Neuer, Ter-Stegen, Zieler, Weidenfeller, Adler, Leno, Trapp, Kraft. Nenhum outro país possui tantos goleiros de alto nível quanto a Alemanha. A lista dos grandes camisas 1 da Bundesliga é longa. E não é de hoje que os clubes germânicos têm tantos arqueiros talentosos à disposição. Voltando um pouco, Kahn, Lehmann, Illgner, Köpke e Schumacher também marcaram época. Mas nenhum deles superou Sepp Maier. A principal influência entre tantos craques, que não é apontado somente o melhor goleiro alemão da história, mas um dos melhores do mundo em todos os tempos – foi o quarto colocado em uma eleição da IFFHS, atrás apenas de Yashin, Banks e Zoff. Sobretudo, precursor de uma escola de arqueiros tão competente, que ele mesmo desenvolveu.

Nesta sexta-feira, Maier completa 70 anos. Marco para uma trajetória tão espetacular. O bávaro sequer era goleiro no início de sua carreira. Começou nas categorias de base como atacante e sonhou durante um bom tempo em ser tenista. Acabou demovido dessas ideias, convencido a calçar as luvas quando tinha 15 anos, depois que o goleiro de sua equipe quebrou o braço. Mudança que não poderia ser mais sábia. Maier foi para o gol não apenas para defender o Bayern de Munique e da seleção alemã. Foi para fazer história. Atleta com mais partidas pelo clube bávaro e goleiro também recordista pelo Nationalelf. Campeão da Eurocopa e da Copa do Mundo, presente em quatro Mundiais. Vencedor da Bundesliga quatro vezes e tri da Champions, eleito em três anos o melhor jogador do país.

Maier tinha um talento natural, mas só era tão bom por causa dos treinamentos. Trabalhava à exaustão no dia a dia do clube, para ser intransponível nas partidas. Desenvolveu uma rotina pesada de exercícios, que aprimoraram muito a sua técnica. Com ótimos reflexos e elasticidade, ganhou o apelido de ‘Die Katze’, o gato. Além disso, também tinha um excelente senso de posicionamento e o sangue frio necessário para jogar em uma posição que vive sob pressão. O sistema de trabalho de Maier era tão bom que ele passou a trabalhar no Bayern e na seleção como treinador de goleiros logo depois de pendurar as luvas. Preparou Bodo Illgner, Andreas Köpke, Jens Lehmann e Oliver Kahn, ajudando-os a fechar o gol em conquistas de Copa do Mundo, Eurocopa e Liga dos Campeões.

Geralmente Maier é lembrado por seu senso de humor. Pelas piadas que fazia à imprensa, ironizando muitas vezes com a própria situação. Pelo dia em que deixou a própria meta, enquanto o Bayern batia um pênalti, para agarrar um pato que invadiu o gramado. A principal característica do gênio, no entanto, é a lealdade. Com os próprios companheiros e com os adversários. Em 1976, durante a final do Mundial Interclubes, ofereceu luvas especiais a Raul Plasmann, goleiro do Cruzeiro. Sabia que o material que o brasileiro tinha trazido consigo o atrapalharia na pesada neve que caia no Estádio Olímpico de Munique. Queria uma decisão justa. Já em 1979, aos 35 anos, precisou encerrar a carreira por conta de um grave acidente de carro que o deixou com várias lesões. Mesmo angustiado por não poder mais jogar, brincava que Beckenbauer e Gerd Müller, parceiros inseparáveis, o empurrariam para campo até em uma cadeira de rodas.

Atualmente, Die Katze prefere viver longe dos gramados. Foram longos anos de dedicação, que marcaram capítulos importantes do futebol. E deixaram um legado riquíssimo, pelo qual os alemães serão eternamente gratos e serão lembrados sempre que um grande camisa 1 vier à tona no país dos goleiros. O país de Sepp Maier.