Difícil encontrar dois países que vivem uma temporada europeia mais decepcionante que Holanda e Turquia. Outras ligas podem ter naufragado nas preliminares, mas não da mesma maneira que a Eredivisie e a Süper Lig. Não com clubes tão representativos e poderosos (para o nível em que estavam inseridos), cuja obrigação era avançar ao menos à fase de grupos da Liga Europa. Os fracassos haviam começado nas fases anteriores, quando o Galatasaray sucumbiu ao estreante Östersund e o PSV não aguentou o Osijek, com duas derrotas. Já nesta quinta-feira, a hecatombe se completou com Ajax e Fenerbahçe. Ambos foram eliminados na fase de playoffs e se dedicarão apenas aos torneios domésticos no restante da temporada.

O desastre do Ajax se dividiu em duas etapas. Primeiro veio o adeus na Liga dos Campeões, contra o Nice. A princípio, foi dado um desconto pelo nível dos adversários. Mas a compreensão fica mais difícil quando o raio cai duas vezes no mesmo lugar. O Rosenborg era um oponente pouco afável diante das possibilidades no sorteio e também vinha da Champions, após ser superado pelo Celtic. Mesmo assim, esperava-se muito mais dos Godenzonen. A derrota por 1 a 0 em Amsterdã acenava com o fracasso. E os noruegueses saíram em vantagem em Trondheim nesta quinta. No início do segundo tempo, com dois gols seguidos, o Ajax virou. A vaga ficou em suas mãos, graças aos gols fora. Só não deu para comemorar. Aos 35, Samuel Adegbenro empatou para o Rosenborg. E a vitória alvinegra por 3 a 2 foi decretada aos 44, também com o nigeriano. A vibração nas arquibancadas para comemorar a classificação foi espetacular.

O Ajax não se ausentava da fase de grupos das copas europeias desde 2007/08. Naquela ocasião, entretanto, apareceu nas etapas iniciais da antiga Copa da Uefa, eliminado pelo Dinamo Zagreb. Além disso, a última vez que os Godenzonen não figuraram em qualquer competição continental foi em 1990/91. Crise longínqua, que escancara bem as dificuldades enfrentadas atualmente na Amsterdam Arena. Depois do sucesso na temporada passada, os Ajacieden acordaram em apuros. Atravessaram uma pré-temporada conturbada após a fatalidade com Abdelhak Nouri, não conseguiram manter parte dos destaques do elenco e ainda perderam o técnico Peter Bosz por desavenças internas. Terão que se concentrar na Eredivisie para não agravar o cenário.

O Fenerbahçe, por sua vez, já tinha sofrido um bocado para superar o Sturm Graz na fase anterior da Liga Europa. O Vardar tinha dado seu aviso, ao eliminar o Malmö e dificultar ao Copenhague na Champions. E passaria por cima dos turcos em ambos os jogos. Primeiro, venceram por 2 a 0 em Skopje. Já nesta quinta, as esperanças de uma reação dos Canários em Istambul caíram por terra, apesar do gol de Roman Neustädter garantindo a vantagem inicial. Os macedônios viraram para 2 a 1 nos 25 minutos finais, com tentos de Jambul Jighauri e Nikola Gligorov. Pela primeira vez em sua história, a Macedônia contará com um representante na fase de grupos das copas europeias.

Boa parte dos novos contratados pelo Fenerbahçe estavam em campo. Carlos Kameni, Mauricio Isla, Mathieu Valbuena e Nabil Dirar foram titulares, enquanto Roberto Soldado entrou no segundo tempo. Dos principais nomes comprados pelos Canários, apenas Giuliano passou ileso do vexame. Além desses, Robin van Persie e Martin Skrtel também estavam em campo. Astros distantes de oferecer um bom futebol. As últimas três ausências dos turcos na fase de grupos das competições europeias haviam sido por punições extracampo. Um tropeço destas proporções tinha acontecido pela última vez em 2010/11, mas contra um rival tradicional como o PAOK. A falta de projeção do Vardar aumenta a pressão.

Em menor grau, ainda é possível falar sobre os deslizes de Escócia, Grécia, Bélgica e Dinamarca. Rangers e Aberdeen, principalmente, não honraram a bandeira escocesa na Liga Europa. O PAOK fez a maior feiura para os gregos, ao também sucumbir contra o Östersund, enquanto o Panathinaikos perdeu a vaga para o Athletic Bilbao. Gent e Club Brugge representaram as principais decepções dos belgas – os primeiros, ainda na fase anterior, contra o Altach, enquanto o Brugge não resistiu ao AEK Atenas. Já entre os dinamarqueses, Brondby e Midtjylland falharam ao longo das preliminares. De qualquer maneira, são países com menor poderio que Holanda e Turquia.

Holandeses e turcos seguem representadas nas fases de grupos das competições europeias, mas com menos peso. Besiktas e Feyenoord são os bastiões na Champions, enquanto as honras na Liga Europa ficam por conta de Istambul Basaksehir, Konyaspor e Vitesse. Os remanescentes ainda podem fazer bons papéis, especialmente os turcos, considerando o grupo mais acessível do Besiktas na Champions e o trabalho que o Basaksehir deu ao Sevilla antes de ser repescado à Liga Europa. De qualquer maneira, este é o momento para as duas ligas refletirem sobre o que aconteceu. A eliminação de duas duplas de gigantes, da forma como se deu, não deve ser tratada como um caso à parte. Pior para o coeficiente de ambos os países.