O futebol europeu nunca esteve tão em alta no Brasil, com jogos e mais jogos na TV e Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique e agora o Paris Saint-Germain mais presentes na programação das emissoras de TV por assinatura que qualquer clube brasileiro. Em meio a essa onda de glamour e muitos milhões despejados em contratações, há também o outro lado. Aquele de torcedores de clubes que vivem na mesma cidade dos badalados clubes que atualmente pertencem à elite europeia, mas que vivem à sua sombra, muitas vezes como um movimento de resistência. É a ideia do livro “À Sombra de Gigantes”, do jornalista Leandro Vignoli, que é o autor do Corneta Europa (@cornetaeuropa) que está aberto para financiamento coletivo para se tornar realidade. Precisa da sua contribuição para que se torne uma realidade.

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O jornalista viajou para 10 cidades diferentes durante 50 dias, foi a 15 jogos e escreveu sobre 13 clubes pequenos que vivem na mesma cidade que outro gigante. Madri, Munique, Berlim, Hamburgo, Londres, Glasgow, Lisboa, Paris, Roterdã e Torino estiveram no roteiro de Vignoli, com várias histórias sendo contadas.

O livro trata de futebol, mas vai além. Conta as histórias da ida aos estádios com as facilidades e o problemas, que se torna uma espécie de guia de viagem para quem quer visitar esses clubes. O livro também traz pitadas de história com o que cada clube representa, desde o nacionalismo catalão ao passado comunista da Alemanha Oriental, além de visita os ativistas do St. Pauli, a classe operária do Rayo Vallecano, brigões do Milwall e a elite do Sparta em Roterdã. Todas as histórias envolvidas na paixão dos torcedores pelos seus clubes, que não depende – e nem poderia – de títulos, conquistas ou mesmo vitórias.

Alguns trechos do livro para sentir um gostinho:

Sobre o Millwall, em Londres:

“A fama da torcida do Millwall não morreu fácil e no jogo que assisti o entorno do estádio tinha polícia em quantidade para uma guerra – os “Old Bill”, como a torcida chama, de forma difamatória – se considerarmos a total nulidade do jogo. O acesso dos visitantes ao estádio é uma estrada conectada diretamente com a estação de trem mais próxima, o que alguns torcedores do Millwall chamam de o “corredor dos covardes”. O trajeto ao The Den é um anti-clímax de qualquer coisa relacionada ao hooliganismo. Em frente ao estádio são doze oficinas mecânicas (sim, eu contei) e não existem bares ao redor. A única opção para o “aquece” é um restaurante de aspecto caseiro chamado Millwall Cafe, decorado com os poucos triunfos do clube, e onde a rigor só tinham famílias comendo fish & chips.”

“A Londres pós-globalização é uma tecla constante na ira dos torcedores do Millwall contra o futebol moderno. A fama de brigões não contribui para a causa, e “os bons velhos tempos” ainda estão vinculados à violência, mas a torcida tem preocupações justas. Por exemplo, uma partida da terceira divisão custar 28 libras (cerca de R$ 115,00) é algo sem muita explicação. “É surreal para dizer o mínimo”, diz Alex Melnikov. “Como eles pensam que um trabalhador tem como pagar por isso? Ou um estudante como eu? Isso não é a Premier League e a nossa torcida é pequena. Os resultados importam por aqui, e as pessoas acabam não vindo ao jogo se tiverem de pagar caro. Nosso time é ruim e os horários nem sempre os melhores”. Em uma terça-feira à noite de muito frio, o estádio para 20 mil pessoas não estava ocupado nem pela metade, e olha que o Millwall não perdia uma partida há três meses.”

Sobre o Red Star, em Paris:
“No lado de fora, a abandonada bilheteria do Stade Bauer parecia o cenário de um filme zumbi. Na recepção, completamente vazia, todo o aspecto de secretaria de esportes de uma cidade do interior do Brasil. Na parede, um mural de cortiça com informações das equipes infantis. Em uma pequena vitrine de vidro, os (poucos) troféus do time principal e um surrado cachecol do jogo contra o Saint-Etienne de alguns anos atrás pela Copa da França. Fui entrando sem ninguém aparecer até chegar aos vestiários, que tinha aquele aspecto clássico de ginásio poliesportivo que a gente bate uma bolinha toda semana. Continuei. Ninguém apareceu.”
“Para a temporada 2016/17 o clube jogou no Stade Jean-Bouin, do Stade Français, o time rúgbi mais popular de Paris. É literalmente do outro lado da rua do Parc des Princes, em uma das áreas mais nobres da cidade, distante não mais do que 15 minutos a pé das quadras de Roland Garros. É um estádio moderno, de design estiloso e assimétrico em forma de curvas, e que foi remodelado para Paris sediar as Olimpíadas de 2024. O aluguel anual custou 1,3 milhão de euros ao clube, o que ao cruzar a rua não pagaria nem uma semana de salário de Neymar no Paris Saint-Germain. Todavia, uma grana surreal para um clube do porte do Red Star, que sem essa parte do orçamento, voltou à terceirona no final do campeonato”.

Você pode conhecer mais do projeto na página do Catarse. Você pode contribuir com valores a partir de R$ 10 e, quanto maior a contribuição, maior a recompensa. E olha que tem umas bem bacanas que podem ser o próprio livro, cachecóis, camisas e pins. A campanha vai até o dia 15 de setembro. Então, não perca tempo pra saber mais e fazer parte.

O quê: Crowdfunding do livro “À Sombra de Gigantes”, de Leandro Vignoli
Quando: até o dia 15/09 (sexta-feira)
Como colaborar: https://www.catarse.me/asombradegigantes
Abaixo, o vídeo de divulgação do livro: