Muita gente tentou entender a ausência de Leroy Sané na convocação final da Alemanha. O jovem do Manchester City havia sido um dos melhores jogadores da temporada europeia. Mas não viaja à Rússia. Joachim Löw preferiu levar Thomas Müller, Julian Draxler, Julian Brandt e Marco Reus, jogadores mais experientes, para atuar pelas pontas. Há outros motivos que explicam a decisão do treinador alemão

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Sané, porém, é apenas um dos nomes importantes que não disputarão a Copa do Mundo meramente por opção de seus treinadores, sem problemas físicos que impediriam uma convocação. A seguir, citamos 15 desses casos, alguns justificados – outros nem tanto. 

Mario Götze (Alemanha)

Götze beija a taça: ele foi o autor do gol do título (AP Photo/Matthias Schrader)

Foi um ciclo complicado para o autor do gol do quarto título mundial da Alemanha. Sem espaço no Bayern de Munique, Götze voltou ao Borussia Dortmund. Sofreu com lesões e descobriu que tinha problemas de metabolismo, o que dificultava o seu retorno à forma física ideal. Retornou em agosto, no começo da atual temporada. Teve um desempenho regular, titular em 26 dos 48 jogos do seu clube. Jogou a Euro e algumas partidas das Eliminatórias da Copa do Mundo, mas, desde novembro de 2016, soma apenas 45 minutos pela seleção de Joachim Löw, separados em amistosos contra Itália e França. Não foi colocado nem na pré-lista de 27 convocados. 

Anthony Martial (França)

Anthony Martial, jogador francês que atua pelo Manchester United (Foto: AP Photo/Jon Super)

A lista francesa foi a que mais discussão gerou, dada a quantidade de talento disponível. Anthony Martial acabou sendo preterido por Ousmane Dembélé, Thomas Lemar, Mbappé e Florian Thauvin, quatro atacantes da convocação de Deschamps que podem atuar pelos lados. O jogador de 22 anos também não teve muita chance de mostrar seu potencial no Manchester United. Foi titular em menos da metade das rodadas da Premier League. Ganhou oportunidade nas últimas duas datas Fifa antes da reunião da seleção e entrou em campo três vezes. Mas não convenceu o treinador francês. Nem Alexandre Lacazette, que também poderia ter sido lembrado. 

Arthur (Brasil)

Arthur, do Grêmio

O talentoso meia do Grêmio sofreu uma lesão no tornozelo, em jogo contra o América Mineiro, e foi fadado a 20 dias no estaleiro. Mas ainda daria tempo de estar na Copa do Mundo da Rússia, marcada para um mês depois da convocação de Tite – e do anúncio da lesão. No entanto, o jogador de 21 anos foi relacionado apenas entre os 12 reservas. Segundo apuração do UOL, a comissão técnica valoriza a qualidade do jogador, mas optou por Fred, que acabou de trocar o Shakhtar Donetsk pelo Manchester United. Arthur recebe a companhia de Luan, outro jogador importante do Grêmio que assistirá ao Mundial do sofá. 

Álvaro Morata (Espanha)

Morata, da seleção da Espanha (AP Photo/Manu Fernandez)

Morata foi vítima da sua própria queda de rendimento. Contratado por € 66 milhões pelo Chelsea, no começo da temporada, marcou apenas 11 gols – e dez saíram nos primeiros meses. O único tento do atacante em 2018 pela Premier League foi contra o Tottenham, em 1º de abril. Os Blues até foram atrás de Olivier Giroud, do Arsenal, para ter mais poder de fogo. Também pesou a concorrência. Diego Costa e Rodigo Moreno estão em fases melhores. E Iago Aspas, outro jogando muito bem, complementou as opções de Lopetegui no ataque. 

Jack Wilshere (Inglaterra) 

Jack Wilshere, da Inglaterra (AP Photo/Claude Paris)

Aparentemente recuperado dos problemas físicos mais sérios, Wilshere voltou ao Arsenal, após um ano emprestado ao Bournemouth, e entrou 40 vezes em campo, o que não conseguia fazer desde sua primeira temporada no Emirates, em 2010/11. Mas foi tarde demais. O técnico inglês Gareth Southgate elogiou a campanha do jogador de 26 anos, mas já estava satisfeito com o rendimento do seu meio-campo. “Ficamos muito satisfeitos com o jeito como jogamos em novembro e março. O único jogador que adicionamos ao setor foi Fabian Delph. Jack foi bem às vésperas do Natal e um pouco depois, mas não foi tão eficiente na reta final da temporada”, explicou. 

Géronimo Rulli (Argentina) 

Rulli, goleiro da Real Sociedad

Rulli é tido como um goleiro para o futuro, mas ainda sequer estreou com a camisa da seleção argentina, embora tenha jogado a Olimpíada do Rio de Janeiro. Já vinha em queda de rendimento pela Real Sociedad, antes de sofrer uma lesão, em fevereiro, e perder dois meses de bola. Mas havia voltado a jogar, titular em três dos últimos seis jogos da equipe no Campeonato Espanhol. Sampaoli preferiu Sergio Romero, Caballero e Franco Armani. Nem com o corte de Romero ele conseguiu uma vaga. O treinador chamou Nahuel Guzmán, do Tigres. 

