A Espanha pintou na Copa de 1962 como uma das favoritas ao título. A fase de seus grandes clubes não era tão esplendorosa quanto na virada da década anterior, mas a Fúria estava repleta de craques – ainda que alguns em fim de carreira. Puskás, Di Stéfano e Luisito Suárez eram os protagonistas em um elenco que ainda contava com lendas da grandeza de Gento, Santamaría, Del Sol e Eulogio Martínez. No comando, o grande Helenio Herrera. Mas, se quisessem ser campeões do mundo, os espanhóis precisariam bater os melhores. E o caminho na fase de grupos não poderia ser mais duro, com o Brasil campeão em 1958 pela frente.

Em 6 de junho, as duas equipes decidiam a classificação em Viña del Mar, pela rodada final do grupo. O Brasil tinha a vantagem do empate, já que a Espanha perdera para a Tchecoslováquia e aparecia um ponto atrás. Porém, o duelo foi muito mais difícil do que a Seleção imaginaria. Adelardo abriu o placar para a Fúria, que poderia ter feito 2 a 0 em um lance que ainda hoje polêmico. Collar forçou um pênalti, apitado pelo árbitro Sergio Bustamante. Nilton Santos deu um passo para fora da área e iludiu o juiz, que anotou apenas falta. Na cobrança, Peiró emendou uma linda bicicleta no ângulo, golaço inexplicavelmente anulado pelo juiz. A brecha para que o possesso Amarildo marcasse dois gols e, com a virada, o Brasil comemorasse a classificação ao lado dos tchecoslovacos, que só precisaram cumprir tabela no dia seguinte contra o México – sim, os jogos da rodada final não aconteceram ao mesmo tempo. Caso o Brasil perdesse, poderia ser eliminado por suas futuras vítimas na decisão.

Em 6 de junho 1978, outro duelo de camisas pesadas aconteceu no Monumental de Núñez. A Argentina decretava a eliminação da França logo na segunda rodada, em grupo que também contava com a Itália. Em primeiro tempo movimentado, Daniel Passarella abriu o placar para a Albiceleste, enquanto Michel Platini igualou na etapa complementar – anotando seu primeiro gol em Copas. Já o herói argentino foi Leopoldo Luque, marcando o belo gol da vitória a 15 minutos do fim. E o jogo ainda teve um lance curioso, com o goleiro Bertand-Demanes substituído após se chocar com a trave para defender um chute. Por fim, em 1986, 6 de junho marcaria outro jogo duríssimo para o Brasil: a vitória suada por 1 a 0 sobre a Argélia de Madjer, com gol salvador de Careca para garantir a classificação antecipada.

1962: Brasil 2×1 Espanha

Terceira rodada da fase de grupos
Estádio Sausalito, em Viña del Mar (CHI)
Gols: Amarildo, duas vezes (BRA); Abelardo (ESP)

1978: Argentina 2×1 França

Segunda rodada da fase de grupos
Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires (ARG)
Gols: Passarella e Luque (ARG); Platini (FRA)

1986: Brasil 1×0 Argélia

Segunda rodada da fase de grupos
Estádio Jalisco, em Guadalajara (MEX)
Gol: Careca (BRA)