas. O zagueiro Guti e o lateral Guilherme representam a legião brasileira. Olho também no Górnik Zabrze, quarto colocado. Donos de 14 títulos nacionais, acabaram de voltar da segundona e já se metem na luta pela Liga Europa. Não figuram nas competições continentais desde 1995.

Spartak Trnava

Onde: Campeonato Eslovaco
O que busca: Primeiro título em 45 anos, primeiro pós-Tchecoslováquia
Como está: Líder, com dez pontos de vantagem
Restam: Oito rodadas do hexagonal final (confira a tabela)

O Spartak Trnava viveu seus anos como potência no antigo Campeonato Tchecoslovaco. Bancado pela indústria de metal local, o clube faturou a liga cinco vezes em seis anos, na virada dos anos 1960 para os 1970. Além disso, foi semifinalista da Copa dos Campeões em 1969, derrotado pelo Ajax. O protagonismo não se manteve nos anos seguintes, até porque os rubro-negros perderam suas costas quentes. E até retornaram às primeiras colocações com a criação do Campeonato Eslovaco, após o desmembramento do antigo país, mas nada suficiente para erguer o troféu. Costumeiro postulante no meio da tabela, vez por outra o Spartak consegue ascender. E nesta temporada, enfim, deve encerrar a seca que dura há 45 anos. Seu treinador é o iugoslavo Nestor El Maestro, de apenas 34 anos. Refugiado na Inglaterra durante a Guerra nos Bálcãs, iniciou cedo a carreira com as pranchetas e trabalhou como assistente em diversos clubes tradicionais – incluindo Juventus, Valencia, Schalke 04 e West Ham. Nascido com o sobrenome Jevtic, se rebatizou como El Maestro aos 17 anos, juntamente com o irmão mais novo – então um prodígio desejado por grandes clubes europeus nas categorias de base. Atualmente, o Spartak sustenta uma cômoda vantagem de dez pontos. O oponente mais próximo é o Slovan Bratislava, grande rival e segundo colocado, mas que parece mais preocupado em se garantir na Liga Europa. Campeões nos últimos anos, Zilina e Trencin sequer estão na zona de classificação às competições europeias. Já o Dunajská Streda é a grande surpresa, em terceiro, podendo pintar nas copas continentais pela primeira vez em 24 anos.

Hapoel Haifa

Onde: Campeonato Israelense
O que busca: Título inédito, mas vaga na Liga Europa já serve
Como está: Quarto colocado, a cinco pontos do líder
Restam: Nove rodadas no hexagonal final (confira a tabela)

O Campeonato Israelense é um dos mais equilibrados da temporada da Uefa. Quatro times entraram no hexagonal final com chances reais de título. Com 60 pontos, o Hapoel Be’er Sheva é o favorito, até por ser o atual bicampeão. Um ponto atrás está o Beitar Jerusalem, que costuma ser mais falado pelos radicalismos de sua torcida, mas desta vez mira encerrar o jejum de uma década na liga. Em terceiro, com 55 pontos, está o multicampeão Maccabi Tel Aviv. Já a surpresa da lista está no quarto lugar, também com 55: o Hapoel Haifa. Ligado às massas trabalhadoras, o clube foi fundado em 1924. Teve seu ápice nos anos 1990, quando um magnata que fez fortuna com a pesca na Nigéria investiu pesado nos Tubarões – assim, surfando na onda rumo ao seu único título nacional, em 1999. Todavia, o empresário entrou em uma grave crise financeira que, mais do que o deixar à beira da falência, culminou em seu suicídio em 2001. A bancarrota levou o Hapoel Haifa à segunda divisão, até que se restabelecesse com um novo dono. Ainda assim, desde que se firmou na elite em 2009, quase sempre o time lutou contra o rebaixamento. Agora, se terminar ao menos em terceiro, volta às copas europeias pela primeira vez desde 2000.

Progrès Niederkorn

Onde: Campeonato Luxemburguês
O que busca: Primeiro título em 38 anos
Como está: Vice-líder, com um gol de desvantagem no saldo
Restam: Nove rodadas (confira a tabela)

Você talvez se lembre do Progrès Niederkorn nesta temporada. Afinal, os aurinegros já foram capazes de um grande feito na Liga Europa, ao eliminarem o Rangers logo na primeira fase preliminar, frustrando o retorno dos escoceses nas competições continentais. Fundado em 1919, agora o clube busca um passo além no cenário doméstico. E pode conquistar o Campeonato Luxemburguês pela quarta vez, a primeira desde 1980. A briga com o hegemônico Dudelange é ponto a ponto, com ambos atualmente separados apenas no saldo de gols, já disparados em relação à concorrência. Restam nove rodadas, com o confronto direto acontecendo em Niederkorn.

