Futebol masculino e Jogos Olímpicos parecem não ser muito compatíveis. Mesmo quando as chances de medalha de ouro são vivas para o Brasil, sempre há um ar de desconfiança diante daquele esporte. Como se, nas Olimpíadas, o esporte mais praticado do mundo fosse um intruso e devesse dar uma oportunidade para as outras modalidades aparecerem. O que fica claro quando se vê a história do futebol masculino olímpico.

Aliás, o esporte teve vida tão conturbada nos Jogos que o fato de potências históricas indiscutíveis como Brasil e Alemanha nunca terem conquistado uma medalha de ouro não é um absurdo (se você é daqueles detalhistas, talvez se lembre que a Alemanha Oriental foi campeã olímpica em 1976, mas deu para entender, né?). Afinal, desde a década de 1930 que as principais forças da modalidade não podem levar suas seleções principais.

Tudo por causa do amadorismo. Pierre de Fredy, o Barão de Coubertin, re-criador das Olimpíadas, era defensor ardoroso do amadorismo. Para ele, o esporte seria mais nobre se praticado por prazer, não por dinheiro. Assim, qualquer atleta que recebesse algum dinheiro ou prêmio em espécie poderia ser afastado das disputas olímpicas sob acusação de profissionalismo.

Claro que é algo hipócrita, mas isso fez com que os jogadores da NBA ficassem de fora dos Jogos até 1992, o tênis só fosse incorporado definitivamente no programa olímpico em 1988 e o futebol fosse um torneio “torto”. Isso porque países sem tradição como Irã e Japão podiam mandar suas seleções principais, claramente amadoras, e, eventualmente, vencer as equipes juniores das nações mais tradicionais. Sem contar com os países comunistas onde não existia profissionalismo e quase todos os atletas eram, oficialmente, militares (e, portanto, a prática do esporte era supostamente uma atividade paralela).

É possível dividir a história da modalidade nos jogos em três fases. Na primeira, que vai do início dos Jogos até o fim da Segunda Guerra Mundial, há muita desorganização, mas o torneio refletia um pouco a relação de forças do futebol internacional. Na segunda, entre as décadas de 1950 e 1970, no auge do “amadorismo”, há um enorme domínio do Leste Europeu, que enviava suas competitivas seleções principais para enfrentar times realmente amadores, compostos por juniores. Por fim, a fase “moderna”, em que a Fifa tentou igualar as condições e impôs limitações uniformes para todos os países.

Confira a história dos torneios em cada uma das edições das Olimpíadas:

PERÍODO ANTIGO

Atenas 1896, Paris 1900, Saint Louis 1904, Atenas 1906, Londres 1908, Estocolmo 1912, Antuérpia 1920, Paris 1924, Amsterdã 1928, Berlim 1936Londres 1948

PERÍODO COMUNISTA

Helsinque 1952, Melbourne 1956, Roma 1960, Tóquio 1964, Cidade do México 1968, Munique 1972, Montréal 1976, Moscou 1980

PERÍODO MODERNO

Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992, Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008

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