A poucos jogadores o status de “lenda” é tão condizente quanto a Arthur Friedenreich. Raríssimas são as imagens que mostram El Tigre em ação e, as existentes, mal elucidam sobre suas reais qualidades. Poucos também são aqueles que o viram jogar permanecem ainda vivos. E o saudosismo, misturado ao deslumbramento natural da oralidade, ajuda a criar um craque de literalmente sem precedentes. De fato, Fried foi um gigante. Mas nem tudo o que se fala sobre ele deve ser tomado ao pé da letra. Mesmo em livros de autores renomados, há informações pouco precisas sobre o grande jogador dos primórdios do futebol brasileiro. Um cracaço como ele não precisa disso.

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Friedenreich jogou por 26 anos. É considerado a grande figura do futebol brasileiro até o surgimento de Leônidas. Vestiu as camisas de grandes forças da época, sobretudo do Paulistano, multicampeão estadual durante os tempos de amadorismo. Pelos alvirrubros, conquistou seis títulos paulistas e sete artilharias na competição. E, inclusive, ajudou a elevar o nome do futebol brasileiro no exterior através do clube. Em 1925, o Paulistano se tornou o primeiro time brasileiro a excursionar pela Europa. A equipe venceu nove jogos e perdeu apenas um, recebendo o apelido de “Reis do Futebol” na França. Após o que os uruguaios tinham protagonizado nas Olimpíadas de 1924, El Tigre construiu sua reputação no Velho Continente.

Já na América do Sul, Friedenreich se colocou como o primeiro grande símbolo da seleção brasileira. Ele estava lá, no famoso jogo contra o Exeter City, que inaugurou a história oficial da equipe nacional. Mais importante ainda foi sua participação no Campeonato Sul-Americano de 1919, primeiro título do país, anotando o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, na mítica decisão que durou 150 minutos nas Laranjeiras. Saiu carregado nos braços do povo pelas ruas do Rio de Janeiro. Depois, integraria as seleções campeãs continentais em 1922 e 1925. Uma pena que a celeuma entre paulistas e cariocas não permitiu que o artilheiro estivesse presente na Copa do Mundo de 1930. Certamente agregaria mais à sua enorme trajetória.

A década de 1930, aliás, exerceu certa influência sobre a mitificação de Friedenreich. Primeiro, por participar da Revolução Constitucionalista de 1932. O veterano de 40 anos se alistou às forças paulistas e liderou um pelotão formado apenas por esportistas. Durante os conflitos, chegou a ser dado até mesmo como morto. Viveu, para ser promovido de sargento a tenente. El Tigre ainda seguiria sua carreira depois disso. Em 1934, completou seu “jubileu” como futebolista, 25 anos depois de dar os seus primeiros passos pelo Germânia. As homenagens geraram enorme comoção, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. A aposentadoria aconteceu no ano seguinte, aos 43 anos, pelo Flamengo. A partir de então, cabiam apenas os relatos de quem havia visto o goleador em ação.

Um bom caminho para dimensionar a grandeza de Friedenreich são as biografias sobre o craque. Há algumas boas no mercado, como as escritas por Luiz Carlos Duarte e por Alexandre da Costa. Existe uma autobiografia inédita, editada por Cesar Oliveira, que gerou grande interesse da mídia nos últimos anos, mas ainda não foi lançada. E, além dos livros, outra maneira para se aprofundar é fuçar os arquivos dos jornais antigos. Redescobrir Friedenreich com os olhos do passado, dentro de sua linguagem característica da época.

Assim, para relembrar Friedenreich na semana em que o nascimento de El Tigre completa 125 anos, resgatamos algumas páginas de jornais e revistas, presentes no site da Biblioteca Nacional. Priorizamos as grandes reportagens sobre ele, assim como alguns episódios em que ele fosse personagem principal. Para visualizar melhor as páginas, clique sobre elas com o botão direito do mouse e em ‘abrir imagem em nova guia’. Boa leitura:

O Globo Sportivo, 1939 – Homenagem quatro anos depois da aposentadoria

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O Malho, 1934 – Jubileu de Fried

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Jornal dos Sports, 1934 – Jubileu de Fried

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O Malho, 1925 – A excursão do Paulistano à Europa

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Revista Fon-Fon, 1925 – A viagem do Paulistano

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Revista Careta, 1919 – O primeiro título no Campeonato Sul-Americano

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