Estatísticas da Uefa: o Porto, que precisava marcar pelo menos seis gols no Liverpool para se classificar no tempo normal, finalizou sete vezes e acertou somente um chute na meta de Loris Karius. Com um clássico contra o Manchester United no próximo fim de semana, os Reds administraram a imensa vantagem de 5 a 0 conquistada em Portugal e pouparam alguns jogadores. Preciso mencionar o resultado? Um enfadonho 0 a 0 em Anfield que serviu para classificar os ingleses às quartas de final.

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A eliminatória já estava decidida. Não era mesmo uma partida da qual poderia se esperar muita coisa. Na melhor das hipóteses, seria um festival de gols por causa da característica ofensiva do Liverpool e de uma defesa suscetível a erros. Mas o sistema defensivo de Jürgen Klopp passa por um bom momento. Não apenas no número de gols tomado, apenas um (West Ham) nas últimas cinco partidas, mas também em atuações sólidas, com menos falhas e espaços para serem explorados.

Essa sequência abrange três adversários da Premier League. Nenhum grande time: Southampton, West Ham e Newcastle. No entanto, há pouco mais de um mês, esta mesma defesa foi vazada três vezes pelo West Brom, pior ataque da Premier League. E tem os dois jogos contra o Porto. O ponto mais positivo do atropelamento inglês no Estádio do Dragão foi o jogo quase perfeito da equipe, excepcional no ataque e consistente na defesa.

E mais uma vez correu poucos riscos. Auxiliado, é verdade, pela postura do Porto. Os portugueses estavam plenamente cientes de que não conseguiriam nem esboçar uma reação em Anfield e pareceram mais preocupados em não levar outra goleada. Começaram o jogo recuados, com os dez homens atrás da linha da bola, permitindo que os donos da casa a tocassem para lá e para cá. De qualquer maneira, os Dragões mal criaram chances de gol. Como já foi dito, sete finalizações, seis para fora. A única defesa de Karius foi boa, em chute rasteiro de Waris. Óliver Torres foi bloqueado por Ragner Klavan dentro da pequena área.

Klopp havia dito que não pouparia jogadores, mas utilizaria os que estivessem mais em forma. A diferença está apenas na escolha das palavras. Salah ficou no banco de reservas pela primeira vez desde o começo de janeiro e por algum motivo inexplicável entrou no segundo tempo no lugar de Mané, arriscando uma lesão que poderia torná-lo dúvida para o clássico contra o United. Gomez e Moreno começaram jogando nos lugares de Alexander-Arnold e Robertson. Lallana fez 90 minutos pela primeira vez na temporada. Ings e Klavan ganharam algum tempo de jogo.

O Liverpool teve três boas chances no primeiro tempo para vencer. Gomez fez a ultrapassagem pela direita e cruzou para Mané, que se esticou todo, mas não conseguiu direcionar o seu desvio. Lovren, em cobrança de falta de James Milner, cabeceou por cima do travessão. O senegalês, em outro passe de Milner, acertou a trave. Milner fez uma boa partida e poderia ter sido coroado com o gol da vitória no começo do segundo tempo, mas chutou para fora.

O importante para o Liverpool, pentacampeão europeu, foi ter confirmado a vaga nas quartas de final. Está entre os oito melhores times da Champions League pela primeira vez desde a temporada 2008/09, quando foi eliminado nesta fase pelo Chelsea – desde então, foram apenas duas participações, caindo na fase de grupos em ambas. Mais relevante ainda foi conseguir emplacar uma sequência de atuações defensivas sólidas. Com o poder de fogo que tem no ataque, e muita tradição, uma defesa segura pode levar os Reds longe na competição europeia.