São 272 jogos no comando da equipe. Não o suficiente para ser o treinador com mais jogos à frente do Corinthians. Mas sim para ser o mais vencedor. Tite encerrou seu segundo ciclo com os alvinegros neste sábado, de maneira melancólica. A derrota para o Náutico serviu de resumo para o fraco desempenho da equipe no Brasileirão. Ainda assim, não consegue manchar a trajetória de um dos maiores técnicos da história do clube.

O simbolismo de Tite talvez não seja maior do que o de Oswaldo Brandão. Afinal, além de ser o recordista em partidas (439) e em passagens pela equipe (cinco, entre 1954 e 1981), o gaúcho foi responsável por dois dos títulos mais emblemáticos dos corintianos. O Paulista de 1954, no quarto centenário da capital, com um dos maiores esquadrões já formados no Parque São Jorge. Já em 1977, liderou a quebra do jejum de 23 anos com o Paulista de 1977.

Nas décadas seguintes, Mário Travaglini, Nelsinho Baptista, Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira e Márcio Bittencourt tiveram seus momentos de glória com o Corinthians. Mas ainda longe de alcançarem Brandão. Até Tite transformar a história dos alvinegros. Depois do vexame contra o Tolima, o técnico deu a volta por cima quebrando barreiras. Faturou o Brasileirão de 2011, antes de expurgar a maior das piadas contra os corintianos, levantando a Libertadores e o Mundial de Clubes. Se a taça de 1977 serviu para acabar com os fantasmas, os de 2012 expandiram as fronteiras do clube em definitivo.

Do ponto de vista esportivo, a saída de Tite é compreensível. Por todas as expectativas criadas, o Corinthians ficou muito aquém de seu potencial no Brasileirão. Foram apenas 11 vitórias em 38 rodadas, o mesmo tanto que Internacional, Coritiba, Vasco e Fluminense, ainda brigando contra o rebaixamento. Pior, os alvinegros chegaram a marca vergonhosa de 19 jogos sem marcar gols, um turno inteiro passando em branco. Resultados ruins, que têm muito a ver com a baixa de diversos nomes no elenco, mas também ao sistema de meritocracia de Tite que travou as mudanças no time e à dificuldade em redesenhar o sistema de jogo.

É difícil imaginar que Tite lideraria um processo profundo de renovação do elenco para o próximo ano, considerando sua cumplicidade com o elenco. Além disso, o suposto desgaste com a diretoria era outro obstáculo. Porém, não havia técnico no mercado mais competente do que ele. Mano Menezes foi importante na reconstrução corintiana a partir de 2008, mas seu currículo é inferior ao de Tite em relação a resultados. E, depois da passagem pelo Flamengo, o ex-técnico da seleção brasileira também deixa dúvidas sobre o quanto de pressão suportará – outra das virtudes de seu antecessor.

De qualquer forma, a despedida de Tite, diante das emoções expostas pelo treinador e pela própria torcida, deixam claro uma coisa: a despedida deste sábado não é para sempre. A relação de amor ainda existe e, superadas as feridas deste 2013 tortuoso, Tite talvez volte na primeira crise vivida pelos alvinegros. Se Tite já é o maior de todos entre os treinadores corintianos, talvez tenha a chance de se eternizar ainda mais. Sua história em preto e branco é interrompida com uma aura de que poderá ser retomada no futuro.