Enquanto os jogadores brasileiros tentam implantar um pouco de bom senso no futebol brasileiro, a Federação Turca protagoniza uma inacreditável falta dele ao chamar Didier Drogba e Emmanuel Eboué para se explicarem na Comissão Disciplinar por terem homenageado Nelson Mandela, um dia depois da morte do sul-africano. A dupla do Galatasaray pode ser multada por esse crime hediondo.

Mensagens políticas na camiseta são proibidas na Turquia, mas não precisamos nem aprofundar muito o assunto para percebermos que esse caso específico é um absurdo. Mandela não é presidente da África do Sul desde 1999 e, embora tenha continuado sendo uma forte influência política, o contexto é bem diferente de quando, por exemplo, Ruud Gullit quis dedicar sua Bola de Ouro ao líder da luta contra o apartheid.

A camisa de Drogba tinha a frase política e provocadora “Obrigado, Madiba”, enquanto Eboué decidiu ser muito mais ofensivo e desejou que Nelson Mandela descansasse em paz. Certamente duas frases que vão causar sérias ramificações aos governos da Turquia, da África do Sul, da Costa do Marfim e até dos Estados Federados da Micronésia, que não tem nada a ver com nada, mas parece que a lógica não se aplica nessa situação.

O rigor da Federação Turca com mensagens políticas é para coibir manifestações de apoio aos mortos da Irmandade Muçulmana no golpe de estado do Egito, há alguns meses, e aos protestos da praça Taksim, que começaram com um caráter ambiental e acabaram se transformando em insatisfação contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Não precisa ser muito inteligente, porém, para perceber que as camisas dos jogadores do Galatasaray não tem nada a ver com isso. Não há nada de errado ou de político em fazer uma homenagem a qualquer pessoa, ainda mais a uma figura tão importante e inspiradora quanto Mandela. A Turquia está precisando importar bom senso.