Mesut Özil foi um dos jogadores mais criticados no baixo rendimento da seleção alemã na Copa do Mundo da Rússia. O time acabou eliminado ainda na fase de grupos depois de derrota para o México, vitória sobre a Suécia e derrota para a Coreia do Sul. O caos na Copa despertou problemas anteriores ao Mundial. O diretor da DFB, a Federação Alemã de Futebol, Oliver Bierhoff, criticou Özil e o presidente da entidade c obrou explicações do jogador. Enquanto isso, o pai de Özil rebateu as críticas e disse que se fosse o filho, se aposentaria da seleção.

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As críticas de Bierhoff e a retratação

“Nunca forçamos os jogadores da seleção a fazerem nada, sempre tentamos os convencer por uma causa”, disse Bierhoff. “Não tivemos sucesso com Mesut. A respeito disso, nós devíamos ter pensado se devíamos o ter levado para a Copa”, disse o diretor sobre o caso Erdogan. Diante da enorme repercussão que causou o ex-jogador, na posição de diretor, dizendo que talvez a Alemanha tivesse que nem ter levado Özil, ele voltou a público para se retratar, dizendo que se expressou mal.

“Infelizmente, esta discussão ainda está muito emocional depois de semanas”, afirmou Bierhoff. “Eu peço desculpas que eu obviamente me expressei mal e essas frases foram mal interpretadas. Em nenhum aspecto elas significam que foi um erro convocar e levar Özil para o Mundial”, continuou o diretor.

“O que eu estava dizendo é que na preparação para a Copa do Mundo nós enfrentamos a questão se ele estava fazendo isso por razões esportivas. Nós deliberadamente o convocamos. E é isso que nós defendemos. É claro que nós iremos falar com Mesut sobre esse assunto na nossa análise”, declarou.

Perguntado se a carreira de Özil na seleção estava terminada, o diretor tentou não entrar em nenhuma polêmica. “Eu apenas posso repetir, eu me expressei mal e foi mal interpretado. Mas está claro que Mesut será julgado atleticamente como qualquer outro jogador”, afirmou Bierhoff.

O ex-atacante ainda falou sobre uma questão que inclui Özil: os muitos jogadores alemães de origem de imigrantes. “Cerca de 30% dos jogadores das seleções de base têm origem imigrantes”, afirmou o diretor. “Não é fácil para eles comentar sobre certas coisas. Eu notei isso com os turcos. Não importa o que eles digam aqui, eles precisam lembrar que isso importa. Que é completamente diferente”, continuou. Isso também deveria ser considerado em relação ao comportamento de Özil depois do encontro com Erdogan.

O pai de Özil

Um dos que não aceitou bem a crítica de Bierhoff foi o pai do jogador, Mustapha Özil, de 50 anos. Em entrevista à revista Kicker, ele criticou a postura do filho ser usado como um bode expiatório da derrota da Alemanha. “O time inteiro fracassou, não apenas um jogador. Querer culpar apenas Mesut ou Ilkay Gündogan é estúpido, é muito baixo”, declarou o pai de Özil, Mustapha.

“Essa declaração [de Bierhoff] é uma piada e, na minha opinião, serve para salvar a própria pele dele”, afirmou o pai de Özil ao Bild. “Ele fracassou em fazer uma boa gestão na DFB. Agora, dizer que que considerou não convocar Mesut, renunciar dele por essa questão, é uma piada de mau gosto”, criticou ainda Mustapha.

Para o pai de Mesut Özil, o episódio da visita a Erdogan foi mal conduzido. As fotos com o presidente turco geraram vaias a Özil e Gündogan nos últimos amistosos da Alemanha em casa, antes de ir para a Copa. Mustapha queria que a DFB e os dois jogadores tivessem dado uma entrevista coletiva sobre o assunto. Gündogan divulgou um comunicado em seguida à polêmica, se defendendo. “Isso faz você pensar que você não sabia o que o outro estava fazendo, não foi profissional, estou decepcionado por isso”, disse. Mas ele acha que o filho também não foi bem nesse sentido. “Ilkay fez um rápido comunicado para salvar sua pele, Mesut ficou em silêncio. Isso não foi uma boa gestão de crise”.

Apesar disso, Mustapha Özil fala sobre a boa relação de Özil com a seleção. Mais do que isso, considera que foi um grande exemplo de integração de um jogador alemão de origem turca. “Ele está na seleção alemã há nove anos. Eu costumo dizer que se nós vencemos, vencemos juntos, mas se perdemos, perdemos por causa de Özil? Na verdade, ele é um grande exemplo de integração”, disse ainda o pai. “Se eu estivesse na posição dele, eu iria dizer: ‘Muito obrigado, mas acabou. O insulto foi muito grande, o que será no próximo jogo?”, continuou.

Presidente da DFB pede esclarecimentos a Özil

Como se já não houvesse problemas o suficiente, o presidente da DFB, Reinhard Grindel, falou neste domingo sobre a situação de Özil e colocou ainda mais pressão no meia. “É verdade que Mesut ainda não comentou, o que decepcionou muitos torcedores porque eles têm questionamentos e esperam respostas, então é muito claro para mim que Mesut, assim que voltar de férias, deve falar publicamente em seu próprio interesse”, disse Grindel. “Além disso, nós temos que esperar pela análise atlética e ver se Joachim Löw continua os planos de tê-lo no time”.

“Nós também queremos que esperar para ver como Mesut se envolve. É um jogador de seleção, merecidamente, e é justo que nós demos a ele uma chance”, afirmou ainda o dirigente. As palavras podem ser bem escolhidas, mas a pressão sobre o atual camisa 10 da Alemanha aumenta muito.

A postura do presidente também gerou crítica. “Isso não foi nada além de um ultimato. Porque Grindel perderia qualquer credibilidade se ele tolerasse o silêncio de Özil por ainda mais tempo”, escreve Matthias Brügelmann no jornal Bild. “Mas Özil não falou por 55 dias. Por que ele faria isso agora? Ele poderia facilmente ter esclarecido a questão, mas deliberadamente evitou isso. Seja por desafiar, seja por culpa, o que só pode ser especulado, isso não muda a mensagem ruim da foto com Erdogan”, continua o colunista.

“Grindel deveria ser consistente e tornar a aposentadoria de Özil da seleção uma questão presidencial se o jogador permanecer calado. Porque isso claramente cai na área político-esportiva de responsabilidade, como ele deixou claro com esse ultimato”, afirma ainda Brügelmann. “Seria covarde usar Löw e a análise do fracasso na Copa do Mundo para tratar disso”.

Em uma seleção em crise como a da Alemanha, esse será um grande problema a ser resolvido nos próximos meses, quando Joachim Löw precisará começar a redesenhar o time pensando nos próximos desafios, como a Liga das Nações e a Eurocopa de 2020.