E aconteceu o prenunciado frango de Akinfeev. Por sorte, Kerzhakov empatou logo depois

Akinfeev viveu o inferno justamente quando chegou ao céu

Igor Akinfeev sempre foi visto como um grande herdeiro do gol da Rússia. Uma meta que, nos tempos de União Soviética, teve lendas como Lev Yashin e Rinat Dasaev. E, durante um tempo, se pensou que o garoto promissor poderia chegar ao patamar deles. O camisa 1 estreou pelo CSKA Moscou quando tinha apenas 17 anos. Aos 18, foi convocado pela primeira vez pela seleção e disputou a Euro. Aos 19, foi um dos pilares do clube na conquista da Copa da Uefa, com atuações excelentes. Demonstrava segurança, reflexos e bom posicionamento, características primordiais a um goleiro. E deveria evoluir, amadurecer, como quase todos em sua posição.

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Entretanto, Akinfeev regrediu. Ao contrário de seus pares, a idade não lhe fez tão bem assim. A medida que foi ganhando rodagem, já se sabia que não igualaria Dasaev, muito menos Yashin. Permanecia como o melhor arqueiro do futebol russo e acumulou boas atuações na Euro 2008. Mas seguiu em queda nas temporadas seguintes. As más atuações no CSKA passaram a ser mais frequentes. A contestação na seleção, também. Chegava à Copa de 2014 com a grande chance da carreira, de calar os críticos e gravar seu nome na história, como por tanto tempo prometeu.

Justo em sua primeira partida em Mundiais, Akinfeev viu a chance escapar por entre suas luvas. Já tinha deixado três bolas que deveriam ser mais tranquilas escaparem, mas aconteceu pior. A Brazuca bateu em suas mãos e acabou dentro do gol. O camisa 1 ficou desolado. Caiu com o rosto sobre a grama, como se não quisesse nunca mais encarar aquele estádio lotado. Levantou-se ainda abalado. Sua reputação havia ruído.

O gol de Kerzhakov diminuiu o peso nas costas de Akinfeev. Mas não as suas humilhações e os seus questionamentos. Talento, o goleiro possui. Resta reencontrá-lo em algum lugar do passado. Este foi apenas o primeiro jogo da Copa, não há nada perdido. A Rússia ainda pode se classificar e o seu camisa 1, fazer um bom campeonato. Precisa demonstrar confiança suficiente para Fabio Capello e ter vontade para se redimir. Para unir os laços que separam a excelente promessa e o veterano errante.

Aos 28 anos, Akinfeev ainda possui uma longa carreira pela frente. Isso, é claro, se não deixar que este frango o marque para sempre.