Futebol e Olimpíadas não formam a mais empolgante das combinações. Ao contrário da maioria dos esportes, a competição quadrienal está longe de ser a mais importante entre seleções. Além disso, há uma que regra que permite convocar apenas jogadores com menos de vinte e três anos (além de três outros sem limite de idade) e portanto, os atletas envolvidos não são necessariamente os principais em cada equipe, diminuindo o interesse.

Outra característica peculiar é a variadade das cidades-sede. Enquanto uma grande metrópole hospeda a maior parte das modalidades, o futebol se espalha por outras estádios, movimentando diversas regiões do país. O risco aí é a distância resultar em falta de engajamento dos lugares vizinhos.

Quando o tema é o torneio olímpico de futebol, há uma preocupação com a procura por ingressos. Afinal, estádios de futebol são invariavelmente maiores que ginásios e por consequência, é mais difícil enchê-los. Nos jogos de Londres a média de público registrada até aqui é boa. Ao fim da primeira fase, o futebol masculino teve em média 40.243 torcedores por jogo. No futebol feminino, esse número caiu para 22.196. Mesmo com a razoável média, há estádios com capacidade acima dos 70 mil lugares, como em Manchester, Cardiff e Londres(Wembley), por exemplo. Isso acarreta em alguns espaços vazios, que causam grande impacto no clima da partida e claro, na transmissão televisiva.

O comitê local responde às críticas dizendo que a maioria dos lugares vagos são destinados à dirigentes, patrocinadores, jornalistas e atletas. A media emergencial encontrada, não só para resolver o problema do futebol diga-se, foi distribuir ingressos para militares.

E como o Rio de Janeiro será a próxima sede, não é melhor aprendermos as lições?

Futebol – Rio 2016

Dividida em cinco capitais, a modalidade terá partidas nos estádios Maracanã (RJ), Mané Garrincha (DF), Mineirão (MG), Fonte Nova (BA) e Morumbi (SP). Reformados para a Copa do Mundo dois anos antes (desses, apenas o Morumbi não será sede), a expectativa é de que esses estádios tenham um custo de manutenção muito alto. Não me parece improvável que dirigentes mencionem as Olimpíadas como uma boa “oportunidade” para conseguir verbas que aliviem essas despesas. Acreditar nisso cegamente é o perigo.

Para não precisar recorrer à distribuição de ingressos (que poderia até ser adotada para crianças carentes, com planejamento ao invés de caráter emergencial) precisamos lembrar: os atletas que aqui vão estar em 2016 dificilmente serão os melhores do futebol mundial. Ingressos caros podem resultar em empecilhos nas vendas dos bilhetes.

Além dessa questão comercial, outro trabalho que deve ser realizado pelo comitê é envolver as demais capitais nos jogos. Essas sedes não são próximas – são mais de 1.500 km entre Maracanã e Fonte Nova – e sem ações com essa finalidade, a Olimpíada corre o risco de passar desapercebida.

O jogo de futebol com menor público na primeira fase de Londres-2012 foi Estados Unidos e Colômbia, pelo torneio feminino, com 11.313 pessoas. Quanto você estaria a disposto a pagar por esse ingresso?

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