A Ponte Preta tenta fazer história na Copa Sul-Americana. Em um primeiro plano, a sua mesma, ao adicionar um título de peso àquela que é uma das trajetórias mais respeitadas entre os clubes brasileiros. Mas também à história das competições continentais na América do Sul. A Macaca heroica e marginal, rebaixada no Brasileiro e triunfante na América do Sul, tenta celebrar tanto a conquista improvável quanto a vaga na próxima Libertadores.

E, mesmo se não sair vitoriosa contra o Lanús, a Ponte nunca estará só. Os melhores da Sul-Americana de 2013 se eternizam nos livros como dois dos finalistas mais inesperados dos torneios da Conmebol. Equipes que podiam não ter camisas pesadas ou esquadrões, mas que – por boa fase, fator casa, tabela fácil ou muito suor – chegaram ao topo. Abaixo, listamos 10 surpresas, impulsionadas pela abertura da Libertadores a partir dos anos 2000, assim como pela criação da Copa Conmebol e da Copa Sul-Americana. Com chance de os pontepretanos, referendados por uma campanha feita na base da raça, se colocarem entre os maiores desses.

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Deportivo Cali, vice-campeão da Libertadores 1978

Dentre os países sul-americanos, a Colômbia talvez seja a que tenha realidade mais parecida com o Brasil, com um equilíbrio de forças grande. Neste bolo, o Deportivo Cali se insere entre os times mais tradicionais. O que não é suficiente para explicar sua ida à decisão da Libertadores em 1978. Os verdiblancos eram três vezes vice-campeões nacionais, mas em uma época que o futebol colombiano estava longe de sua melhor fase. Depois de eliminar Peñarol, Cerro Porteño e Alianza Lima, o Deportivo acabou goleado pelo Boca Juniors na final. O raio cairia de novo em Cali 21 anos depois, com o vice da Libertadores ante o Palmeiras.

Lanús, campeão da Copa Conmebol 1996 e vice em 1997

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Um clube de bairro. Assim era – e ainda é – taxado o Lanús quando conquistou seu primeiro título continental. Até chegar à final da Copa Conmebol em dois anos consecutivos, as grandes glórias do Granate eram as conquistas da segunda divisão. Em uma caminhada sem rivais de tanto nome, a equipe de Héctor Cúper bateu o Independiente Santa Fe na final. E quase repetiu a dobradinha no ano seguinte, quando também teve caminho fácil, mas não segurou o Atlético Mineiro na decisão. Dezesseis anos depois, o Lanús passou a impor um pouco mais de respeito no Campeonato Argentino. Nada que possa o referendar como um grande clube.

Talleres e CSA, campeão e vice da Copa Conmebol 1999

A final continental mais emblemática, também símbolo da falência da Copa Conmebol. Em um ano no qual a recusa à competição foi massiva, o Brasil foi representado por CSA, Paraná, São Raimundo e Vila Nova. Semifinalistas da Copa do Nordeste, os alagoanos eliminaram os paranaenses e os amazonenses nas fases anteriores, além do Estudiantes, da Venezuela. Liderado pelo artilheiro Missinho, o 23º colocado da Série C de 1999 só cairia na final, contra o Talleres, então campeão argentino na segunda divisão. Depois de perder por 4 a 2 em Maceió, o time treinado por Ricardo Gareca deu o troco e ficou com a taça com o triunfo por 3 a 0 em Córdoba. Para saber mais, vale conferir esse post dos amigos do Impedimento.

São Caetano, vice-campeão da Libertadores 2002

Ailton of Sao Caetano from Brazil celebrates his goal against Olimpia from Paraguay during the first final game of the Libertadores Cup at Defensores del Chaco Stadium in Asuncion, Paraguay on Wednesday, July 24, 2002.(AP Photo/Walter Astrada)

O São Caetano tinha uma forte equipe para os padrões brasileiros no início dos anos 2000. Especialmente em uma época de baixa, em que quaisquer milhões de euros eram suficientes para levar os destaques dos clubes daqui à Europa. Com forte apoio da prefeitura, o Azulão foi duas vezes vice-campeão nacional. Mas seu título na Libertadores seria um erro histórico. Um clube que sequer tem torcida na própria cidade, campeão continental antes de Corinthians, Atlético Mineiro, Inter… O Olimpia fez o que América, Peñarol, Universidad Católica, Cerro Porteño e Alianza Lima não conseguiram nas fases anteriores: a camisa pesar. A virada heroica no Pacaembu e o triunfo nos pênaltis tornaram os paraguaios tricampeões.

