Kaká chegou aos Estados Unidos, quase três anos atrás, para liderar o projeto do Orlando City. Foi escolhido pelo dono brasileiro Flávio Augusto da Silva para ser o rosto da nova franquia, a única da Major League Soccer no forte mercado da Flórida. A escolha não poderia ter sido melhor: Kaká foi essencial para o clube se firmar em seus primeiros passos, teve um bom desempenho individual e serviu como um importante chamariz para a liga americana, ajudando o time a ter ótimas médias de público. A decepção foi nunca ter conseguido chegar aos playoffs.

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A culpa não é apenas dele. Os jogadores designados são importantes pela liderança, pela capacidade de decidir grandes partidas e pelo marketing, mas, no futebol como esporte coletivo, mais crucial ainda para a formação de um time competitivo são os companheiros das estrelas. E o Orlando City não tem um elenco dos mais qualificados da liga. Os outros designados são o colombiano Carlos Rivas e o peruano Yoshimar Yotún. Julio Baptista passou um ano no clube, majoritariamente na reserva, embora tenha conseguido causar algum impacto quando entrou em campo, com cinco gols em 23 jogos.

Nesse quesito, a saída de Kaká pode ajudar o Orlando City a reforçar outras posições. O brasileiro foi o jogador mais bem pago da Major League Soccer, durante os três anos em que morou perto da Disney, com vencimentos base de US$ 6,6 milhões por ano. A primeira temporada do craque e do clube terminou a cinco pontos dos playoffs. Na segunda, o Orlando chegou até mais perto, apesar do oitavo lugar: ficou a um ponto do New England Revolution, sétimo, e do Philadelphia Union, sexto e classificado para a próxima fase.

A atual foi a pior de todas: o Orlando City já está eliminado, a duas rodadas do fim, sete pontos distante do playoff. E não é coincidência que tenha sido a que Kaká menos jogou com a camisa roxa – e a que teve seus piores números. Foram seis gols e cinco assistências em 22 partidas, 17 como titular. Em 2016, conseguiu 24 jogos, 23 desde o começo, com nove tentos e dez passes decisivos. No ano anterior, entrou em campo 28 vezes pela MLS, todas como titular, com outros nove gols e sete assistências.

Kaká fez a sua parte. Inclusive fora de campo. Ficou entre os jogadores que mais venderam camisas nas suas duas primeiras temporadas – terceiro e sexto lugar – e foi convocado para o time das estrelas da Major League Soccer três vezes. Foi capitão nas duas primeiras e eleito o melhor jogador do All Star Game de 2015, contra o Tottenham. Além disso, realiza um trabalho legal com a comunidade de Orlando, participando de batizados e visitando vítimas do tiroteio na boate Pulse.

A Major League Soccer sempre teve dificuldades para estabelecer uma franquia na Flórida, um dos estados mais importantes do país. Tentativas anteriores, como o Miami Fusion e o Tampa Bay Mutiny, fracassaram. O Orlando City, porém, tem sido um sucesso. Teve a segunda maior média de público nas suas duas primeiras temporadas, atrás apenas do Seattle Sounders. E, em breve, deve ganhar um vizinho: o Miami United, de David Beckham, tentando entrar na liga até 2019.

Não deu para o Orlando City chegar aos playoffs com Kaká, mas brigou dois anos por essa vaga e, sem ele, a situação poderia ter sido bem pior. Além de tudo que ele fez para o clube ser conhecido e se fixar na Major League Soccer. Os próximos passos do brasileiro são desconhecidos, mas ele pode tomá-los com um sentimento de dever cumprido.