Ingressos baratos, bons públicos no Maracanã e Morumbi

Fluminense e São Paulo resolveram começar o Campeonato Brasileiro fazendo uma promoção de ingressos para seus torcedores. Com ingressos a R$ 10 e promoção para os sócios torcedores, o público presente no Maracanã na noite de sábado foi de 35.020 pessoas, sendo 31.173 pagantes, com renda de R$ 385.535 (quinta melhor renda da rodada). No Morumbi, o São Paulo recebeu o Botafogo e venceu por 3 a 0, com boa atuação de Alexandre Pato. Apenas o público pagante foi divulgado, 31.564 pessoas no Morumbi, com renda de R$ 421.065 (quarta melhor renda da rodada). O que isso significa? Bom, podemos falar algumas coisas sobre isso.

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Nos dois casos, bons públicos de se ver e rendas razoáveis. A grande questão é conseguir equilibrar as duas coisas, público e renda. O Flamengo, por exemplo, conseguiu uma ótima renda mesmo com um baixo público, mas isso porque mandou seu jogo em Brasília e cobrou ingressos caros. Foram só 19.012 pessoas no estádio nacional Mané Garrincha, com renda de R$ 1.144.515. Não dá para cobrar um preço alto em todos os jogos, mas como o Fla jogará poucas vezes por lá, então o time tenta ter uma renda maior nessas oportunidades.

O Internacional conseguiu um público bom para os padrões brasileiros e uma renda excelente. O time venceu o Vitória por 1 a 0 no primeiro jogo oficial no Beira-Rio reformado para um público de 24.692 presentes (21.983 pagantes), com renda de R$ 928.945,  a segunda melhor da rodada atrás, apenas do Flamengo. Mas é preciso considerar o caráter de festa do jogo, o primeiro valendo três pontos do estádio e com ingressos relativamente altos. O Atlético Mineiro conseguiu a terceira melhor renda da rodada no 0 a 0 contra o Corinthians, em Uberlândia, com R$ 530.820. Só que o público foi ridículo, considerando que são dois clubes de muita torcida: só 10.380 pessoas. E aí que entra o questionamento. É preciso saber equilibrar preço para encher mais o estádio. Não podemos dizer que é uma coisa ou outra. Dá para colocar mais gente no estádio e ter uma boa renda, mesmo em um jogo comum.

A promoção do Fluminense e São Paulo serviram para colocar bons públicos no estádio e, considerando que a média de público do Brasileiro em 2013 foi de 14.951 pessoas, é uma boa iniciativa. Basta lembrar que Flamengo, Inter e Atlético Mineiro tiveram situações excepcionais nessa rodada e cobraram ingressos bem altos e essa não será a regra – até porque se for, a cuva da renda será descendente, como a de público.

Trazer as pessoas de volta aos estádios brasileiros não é só uma questão de preço, mas esse é uma questão a tratar. Falta também dar um tratamento melhor ao torcedor, com um transporte público decente, por exemplo. No jogo do Fluminense, no sábado às 18h30, houve problemas na volta dos torcedores, que ficaram sem trem. Não é o único caso, como bem sabemos. Mas baixar o preço já serviu para colocar mais público no estádio e isso deveria ser motivo ao menos para os dirigentes pensarem mais nessa possibilidade.

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Poucos gols na primeira rodada

Foram 16 gols marcados na rodada, uma média de 1,6 por partida. Uma média baixa, considerando que a média de gols do Brasileiro costuma ser mais alta. Em 2013, 2,46 gols por jogo. Foi só uma rodada, então não é um diagnóstico, é só uma constatação que nesta primeira rodada, tivemos três jogos em 0 a 0: Chapecoense x Coritiba, Atlético Mineiro x Corinthians e Flamengo x Goiás.

Em Chapecoense x Coritiba, os catarinenses chutaram 10 vezes a gol, enquanto o Coritiba chutou 16. Um número até alto, certo? Certo, só que cada time só acertou o gol quatro vezes. Vale destacar a boa atuação do goleiro Danilo, que fez quatro defesas na partida e foi importante.

Em Atlético Mineiro x Corinthians, o Galo chutou nove vezes a gol e o Corinthians chutou 16. Cada time só acertou três vezes a bola no gol. O Atlético Mineiro, de quem se espera muito, foi mal. Atuou com a maioria dos seus titulares e continua sem apresentar um futebol convincente. Já o time paulista não conseguiu tirar proveito dos mais de 20 dias de treinos. Segue sem ter um bom futebol e continua sentindo falta de um bom atacante. Guerrero, que entrou no segundo tempo, está em má fase, mas ainda é melhor que Luciano ou Romarinho, ao menos na função de centroavante.