Engordany

Onde: Campeonato Andorrano
O que busca: Título inédito
Como está: Vice-líder, um ponto atrás
Restam: Seis rodadas do quadrangular final (confira a tabela)

Com este nome meio bizarro, o Engordany é a surpresa em Andorra. Potência no basquete, cresceu no futebol durante os últimos anos, após o aumento no investimento e a criação de uma parceria com uma academia de futebol da Catalunha. Há chances reais de impedir o pentacampeonato do FC Santa Coloma, força local. Apenas um ponto separa os times, com muito equilíbrio nos confrontos diretos – uma vitória para cada lado e um empate. O capitão dos Guerreiros, aliás, é um nome conhecido: Christian Cellay, zagueiro argentino que foi campeão da Libertadores em 2009 com o Estudiantes de La Plata.

Radnicki Nis

Onde: Campeonato Sérvio
O que busca: Volta às copas europeias após 34 anos
Como está: Terceiro colocado
Restam: Duas rodadas da temporada regular e sete do octogonal final (confira a tabela)

O Radnicki Nis representa uma parte importante da história do futebol nos Bálcãs. Em seus tempos de Campeonato Iugoslavo, chegou algumas vezes a figurar na terceira colocação. Entretanto, a real relevância vem por suas categorias de base, capazes de revelar os geniais Dragan Stojkovic e Dejan Petkovic. O clube, entretanto, virou coadjuvante a partir dos anos 1990 e sofreu com os problemas financeiros desde a virada do século. De 2003 a 2012, o Real de Nis não apareceu mais na elite, chegando a cair à terceira divisão. Nos últimos anos, ao menos, os alvirrubros se mantêm na primeira, sempre em posições intermediárias. O que pode culminar em um passo além na atual edição do Campeonato Sérvio. O Radnicki Nis é o atual terceiro colocado, garantido no octogonal final. Distante de Estrela Vermelha e Partizan, o time enfrenta uma disputa parelha pela Liga Europa, com outros cinco oponentes se candidatando às duas vagas. Caso carimbe a classificação, seria a primeira participação nas competições continentais desde 1984 – quando contava exatamente com Stojkovic.

Sigma Olomouc

Onde: Campeonato Tcheco
O que busca: Volta às copas europeias ou até vaga inédita na LC
Como está: Quarto colocado
Restam: Nove rodadas (confira a tabela)

Participante frequente das copas europeias a partir do desmembramento da Tchecoslováquia, o Sigma Olomouc não disputa mais o topo do Campeonato Tcheco, como se acostumou por um tempo. De qualquer forma, já se contenta em rondar a zona de classificação à Liga Europa. Nas quatro temporadas anteriores, os alviazuis viveram um ioiô entre a elite da liga e a segundona. De volta na atual campanha, já ascenderam a ponto de brigar pelas competições europeias. Com 37 pontos, estão no pelotão intermediário, brigando com outros cinco times por três vagas. E, considerando que o vice-líder Slavia Praga está apenas cinco pontos à frente, dá para sonhar mesmo com uma inédita participação nas preliminares da Liga dos Campeões – mas não mais do que isso, considerando a folga do Viktoria Plzen na ponta. A última aparição continental do Olomouc ocorreu na Liga Europa de 2009/10.

Újpest

Onde: Campeonato Húngaro
 O que busca: Volta às copas europeias
Como está: Terceiro colocado
Restam: Dez rodadas (confira a tabela)

Uma das grandes potências do Campeonato Húngaro, o Újpest atravessou diferentes momentos gloriosos a partir da década de 1930. No entanto, sofreu com a mudança de sistema econômico no país e não levantou mais a taça desde 1998. Até figurou nas primeiras posições em meados da década passada, mas nada além. E desde 2010, tinha se tornado um mero coadjuvante, sem passar do sexto lugar. Por isso mesmo, ainda que esteja a 17 pontos de alcançar o líder Ferencváros, aparecer em terceiro já vale demais ao clube lilás. Pode disputar as competições continentais pela 34ª vez, mas apenas a primeira desde 2010. A concorrência se concentra em Debrecen, Paks e Honvéd, todos logo abaixo. E todos sem chances de acompanhar também o segundo colocado Videoton, a única ameaça ao Ferencváros.

LASK Linz

Onde: Campeonato Austríaco
O que busca: Volta às copas europeias
Como está: Quinto colocado
Restam: Nove rodadas (confira a tabela)

Tradicional figurante no Campeonato Austríaco, o LASK Linz possui uma trajetória razoável nas copas europeias, chegando a derrotar a Internazionale nos anos 1980. Nos últimos anos, porém, sequer compunha a elite da Bundesliga, conquistando o acesso na temporada passada. Ascensão meteórica que já alça os alvinegros à metade de cima da tabela. O time persegue Rapid Viena e Admira por um lugar na próxima Liga Europa. Seria o retorno continental após 18 anos de ausência, desde a última participação na Copa da Uefa. O elenco atual conta com o veteraníssimo Emanuel Pogatetz, de longa trajetória na seleção local.

