Antonio Adán costuma não trazer grandes lembranças ao Real Madrid. Nada contra o goleiro formado nas categorias de base, que até possui seus predicados. O problema é que o madrileno rememora períodos conturbados nos corredores do Santiago Bernabéu, em meio à queda de braço entre José Mourinho e Iker Casillas. No fim das contas, depois de algumas poucas partidas como titular, o camisa 1 arrumou suas malas para o Cagliari. E, de volta à Espanha desde a temporada passada, na meta do Betis, o ex-merengue deixou outra lembrança ruim aos madridistas. O camisa 13 fechou o gol e foi determinante na derrota do time de Zinedine Zidane em Madri, com Antonio Sanabria definindo o placar em 1 a 0 para os verdiblancos já nos acréscimos do segundo tempo. O início claudicante dos atuais campeões em La Liga ganha novo capítulo.

Não quer dizer que o Real Madrid fez uma partida totalmente ruim. Os blancos dominaram as ações no Bernabéu e bombardearam a meta betica. Futebol, no entretanto, é bola na casinha. E os merengues toparam com uma atuação gigante de Adán, que ainda contou com a colaboração da trave, assim como em seu próprio caos. O Betis lutou muito para segurar o empate durante os 90 minutos e, também ameaçando Keylor Navas em certos momentos, arrancou uma comemorada vitória.

Logo no primeiro lance de ataque, o Betis mostrou a que veio. Dani Carvajal salvou a tentativa de Antonio Sanabria em cima da linha, enquanto Keylor Navas faria boa defesa na sobra, após Víctor Camarasa arrematar. Os beticos pressionavam bastante os meio-campistas madridistas na saída de bola, algo fundamental para o seu jogo. No entanto, quem mandava na noite era o Real Madrid. Logo os merengues começaram a martelar os verdiblancos no ataque, com os jogadores chegando de trás para apoiar o ataque. De volta ao Espanhol, Cristiano Ronaldo estava com fome e arriscava bastante, mas pecando pela imprecisão. A ansiedade era sua inimiga. Faltava aos anfitriões acertarem a pontaria. No melhor lance, Adán se agigantou para desviar o chute de Isco. Do outro lado, Navas também trabalhou, parando Fabián Ruiz.

O placar zerado aumentava a pressa do Real Madrid para o segundo tempo. O time fez uma verdadeira blitz nos primeiros minutos e chegou a acertar a trave, com Carvajal. O Betis tentava responder, escapando em velocidade. E quem mantinha a igualdade era Adán, com mais uma defesaça para barrar Toni Kroos. Zidane até demorou para fazer as primeiras modificações e, depois de muitos pedidos, colocou Marco Asensio na vaga de Isco aos 22. Desta vez, nem o garoto iluminado ajudaria o Real. Logo na sequência, Zizou ainda botou Borja Mayoral e Lucas Vázquez nas vagas de Marcelo (este, machucado) e Luka Modric, escancarando o ímpeto ofensivo.

Pouco adiantou. O Betis parecia com o corpo fechado, graças a Adán. O goleiro faria outra defesa milagrosa aos 30, para evitar um golaço de letra de Gareth Bale, em bola que ainda resvalou na trave. Apesar da pressão, o Real Madrid não encontrava muitos espaços para finalizar, sem qualidade na criação. Os verdiblancos deram seu aviso aos 44, em gol anulado por impedimento. Mayoral poderia ter saído como herói nos acréscimos, mas Adán novamente salvou. E quando tudo parecia pronto para o empate, os beticos saíram com os três pontos sorrateiramente, aos 49. Cruzamento perfeito de Antonio Barragán, botando a bola na cabeça de Sanabria. Com a zaga merengue paralisada, o camisa 9 só precisou tirar do alcance de Navas. Foi a primeira vitória dos andaluzes no Bernabéu desde 1998.

O Betis não frustrou apenas a noite do Real Madrid ou a volta improdutiva de Cristiano Ronaldo. Os merengues vinham de 73 partidas consecutivas balançando as redes, igualados à marca histórica do Santos de Pelé. Não conseguiram superar os brasileiros e buscar o River Plate dos anos 1930. E o pior é a própria situação do time de Zinedine Zidane na tabela do Espanhol. Com dois empates e uma derrota em cinco rodadas, a equipe aparece apenas na sétima colocação, atrás dos próprios verdiblancos e já a sete pontos de distância do líder Barcelona. Antes fosse só um pesadelo protagonizado apenas pelo antigo goleiro reserva.