Emmanuel Adebayor viveu dias de cão em White Hart Lane nos últimos tempos. O Tottenham preteria o togolês de diferentes maneiras. Tentou negociá-lo insistentemente durante a janela de transferências, não o deixava nem ficar no banco de reservas. Quando André Vilas-Boas resolveu aproveitá-lo, ele sofreu duas lesões seguidas. O ostracismo parecia ser inevitável. Mas, do nada, o centroavante ressurgiu. Em um momento importante, para recuperar um pouco do moral perdido pelos Spurs nas últimas semanas.

Depois de já ter balançado as redes contra o West Ham no meio da semana, na derrota que custou a eliminação na Copa da Liga, Adebayor voltou a brilhar. O atacante marcou dois gols na suada vitória sobre o Southampton por 3 a 2, ajudando a botar ordem na casa depois de uma semana tão turbulenta. Para se ter noção do feito, foi o primeiro triunfo dos londrinos contra um adversário que aparece na metade superior da tabela da Premier League. Também a primeira vez que o time marcou mais de dois gols em um jogo da liga em 2013/14.

Adebayor está longe de ser um craque. Pelo contrário. Não é incomum ver o togolês dando caneladas, embora seu oportunismo sempre o ajude a marcar gols. A vontade de responder às ‘pessoas ruins’ no Tottenham, porém, parece prevalecer. Tanto é que o atacante tratou de bater no peito para comemorar seu primeiro gol, como quem quisesse restabelecer o orgulho perdido em algum lugar do passado.

Com a saída de Vilas-Boas, o dogma do 4-2-3-1 deixou de habitar White Hart Lane. E isso beneficia Adebayor. O interino Tim Sherwood apelou ao bom e velho 4-4-2, fazendo o camisa 10 se entender com Roberto Soldado – que, buscando mais o jogo, deu o passe para o primeiro tento. Talvez seja a chave também para o espanhol deslanchar, já que a maior parte das críticas por suas atuações ruins era quanto ao seu isolamento.

Após a partida, Adebayor agradeceu a Sherwood pela confiança. Era o que precisava, já que a motivação diante de tanto tempo deixado de lado era natural. O centroavante teve a precisão e deu a presença de área que faltaram ao ataque do Tottenham durante a maioria dos jogos na Premier League. Difícil saber se foi só um lampejo ou é o início de uma boa fase de um jogador tão irregular. De qualquer forma, é uma boa resposta pessoal a Vilas-Boas e aos € 122 milhões gastos em reforços para esta temporada.