Charleroi

Onde: Campeonato Belga
O que busca: Vaga inédita na Champions
Como está: Terceiro colocado
Restam: Dez rodadas do hexagonal final (confira a tabela)

Um dos clubes mais antigos da Bélgica, bate cartão na primeira divisão, embora não possua títulos em seu currículo. Ainda assim, vez por outra pinta nos torneios da Uefa. E os alvinegros podem dar um passo além na atual temporada. Começam o hexagonal final em terceiro, a oito pontos do líder Club Brugge, mas apenas a dois do segundo Anderlecht. Ultrapassar os Mauves significaria uma classificação inédita às preliminares da Liga dos Campeões. Dá para sonhar. No ataque, o atacante Kaveh Rezaei é candidato a disputar a Copa do Mundo de 2018 com a seleção iraniana e está no páreo pela artilharia do Campeonato Belga, com 12 gols.

Veres Rivne

Onde: Campeonato Ucraniano
O que busca: Vaga inédita nas copas europeias
Como está: Sexto colocado
Restam: Oito rodadas do hexagonal final (confira a tabela)

A guerra civil e o impacto financeiro consequente aumentaram a rotatividade de clubes no Campeonato Ucraniano. E isso impactou nos classificados às copas europeias. Oleksandriya e Olimpik Donetsk fizeram estreias continentais recentes. Agora, o candidato é o Veres Rivne. Fundado em 1957, o clube participou das primeiras edições do Campeonato Ucraniano, mas logo acabou relegado à terceira divisão, até falir em 2011. Foi reavivado em 2015 e, depois de dois acessos consecutivos, já briga pelas primeiras colocações em sua reestreia na elite. Bancados por um magnata de Lviv acusado de ligações com o submundo do crime, os rubro-negros têm atuado na cidade a 200 quilômetros de sua base original. Tendem a brigar com Vorskla Poltava e Zorya Luhansk, embora estejam a cinco pontos da zona de classificação à Liga Europa no hexagonal final.

Cardiff Metropolitan University

Onde: Campeonato Galês
O que busca: Vaga inédita nas copas europeias
Como está: Quinto colocado
Restam: Cinco rodadas do hexagonal final, mais os playoffs (confira a tabela)

Os melhores times galeses integram historicamente a pirâmide do Campeonato Inglês. O Campeonato Galês só adotou moldes profissionais nos anos 1990, e não apresenta um nível competitivo tão invejável assim. Não à toa, a equipe da Cardiff Metropolitan University sonha alto. Ao contrário de muitos clubes “universitários” pelo mundo que só mantêm o nome ligado às origens, a Cardiff Met realmente é composta por estudantes. Já imaginou o time da atlética de sua universidade disputando o Brasileirão? Pois é isso que acontece por lá. Entre os atletas em regime semi-profissional, estão graduandos dos mais diferentes cursos oferecidos pela instituição, incluindo mestrandos e doutorandos. Que, nas horas vagas, conseguem fazer bonito na liga nacional. A Cardiff Met zanzou por anos nas divisões de acesso do Campeonato Galês, até protagonizar uma ascensão meteórica a partir de 2013. Saindo da quarta divisão, foram três acessos em quatro anos. Na temporada passada, já brigaram na parte de cima da Premier League Galesa. E nesta campanha, o sonho é de conquistar um lugar inédito na Liga Europa. Atualmente na quinta colocação, os estudantes iriam a um mata-mata entre quatro times, no qual o campeão carimbaria o passaporte. Em 2016/17, a Cardiff Met chegou à decisão desse playoff. Perdeu para o Bangor City, um dos clubes mais tradicionais do país. Caso consigam a façanha, seria no mínimo curioso ver os universitários figurando em uma competição da Uefa.

Akademija Pandev

Onde: Campeonato Macedônio
O que busca: Vaga inédita nas copas europeias
Como está: Quarto colocado
Restam: Doze rodadas (confira a tabela)

Campeão romeno na temporada passada, o Viitorul Constanta nada mais é do que a academia de futebol criada por Gheorghe Hagi. E o fenômeno não parece ser algo isolado. Goran Pandev também criou sua academia em 2010, baseada em Strumica, sua cidade natal. Sete anos após a fundação, o time conquistou a segundona do Campeonato Macedônio. Já nesta temporada, entra na briga para se classificar às competições continentais. O time é o quarto colocado na liga nacional, a sete pontos da zona de classificação, mas pode ser ajudado pelos resultados da Copa da Macedônia – caso o líder Shkëndija seja campeão ou se os próprios pupilos de Pandev levarem a taça. No elenco está Sasko Pandev, irmão mais novo de Goran.

PS: Esta matéria será parte de uma “trilogia alternativa” nesta Data Fifa. As outras abordarão ainda as copas nacionais e as divisões de acesso, a serem publicadas até a próxima semana.