Alemanha, Inglaterra, França… em várias ligas europeias, o primeiro lugar já está com uma vantagem que lhe deixa bem encaminhado para pensar em ser campeão. E o PSV é mais um líder de campeonato europeu que tem a primeira grande chance de já encaminhar o título, no domingo, ainda em pleno turno. E também num clássico – no caso, contra o Ajax, em Amsterdã, no jogo que fechará a 15ª rodada. Afinal de contas, também já são oito pontos de vantagem para o time de Eindhoven na liderança do Campeonato Holandês: 39, contra 31 do vice-líder AZ – e 29 do Ajax, que vem na terceira posição. A opinião entre torcedores e jornalistas, no país, é quase unânime: um resultado positivo dos Boeren na (ainda) Amsterdam Arena resolverá a Eredivisie antes mesmo que 2017 acabe.

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Pelo menos inicialmente, a impressão é de que essa possibilidade é mais provável, ainda que a equipe de Eindhoven vá encarar um de seus adversários históricos fora de casa. Impressão justificada. Certo, o PSV não brilha nem enche os olhos. Na rodada passada, já com a vantagem constituída, apenas precisava vencer o Sparta Rotterdam para evitar algum aborrecimento – e o fez, com simples 1 a 0. Se não empolgam ninguém, resultados assim mostram o principal mérito da equipe treinada por Phillip Cocu: uma eficiência impressionante, que rende um primeiro turno quase perfeito (quase, porque houve uma queda para o Heerenveen – 2 a 0, na quarta rodada). No mais, só vitórias. Com 13 triunfos em 14 jogos, é a segunda melhor campanha do clube num turno em sua história na Eredivisie, só perdendo para as 17 vitórias em 17 jogos, no título de 1987/88.

E há peças-chave para ajudar o time a ter essa eficiência. No gol, Jeroen Zoet superou o abatimento por não ter conseguido a sonhada transferência – e faz por merecê-la ao final da temporada: mostra liderança em relação à zaga, agilidade nas defesas (no clássico contra o Feyenoord, fez pelo menos duas intervenções decisivas), força nas saídas de gol, enfim, segurança. Segurança tão grande que supera até desacertos insistentes no miolo, onde Daniel Schwaab e Nicolas Isimat-Mirin ainda se entrosam. Pelo menos, é o único problema na defesa, já que Santiago Arias é absoluto na direita, e Joshua Brenet se recuperou do mau começo de temporada para reassumir a titularidade na esquerda.

Se Zoet é o sustentáculo da boa campanha do PSV na defesa, o meio-campo tem dois jogadores fundamentais. Enfim livre de lesões, Jorrit Hendrix vai justificando porque o clube se desfez de Andrés Guardado na janela de transferências. Querido pela torcida – também por isso era pedida sua titularidade -, o volante dá segurança ao ataque e tem evitado que a defesa, ainda se acertando, sofra com os ataques adversários. E Marco van Ginkel, mesmo tendo caído um pouco em relação ao começo da temporada, segue muito confiável na armação das jogadas, e regular em suas atuações.

Finalmente, o ataque, que é a principal justificativa da alta eficiência dos Eindhovenaren. Dificilmente se passará uma partida sem que a dupla formada por Hirving Lozano e Jürgen Locadia traga perigo às defesas adversárias. Lozano também não tem sido tão fulgurante quanto no início do campeonato, mas segue justificando porque é a grande esperança do México para os próximos anos (até porque ainda é o goleador do campeonato). E Locadia dá continuidade à melhor fase de sua carreira, enfim atuando onde sabe jogar melhor: no meio da área.

Como tem sido mais confiável, Locadia evita muitas chances no time para Luuk de Jong. Porém, se a partida exige mais paciência – e o clássico de domingo pode exigi-la -, De Jong ainda é opção preferencial para começar jogando. Azar de Steven Bergwijn, que também entra e sai dos onze titulares. Foi até o que aconteceu contra o Sparta: Bergwijn começou jogando, foi apenas discreto no primeiro tempo, Luuk de Jong entrou no intervalo, e fez o gol da vitória.

Repita-se: nada disso faz o PSV brilhar, impressionar, encantar. Mas serve, pelo menos, para o time continuar empilhando vitórias – às vezes no lance final do jogo, como se viu contra o Zwolle, há duas rodadas. Uma segurança da qual o Ajax tem motivos para sentir inveja. Impressiona como, em dezembro, com a temporada já bem andada, o time de Amsterdã ainda está à procura da melhor formação. Marcel Keizer simplesmente não sabe se joga com laterais, no 4-3-3 (Joël Veltman na direita, Nick Viergever na esquerda), ou se aposta no 3-4-3, dando sequência definitiva no meio-campo a Frenkie de Jong e Donny van de Beek, cada vez mais badalados.

Enquanto ainda há essa dúvida, o time sofre. E poucas partidas provaram mais isso do que o 3 a 3 contra o Twente, fora de casa, na rodada passada. Em duas cobranças excepcionais de falta, Lasse Schöne colocou um valioso 2 a 0 no placar, ainda no primeiro tempo. Mas uma falha de posicionamento num escanteio rendeu o primeiro gol do Twente, por Stefan Thesker – que também empatou o jogo, num bonito voleio, no segundo tempo. No final, Justin Kluivert (substituindo Amin Younes, lesionado) fez o terceiro gol. Vitória garantida? Que nada: aos 44 minutos do segundo tempo, o Twente empatou, num cabeceio de Tom Boere.

No ataque, as indecisões de Keizer continuam. Kasper Dolberg e Klaas-Jan Huntelaar seguem disputando o lugar no meio da área, e Younes teve suas atuações interrompidas pela lesão da qual se recupera – mesmo que se recupere, aliás, o alemão dá a impressão de viver seus últimos meses jogando pelos Ajacieden, à espera de uma transferência. Porém, mesmo que Justin Kluivert tenha boas atuações aqui e ali, também não rende a confiança merecida por apenas três jogadores do Ajax – além do citado Schöne, Hakim Ziyech e David Neres (na defesa, vale destacar que a torcida ainda prestigia André Onana e Matthijs de Ligt).

Tais instabilidades deixam o Ajax sujeito a chuvas e trovoadas: o mesmo time que pespegou 4 a 1 no Klassieker contra o Feyenoord já perdeu duas vezes em plena Amsterdam Arena (Vitesse e Utrecht). Passou sufoco contra o lanterna Roda JC (o primeiro tempo terminou por 1 a 1, antes dos três gols de Kluivert que encaminharam a goleada). Por tudo isso, já se vê dez pontos atrás do PSV – e dois atrás do AZ, vice-líder cada vez mais elogiável, com seis vitórias seguidas.

É possível reverter uma desvantagem dessas? Sempre é (em 2011/12, Ajax chegou a estar 13 pontos atrás da liderança, e ainda assim partiu para o bicampeonato). Mas desta vez, nada dá a impressão de que isso ocorrerá. Por isso, muito se pensa: o campeonato já acabará se o PSV vencer o clássico deste domingo. E mesmo assim, talvez sejam verdadeiras as palavras do colunista Hugo Borst, no diário “Algemeen Dagblad”: “Aconteça o que acontecer, o PSV sairá sem danos. Vou ser mais claro: o PSV já é campeão holandês”. Em dezembro, ainda.

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