A Islândia atravessa uma era de ouro em seu futebol. O potencial dos nórdicos ficou evidente desde as Eliminatórias para a Copa de 2014, quando a equipe chegou à repescagem. A badalação atingiu um novo patamar quando os islandeses ajudaram a deixar a Holanda pelo caminho rumo à Euro 2016, além de protagonizarem uma campanha memorável na França, eliminando a Inglaterra. E agora os vikings têm chances enormes de conquistar a classificação inédita ao Mundial de 2018. Nesta sexta, a seleção islandesa construiu uma vitória do tamanho da vontade de seus jogadores. Diante da fanática multidão em Eskisehir, o time de Heimir Hallgrímsson destruiu a Turquia. Derrotou os anfitriões por 3 a 0, em placar incontestável diante do que aconteceu ao longo dos 90 minutos, e que deixa os visitantes em excelentes condições no “grupo da morte” das Eliminatórias Europeias. Na última rodada, só precisam vencer o lanterna Kosovo, em Reykjavík, para carimbar o passaporte.

A Turquia começou o jogo empurrada por sua torcida e tentando se impor no campo de ataque. Sua posse de bola, entretanto, era um bocado inútil. A Islândia fechava muito bem os arredores de sua área e mal dava brechas para os turcos finalizarem. E a postura dos islandeses quando roubavam a bola era fulminante: apostavam nas bolas longas, jogando com velocidade, e sem perder tempo na hora de finalizar, diante da bagunça na defesa dos anfitriões. Assim, começaram a exigir a boas defesas de Volkan Babacan.

A verticalidade da Islândia impressionava. Postura eficiente, que retrata a excelência do trabalho de Hallgrímsson, seguindo o que Lars Lagerbäck deixou como legado. Aos 32 minutos, os visitantes saíram em vantagem. Bola longa que veio do goleiro Hannes Halldórsson e, após um desvio no meio do caminho, Jon Bodvarsson passou para Johann Gudmundsson escorar às redes. Já aos 39, outro baque para a Turquia. Em nova bola esticada da defesa, Bodvarsson tocou para Birkir Bjarnason encher o pé, vencendo Babacan. Os islandeses terminaram o primeiro tempo com 12 finalizações em 87 passes certos, retratando a objetividade do time.

Apesar do placar amplo, a Islândia voltou para do intervalo decidida a confirmar a vitória. Pressionou bastante durante os primeiros minutos, até que o terceiro tento saísse logo aos cinco. Após cobrança de escanteio, Aron Gunnarsson ajeitou de cabeça para Kari Árnasson completar na pequena área. A Turquia não tinha rumos. Os anfitriões buscaram a honra partindo para cima, mas não tinham sucesso contra a sólida barreira formada pelos islandeses. E quando encontraram espaços para finalizar, pararam em defesaça de Halldórsson. Até mesmo a fanática torcida turca demonstrava apatia, diante do sonho que ruía. Levantaram a voz apenas para vaiar Arda Turan. Levado de volta à seleção por Mircea Lucescu, após meses afastado por agressão a um jornalista, o camisa 10 não apenas jogou displicentemente, como também mostrou o dedo às arquibancadas e saiu sorrindo após as vaias. Retrato do ambiente conturbado da seleção e também do fracasso em Eskisehir.

A ótima situação da Islândia, porém, também teve contribuição primordial da Finlândia. Os finlandeses, que haviam provocado uma das duas derrotas islandesas, desta vez roubaram pontos da Croácia na visita a Rijeka. Mario Mandzukic abriu o placar logo na volta do intervalo. No entanto, aos 45 do segundo tempo, em um de seus únicos dois chutes no jogo inteiro, a Finlândia decretou o empate por 1 a 1, em lançamento longo que sobrou para Pyry Soiri fuzilar dentro da área. Já no outro jogo da chave, a Ucrânia fez sua parte contra Kosovo, batendo os anfitriões por 2 a 0. Leart Paqarada abriu o placar aos 15 do segundo tempo, mandando contra as próprias redes, enquanto Andriy Yarmolenko fechou a conta aos 42. Recém-naturalizado, Marlos entrou em campo na volta do intervalo, fazendo sua estreia pela equipe nacional.

Com a vitória, a Islândia assume a liderança isolada do Grupo I, com 19 pontos. Uma vitória sobre Kosovo basta para a classificação à Copa. Já a briga pela repescagem pega fogo. Ucrânia e Croácia se enfrentam em Kiev, em duelo de vida ou morte. As duas seleções somam 17 pontos, mas com vantagem do empate aos croatas, que possuem maior saldo de gols. Para ser líder, a Croácia precisa vencer e a Islândia tropeçar, enquanto a Ucrânia será líder com uma vitória com mais de um gol marcado e um tropeço dos islandeses. Empate em Kiev garante os nórdicos até com derrota. Já a Turquia, eliminada com 14 pontos, apenas cumpre tabela visitando a Finlândia em Turku.

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