Cienciano, campeão da Sul-Americana 2003

A segunda edição da Copa Sul-Americana serviu para fazer o primeiro clube andino campeão continental. O Cienciano se aproveitou bastante da altitude de Cuzco, onde venceu todos os seus jogos. Mas ninguém pode questionar o peso da façanha dos peruanos, que eliminaram Alianza Lima, Universidad Católica, Santos, Atlético Nacional e, por último, River Plate. Os Imperiales arrancaram um inesperado empate por 3 a 3 contra o time de Manuel Pellegrini, dentro do Monumental de Núñez. E, mesmo tendo que mandar a final em Arequipa, com altitude bem inferior à de Cuzco, o Cienciano sagrou-se campeão com a vitória por 1 a 0.

Once Caldas, campeão da Libertadores 2004

Players of Colombia's Once Caldas, celeberate with the trophy after defeating Argentina's Boca Juniors, during the  Copa Libertadores final in Manizales, Colombia, Thursday, July 1, 2004. Caldas won. (AP Photo/Fernando Vergara)

Até 2004, as duas grandes glórias do Once Caldas eram duas taças do Campeonato Colombiano. Um franco-atirador na Libertadores, que foi certeiro até chegar à taça. A equipe montada pelos blancos tinha seus valores, com Juan Carlos Henao, Elkin Soto e Arnulfo Valentierra em grande fase. O principal trunfo dos colombianos, contudo, era o caldeirão em Manizales. Lá, Santos e São Paulo foram vítimas, assim como o vice-campeão Boca Juniors, derrotado por conta de uma noite desastrosa de seus cobradores na disputa por pênaltis, com Carlos Tevez em campo e tudo.

Bolívar, vice-campeão da Sul-Americana 2004

O ano era mesmo o da zebra. Afinal, além do campeão mais surpreendente da história da Libertadores, a América do Sul viu seu primeiro clube boliviano finalista – e, ainda hoje, único. É verdade que o caminho do Bolívar até a final não foi tão difícil, batendo Aurora, Universidad de Concepción, Arsenal e LDU Quito. Já na decisão, os andinos tentaram colocar o Boca Juniors contra a parede e venceram em La Paz, mas não sustentaram o resultado na Bombonera, com os xeneizes evitando o ano mais vexatório de sua história. A estrela da equipe era o veterano Marco Sandy, zagueiro rodado da seleção boliviana.

Arsenal, campeão da Sul-Americana 2007

O Arsenal se acostumou a disputar títulos nos últimos tempos. De 2012 para cá, o clube de Sarandí conquistou as três principais honrarias na Argentina: o Campeonato, a Copa e a Supercopa. Até 2007, todavia, o Arse não era nada além da equipe de Julio Grondona, todo poderoso da AFA e da Fifa. E o feito na Sul-Americana ajudou a justificar o poder do cartola sobre ‘los del viaducto’. Classificado como quinto colocado do Argentino, o Arsenal passou por San Lorenzo, Goiás, Chivas, River Plate e América, o adversário na finalíssima. Melhor para a equipe de Gustavo Alfaro, que ganhou fora e perdeu em casa, mas ficou com a taça pelos gols fora.

Goiás, vice-campeão da Sul-Americana 2010

Argentina Brazil Copa Sudamericana Soccer

Embora tenha suas boas participações no Brasileirão e já tenha se classificado à Libertadores, o Goiás é mero desconhecido no restante da América do Sul. Entretanto, os esmeraldinos trataram de fazer seu nome na Copa Sul-Americana, em uma trajetória que deixou para trás Grêmio, Peñarol e Palmeiras. Na decisão, porém, os alviverdes não resistiram ao Independiente, que jogou mais com a camisa do que com o time, limitadíssimo. Se bem que, olhando para o elenco à disposição de Arthur Neto, um time campeão continental com Rafael Moura, Marcão, Wellington Saci e Carlos Alberto causaria ainda mais espanto.

Tigre, vice-campeão da Copa Sul-Americana 2012

Assim como a Ponte Preta em 2013, o Tigre buscava o primeiro título de elite na última Copa Sul-Americana. E a maneira encontrada pelos portenhos para se agarrar à chance foi montar uma equipe de futebol feio, mas ferrenha na defesa. O Matador derrubou Argentinos Juniors, Deportivo Quito, Cerro Porteño e Millonarios. Na final contra o São Paulo, abusou da violência para segurar o 0 a 0 em casa. Já fora, quando o troféu ia pelo ralo, criaram aquela confusão enorme no Morumbi para tentar prorrogar a decisão ao tapetão. Não deu.