Aos poucos, com passos de formiga, o São Paulo vai se reforçando para a próxima temporada. Depois de Álvaro Pereira, o clube conseguiu contratar o colombiano Dorlan Pabón, do Valencia, um dos melhores jogadores da Copa Libertadores de 2012 – vice artilheiro com sete gols, atrás apenas de Neymar e Matías Alustiza, do Deportivo Quito. O clube paulista não vai pagar nada, exceto os salários, pelo empréstimo de 18 meses.

Parece um bom negócio, mas não é. Até outro dia, Pabón estava aqui ao lado, no Atlético Nacional, e os clubes brasileiros não deram bola. O Parma pagou € 4 milhões por ele, cerca de R$ 13,3 milhões, um preço absolutamente acessível para quem vendeu Lucas para o Paris Saint-Germain por dez vezes esse valor seis meses depois. O São Paulo conseguiria competir com o Parma naquele momento? Talvez não, embora eu goste de acreditar que um jogador prefira o tricampeão mundial a um time que teve um bom momento nos anos 1990, mas não tem mais relevância internacional.

Com certa frequência, as jovens promessas passam debaixo do nosso nariz e não são notadas. Jackson Martínez jogou contra o São Paulo pelo Independiente de Medellín, na Copa Libertadores de 2009. Saiu para o Jaguares, do México, por € 2,8 milhões, e depois foi vendido para o Porto, por € 8,8 milhões. Hoje, vale € 30 milhões. Em 2008, o Cruzeiro teve a chance de contratar Falcao García, mas não levou o negócio adiante. Os Dragões, que fazem muito bem esse trabalho de captar talentos na América do Sul, lucraram quase € 42 milhões com ele. Pela proximidade e superioridade econômica, os clubes brasileiros deveriam ter uma rede de olheiros ao redor da América do Sul para conhecerem essas revelações antes mesmo de elas comerem a bola na tela da Rede Globo nas noites de quarta-feira.

Com o aumento de vagas para estrangeiros, de três para cinco, essa tendência mudou um pouco. Na última janela, o Vasco contratou o goleiro Martín Silva e o volante Eduardo Aranda, do Olímpia. O Flamengo trouxe Frickson Erazo, do Barcelona de Guayaquil. O Internacional comprou o meia Charles Aránguiz, da Universidad Católica, e o Atlético Paranaense reforçou-se com Lucas Olaza, do River Plate, do Uruguai. Esses são jogadores que geralmente seriam ignorados até que fossem para a Europa.

Não que seja fácil colocar olheiros em vários países – e um projeto perfeito também deveria incluir Ásia e África. Deve ser caro e seriam necessários muitos olheiros de boa qualidade, além de vontade e criatividade dos dirigentes, mas um Falcao García já compensaria todo o investimento. Enquanto isso não acontece, sugerimos nossa lista de 20 talentos sul-americanos, que inclusive contém três do Atlético Nacional. Talvez o próximo Pabón esteja nela.