A inércia da CBF está irritando os membros do Bom Senso FC, que começaram a falar em tornar os válidos protestos durante as partidas do Campeonato Brasileiro em ações um pouco mais radicais, para tentar pressionar o presidente José Maria Marin a aceitar as reivindicações do grupo que tenta melhorar o futebol brasileiro. No entanto, ciente de todos os problemas que isso causaria na última rodada, decidiram adiar a greve para o início da próxima temporada.

O Bom Senso FC acerta quando toma essa atitude. Não há a necessidade de atrair antipatia para o movimento. Os aplausos aos primeiros protestos seriam rapidamente transformados em vaias, caso o torcedor concluísse que a greve atrapalhou o seu time de alguma forma. A torcida do Grêmio, por exemplo, reprovou as manifestações na partida contra o Goiás.

Mesmo que a rodada fosse adiada – o que é mais provável -, e não cancelada, mexeria com a preparação das equipes. Mudaria os momentos dos times, jogadores lesionados poderiam ter tempo de voltar e as curtas férias, uma das reclamações do Bom Senso, seriam ainda menores. Interromperia o curso natural do torneio.

Paradoxalmente, paralisar o Campeonato Brasileiro com posições importantes ainda a serem definidas, como dois rebaixados, abriria espaço para o retorno da virada de mesa, prática amadora, comum há uma década, e que representa o oposto das aspirações do grupo.

Segundo a nota do Bom Senso FC, a greve é “iminente” porque a CBF ainda não sinaliza a intenção de implantar duas medidas que o movimento exige: alterar o calendário de 2015, com mais partidas para os pequenos, e menos para os grandes, e o Fair Play Fiscal e Trabalhista, que obriga os dirigentes a fecharem as contas para os salários serem pagos em dia.

Os protestos precisam se intensificar e causar problemas de verdade para quem tem poder de decisão, mas essa hora ainda não chegou. Adiar a greve para o ano que vem não é um sinal de fraqueza. Paralisar os campeonatos estaduais é muito mais inteligente e simbólico do que abrir um vácuo para o retrocesso e a insatisfação dos torcedores.