SALVADOR - Parecia apenas um bar no centro de Salvador, mas era muito mais que isso. Entre mesas e cerveja, debaixo de duas televisões, o Grupo D da Copa do Mundo se reuniu para uma demonstração fantástica de alegria e rivalidade sadia. Os mais felizes foram os costarriquenhos, que comemoraram a vitória por 3 a 1 sobre o Uruguai. Mas italianos e ingleses também presentes não esconderam a satisfação de ver um dos seus principais adversários na chave derrotados.

A partida parecia caminhar para uma vitória econômica do Uruguai por 1 a 0. Quando Joel Campbell empatou, aos 9 minutos do segundo tempo, o bar veio abaixo com a alegria dos ingleses. Gritaram Costa Rica como se tivessem nascido na América Central. E depois mais ainda na virada que saiu dos pés de Oscar Duarte:

A vitória ainda não estava assegurada. O Uruguai assustava o trio de costarriquenhos presentes. Um deles se segurava à bandeira do país como se fosse a coisa mais valiosa do mundo – e naquele momento, provavelmente era. Eis que Marco Ureña ampliou o placar, praticamente definiu a vitória da Costa Rica e a bandeira começou a balançar. O torcedor subiu na cadeira e abraçou os companheiros. Explodiu de felicidade:

Deste momento em diante, o clima foi de pura e genuína festa. Uma meia dúzia de torcedores italianos em uma das mesas tentou provocar os inglese e gritaram “Itália”. Foram imediatamente enterrados pelas dezenas de britânicos que responderam com seus gritos de “I Still Believe” (Eu ainda acredito), “England” e “Rooney”.

Além de gritos genéricos, os torcedores fizeram coreografias que estão em moda no Reino Unido. Dançaram a música dos irmãos Touré, que nem o Welbeck, que nem o Peter Crouch e cantaram sucessos da música, como Living on a Prayer, do americano Bon Jovi, e Twist and Shout, dos Beatles:

O árbitro apitou o final do jogo e decretou a vitória tão improvável quanto maravilhosa da Costa Rica. O torcedor que se agarrava à bandeira revelou-se Fabián Hidalgo, um telefonista de 33 anos. Costarriquenho, viajou com amigos para Salvador e assistiu Holanda x Espanha na última sexta-feira. Agora, vai para Recife ver o confronto contra a Itália. Jura por Deus que acreditava na vitória da Costa Rica e, agora que ela se concretizou, espera passar de fase. “São 11 homens contra 11 homens, o nome desses homens não importa”, disse, pouco depois de perder a cabeça com o fim da partida.

Enquanto isso, os ingleses continuaram cantando como se nada tivesse mudado com o apito final, e talvez nem estivessem prestando atenção à partida. O importante era cantar, gritar e beber cerveja direto da garrafa como se não houvesse amanhã. 

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