No outro 0 a 0 da rodada, Flamengo x Goiás, o rubro-negro chutou nove vezes a gol, enquanto o Goiás chutou 16. Assim como nos outros dois jogos, poucos chutes certos. Cada time só acertou o alvo três vezes, muito pouco. O Flamengo teve mais posse de bola (68%), mas o Goiás levou mais perigo na maioria dos seus ataques. Dá para entender por que o placar ficou em branco.

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Equilíbrio

Dos 10 jogos, foram quatro vitórias dos mandantes, quatro empates e duas vitórias de visitantes. O Campeonato Brasileiro é normalmente caracterizado pelo equilíbrio e a primeira rodada deu essa impressão. Nas duas vitórias fora de casa, do Cruzeiro sobre o Bahia e do Palmeiras sobre o Criciúma, o mesmo placar, 2 a 1, e com muita dificuldade.

Sabemos que o fator casa faz diferença no Campeonato Brasileiro. Em 2013, por exemplo, o Cruzeiro, que foi avassalador, teve nove vitórias fora de casa. Ganhar em casa é o grande diferencial dos times que brigam na parte de cima. A vitória do Cruzeiro contra o Bahia foi muito importante, especialmente quando se olha que o Cruzeiro jogou com um time reserva. O Palmeiras conseguiu uma vitória também muito importante fora de casa, mas o erro de arbitragem na partida tirou um pouco do brilho desses três pontos.

De qualquer forma, o Brasileiro é normalmente um campeonato bastante equilibrado. Com os melhores times brasileiros – no papel – preocupados com a Libertadores, como Cruzeiro e Grêmio, é difícil imaginar quem poderá saltar na frente nessa disputa. E a primeira rodada deixou claro que não há times tão acima dos outros assim, ainda que o Cruzeiro continue dando pinta de ser o melhor time.

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Erro de arbitragem

Arbitragem é sempre um assunto chato, mas o que aconteceu em Criciúma, no estádio Heriberto Hulse, foi desses lances que não conseguimos entender como o árbitro não vê. Não só o árbitro, os assistentes, aqueles que ficam atrás dos gols, bandeirinhas e tudo mais. O pênalti não marcado pelo árbitro André Luiz Freitas Castro do zagueiro Tiago Alves no atacante Silvinho foi, como diria o comentarista Claudio Carsughi, clamoroso. Foram dois pênaltis em um só lance: o zagueiro palmeirense deu uma voadora no atacante do Tigre e, na continuação do lance, ainda tocou com o braço na bola. Não foi um toque qualquer, com o braço levantado. O lance é impressionante.

O bom início do ataque do Fluminense

A perspectiva do Fluminense não é muito boa no Campeonato Brasileiro, mas o time começou bem, melhor do que se esperava. Os jogadores ofensivos do time, Wagner, Conca, Rafael Sóbis e Fred tiveram uma boa atuação. Sóbis, aliás, foi o destaque do time. Marcou um golaço, em um passe de peito de Fred, e mostrou que é essencial ao Fluminense. Ele estava especulado para deixar o time pelo interesse do Corinthians, mas fica evidente que ele é um jogador muito útil.

Se falamos da boa atuação ofensiva do Flu, é preciso falar em Conca. É o grande craque do time do Fluminense, exatamente por ser o que mais se apresenta. No jogo contra o Figueirense, foi o jogador que mais tocou na bola, 92 vezes. Foi quem mais passou a bola também, 75, quem mais tentou fazer passes longos, 13. Vale o destaque também para Carlinhos, que passa longe de ser um craque, mas é um jogador importante para o time. Fez bons passes, chegou bem à frente e foi boa opção do lado esquerdo.

O Fluminense não se tornou favorito ao título por ter vencido o Figueirense de forma contundente, mas conseguiu dar esperanças ao seu torcedor que o ano pode não ser tão ruim quanto foi em 2013, que acabou com o time rebaixado. Resta saber se os seus jogadores conseguirão ter bom rendimento com regularidade e, no caso de Fred, se ele jogará com frequência.

E você, o que te chamou a atenção na primeira rodada do Brasileirão? Conte nos comentários!

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