Rúben Neves (Portugal)

Rúben Neves, do Wolverhampton

Rúben Neves já foi capitão do Porto, liderou o acesso do Wolverhampton e foi eleito craque da segunda divisão da Inglaterra. E ainda tem 21 anos. Mas não deu para jogar a Copa do Mundo. O técnico português Fernando Santos preferiu levar apenas um “trinco”, William Carvalho, e ocupou o espaço de Neves na lista de 23 convocados com um meia mais ofensivo, Manuel Fernandes, do Lokomotiv Moscou. 

Mauro Icardi (Argentina)

Icardi, da Internazionale

O artilheiro do Campeonato Italiano, com 29 gols marcados (ao lado de Ciro Immobile), foi convocado por Jorge Sampaoli para quatro partidas das Eliminatórias Sul-Americanas, mas acabou preterido por Higuaín e Sergio Agüeiro, dupla mais experiente na seleção argentina do que Icardi. Problemas de relacionamento também teriam atrapalhado a trajetória do capitão da Internazionale no time nacional. “Deixamos de fora atacantes importantes. Tínhamos que escolher quatro”, explicou Sampaoli. 

Radja Nainggolan (Bélgica)

Radja Nainggolan, da Bélgica (Photo by Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Roberto Martínez citou questões táticas para não levar Radja Nainggolan para a Copa do Mundo. Vê o jogador como um meia-ofensivo e acredita que Hazard ou Mertens executam melhor a função, embora Nainggolan também possa atuar mais recuado. Também tem um componente de comportamento. O jogador da Roma já criticou Martínez publicamente e, depois de ser excluído da lista da Rússia e se aposentar da seleção, disse que o treinador estava “procurando” um motivo para não convocá-lo, que poderia ser uma vez que chegou atrasado ou o seu hábito de fumar. 

Alex Sandro (Brasil)

Alex Sandro, da Juventus (Photo by Valerio Pennicino/Getty Images)

Alex Sandro é o terceiro excelente jogador de uma posição em que só cabem dois. Com certeza estaria na Rússia se Filipe Luis não tivesse se recuperado rapidamente da lesão que sofreu em março. Mas ele próprio teve problemas físicos e foi cortado antes de poder encarar amistosos contra Rússia e Argentina. É peça importante da Juventus e, aos 27 anos, ainda tem chance de jogar a Copa, já que Marcelo (30) e Filipe (32) são mais velhos. 

Aymeric Laporte (França)

Laporte, do Manchester City

Houve muitos zagueiros à frente de Laporte na convocação de Deschamps. O jovem Kimpembe, Adil Rami, Umtiti e Raphaël Varane, que estão entre os 23, e até Mamadou Sakho e Kurt Zouma, entre os reservas. Dava para encontrar um espacinho para o ex-jogador do Athletic Bilbao, que chegou ao Manchester City, no último mês de janeiro, e se firmou rapidamente como um pilar defensivo da equipe de Guardiola. 

Shkodran Mustafi (Alemanha)

Mustafi, do Arsenal (Foto: Getty Images)

Mustafi jogou a Copa do Mundo de 2014, mas se tornou baixa durante a competição por causa de uma lesão muscular. Havia sido titular da lateral direita nas oitavas de final contra a Argélia. Também esteve na Eurocopa da França e na Copa das Confederações, mas não foi lembrado nem entre os 27 de Joachim Löw. O zagueiro sobressalente escolhido pelo treinador foi Jonathan Tah, cortado da relação final. O fim de temporada irregular do Arsenal, com oito derrotas e oito vitórias na reta final da Premier League, não contribuiu para a causa. 

Ángel Correa (Argentina)

Ángel Correa, do Atlético de Madrid. (Foto: AP)

O jovem de 23 anos chegou a ser convocado para os amistosos contra Itália e Espanha, mas sequer saiu do banco de reservas. Já era um sinal de que dificilmente estaria na Rússia, apesar de uma temporada de afirmação pelo Atlético de Madrid, com nove gols e nove assistências em 56 partidas pela equipe de Simeone, 38 como titular. Sampaoli preferiu jogadores de lado de campo como Eduardo Salvio, Manuel Lanzini, Cristian Pavón e Ángel Di María. 

Bernd Leno (Alemanha)

Leno, do Leverkusen (Foto: Getty Images)

Desde 2012 no Bayer Leverkusen, Leno tornou-se um goleiro cobiçado no mercado de transferências e estava na primeira relação de convocados de Joachim Löw. Imaginava-se que ficaria para ser o terceiro goleiro da campeã mundial na Rússia, mas, no fim, Löw preferiu levar Kevin Trapp, reserva do Paris Saint-Germain, com apenas 13 jogos na temporada da equipe francesa: quatro na Ligue 1, cinco na Copa da França e quatro na Copa da Liga. 

João Cancelo (Internazionale)

Cancelo, da Internazionale (Foto: Getty Images)

O empréstimo para a Internazionale fez bem para o lateral direito do Valencia. Firmou-se como o titular, foi muito bem na segunda metade da temporada e virou alvo do mercado. O Wolverhampton parece muito interessado em levá-lo para a Inglaterra, aproveitando os laços que Jorge Mendes possui tanto no clube inglês quanto no espanhol. Mas Fernando Santos não ficou tão impressionado. Preferiu levar Cédric Soares, do Southampton, e Ricardo Pereira, que foi do Porto para o Leicester.