Diego Maradona e Nápoles é uma relação de amor desde que o argentino pisou no solo do sul da Itália. Sua idolatria passa pela magia que levou em campo, mas também pelo orgulho resgatado, os títulos conquistados e as memórias guardadas no coração de cada torcedor do Napoli. Só que em 1990, essa relação foi contraditória. Na Copa do Mundo da Itália, a Argentina de Maradona jogou a semifinal contra a anfitriã, Itália. Anfitriã?

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Maradona tentou colocar Nápoles ao seu favor. “Os napolitanos precisam lembrar uma coisa. A Itália os faz sentir importante um dia por ano, mas esquecem deles nos outros 364”, afirmou o então jogador do Napoli. Só que do outro lado, no time italiano, havia Walter Zenga, goleiro do Napoli, que tentava bater o recorde de minutos sem tomar gols.

A trajetória italiana era boa naquela Copa, caminhando bem em um torneio em casa, quando o time mandante, ainda mais quando é uma seleção de tanto peso, ganha um impulso extra. A seleção italiana tinha jogado todas as suas partidas em Roma, até a semifinal, que tinha jogos em Nápoles e Turim, antes de voltar a ter jogo em Roma na final. Jogar em Nápoles não seria um problema se o adversário fosse outro que não o time de Maradona.

Aquela derrota dolorosa teve uma marca que é especialmente triste para os italianos. A Azzurra nem tinha tomado gol na Copa. E quando Toto Schillaci marcou 1 a 0 para a Itália, aos 20 minutos, havia uma expectativa de passagem à final. A até então intransponível defesa italiana parecia suficiente para isso. Só que uma falha de Zenga acabou marcando aquele jogo, e aquela Copa, quebrando o recorde de minutos sem sofrer gols. Uma saída de gol em falso permitiu o gol de Claudio Caniggia, de cabeça.

Nos pênaltis, a Itália acabou eliminada quando Roberto Donadoni perde seu pênalti, depois Aldo Serena também perde. A Argentina não perdeu nenhum. O goleiro Goycochea se consagrou. Nápoles viu Maradona se consagrar, mais uma vez. E pela única vez em sua história, lamentou por isso. Aquele foi o primeiro caso que Maradona e os napolitanos estiveram em lados opostos. Foram atiradas pedras em sua casa, em Nápoles, depois do jogo. Menos de um ano depois, em março de 1991, ele foi condenado por uso de cocaína, apesar de ser usuário da droga por muitos dos sete anos que esteve em Nápoles. Era um conhecido da noite da cidade. Mas a lua de mel acabou. E ele não voltaria mais a atuar na Itália.