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Agora sim, o Cruzeiro campeão brasileiro estreou na Libertadores

A torcida do Cruzeiro já pode dizer que o campeão brasileiro estreou, de fato, na Libertadores. Não que a primeira partida contra o Real Garcilaso tenha sido esquecida, por mais que o triste caso de racismo contra Tinga pudesse ser apagado da memória. Mas foi somente nesta quarta-feira que a equipe celeste apresentou o futebol que a fez sobrar no Brasileirão de 2013. Uma atuação contundente da Raposa para vencer a Universidad de Chile por 5 a 1 e, agora sim, mostrar por que os mineiros são cotados entre os favoritos ao título sul-americano.

As arquibancadas estiveram longe da lotação máxima, é verdade – foram 30 mil espectadores, público atrapalhado pelo ingrato horário das 17h30 solicitado por ‘questões televisivas’ e também pela greve dos motoristas de ônibus em Belo Horizonte. Ainda assim, o Mineirão continuou sendo um diferencial para empurrar o Cruzeiro na partida. Mais do que para vencer, a Raposa estava ali para golear. Algo possibilitado pelo funcionamento perfeito do ataque celeste, que passou por cima da U de Chile sem a menor piedade.

O primeiro tempo já contou com um massacre cruzeirense. Os mineiros partiram para cima desde os primeiros minutos e iam acumulando chances desperdiçadas. Bastava acertar o pé. Algo que aconteceu a partir dos 34 minutos, com três gols em sequência. A velocidade do ataque cruzeirense encontrava brechas demais na Universidad de Chile, um time ofensivo em sua essência e longe de exibir a pressão sufocante dos tempos de Jorge Sampaoli. E a goleada começou a se tornar previsível quando Ricardo Goulart resolveu se apresentar para o jogo. Marcou dois gols e deu o passe para Dagoberto escorar de peito para as redes. Intervalo de jogo e o triunfo já estava nas mãos do Cruzeiro, 3 a 0.

Quem pensou que o Cruzeiro gastaria o tempo no segundo tempo, com o placar assegurado, se enganou. Os mineiros continuavam martelando no ataque, embora também desse espaço para as saídas rápidas dos chilenos. Gustavo Lorenzetti chegou a diminuir o placar. Mas a falta de coesão defensiva dos visitantes cavou a própria cova deles. Ricardo Goulart completou sua noite mágica com mais um gol, enquanto Willian saiu do banco para fechar a conta, concretizar a goleada.

O Cruzeiro fecha a segunda rodada do Grupo 5 da Libertadores na liderança graças ao saldo de gols, em uma chave na qual todos os times venceram. No entanto, com duas atuações totalmente opostas, das fraquezas contra o Garcilaso ao vigor ante La U. Para quem se acostumou a ver a Raposa jogar no ano passado, este segundo time parece o verdadeiro. Algo que só será comprovado se os cruzeirenses continuarem demonstrando a mesma vontade, controlando também esse ímpeto quando o momento pedir.

A Libertadores nem sempre é um torneio conquistado pelo melhor time, mas sempre acaba nas mãos daquele que tem a melhor sequência.  Algo que os mineiros precisam assimilar, para saber a hora em que também precisam concentrar seus esforços na defesa – e não ver falhas pontuais custarem pontos mais preciosos do que aqueles desperdiçados na verdadeira estreia.