Os prêmios da Fifa serão entregues, nesta segunda-feira, e entre as nomeadas para melhor jogadora do mundo estão Carli Lloyd, atual bicampeã da celebração, a atacante holandesa Lieke Mertens, melhor jogadora da última Eurocopa, e uma estudante de comunicação venezuelana de 18 anos que nunca disputou uma partida profissional na sua carreira. Mais do que uma fábula de que tudo é possível na vida, a presença de Deyna Castellanos na lista final foi vista pela americana Megan Rapinoe como um sinal de desrespeito ao jogo das mulheres.

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Castellanos é uma estrela em ascensão, mas, por causa das rígidas regras do esporte universitário americano, não pode chegar nem perto do futebol profissional, nem fazendo publicidade. Pela seleção venezuelana sub-17, marcou um golaço do meio da rua contra Camarões que concorre ao Prêmio Puskas e mais algumas pinturas, como esta contra o Brasil, no Sul-Americano do ano passado. Na principal, jogou um amistoso contra o México, em junho deste ano e esteve na Copa América de 2014.

Seus gols são majoritariamente marcados pela equipe da universidade Florida State e realmente são muitos: 14 em 15 partidas nesta temporada. No entanto, a sua presença na lista tripla deslocou nomes como Samantha Kerr, a australiana que bateu o recorde de gols em uma única temporada da primeira divisão dos Estados Unidos pelo Sky Blue. Ou a britânica Jodie Taylor, artilheira da Eurocopa deste ano com cinco gols.

A crítica de Rapinoe é a seguinte: o que aconteceria se os três indicados ao prêmio masculino fossem Cristiano Ronaldo, Messi e, em vez de Neymar, um jogador de 18 anos do qual pouca gente já ouviu falar? “Se um jogador masculino aleatório, que nem é profissional, fosse nomeado, tenho certeza que eles (da Fifa) interfeririam, então é decepcionante que não tenham feito o mesmo para nós”, afirmou.

Rapinoe, campeã olímpica e mundial pelos Estados Unidos, afirmou que essa lista é sinal de uma organização “velha, masculina e obsoleta”. “O prêmio não ganha muito peso quando você tem na lista alguém de quem eu nunca ouvi falar”, disse. “É um sinal para nós e para o resto do mundo de que a Fifa na verdade não se importa conosco”. Kerr, imaginada como uma das favoritas para o prêmio, também teve o que dizer: “Não estou realmente surpresa. É a Fifa”.

A Fifa afirmou, de acordo com a BBC, que o processo de escolha da lista envolve técnicos e capitãs de seleções, representantes da imprensa e torcedores, cada um com peso igual na escolha. “O processo é claro e transparente e não estamos envolvidos na seleção final dos indicados. No entanto, registramos as preocupações da comunidade do futebol e dos nossos torcedores e vamos levá-las para a diretoria em futuras edições do prêmio”, afirmou, em comunicado.

Rapinoe nunca demonstrou receio em tomar posições. É uma das líderes do movimento da seleção feminina por premiações iguais às do time dos homens e, em setembro do ano passado, tornou-se a primeira atleta profissional branca, homem ou mulher, a se ajoelhar durante o hino nacional, em solidariedade a Colin Kaepernick, que iniciou esse protesto contra o que considera violência e racismo da polícia dos Estados Unidos.