Pré-Libertadores. O termo se popularizou e dá a sensação de que esses seis duelos eliminatórios ainda não são a Libertadores “de verdade”. Mas a tal “pré-Libertadores” é, oficialmente, a primeira fase. Os gols valem para a artilharia e os pontos entram no retrospecto histórico de qualquer time. Portanto, a temporada internacional do futebol sul-americano começa nesta terça, quando Arsenal e Sport Huancayo darem o pontapé inicial no estádio Julio Alberto Grondona, em Sarandi.

Para você saber o que esperar, a Trivela preparou um mini-guia dessa etapa.

 
Arsenal (ARG) x Sport Huancayo (PER)

por Leandro Stein

Jogos: 24/janeiro, 21h15, no estádio Julio Alberto Grondona (Sarandi-ARG); 31/janeiro, 23h30, no estádio Huancayo (Huancayo-PER)
Em que grupo o vencedor cairá: Grupo 4 (Boca Juniors-ARG, Zamora-VEN e Fluminense)
Confrontos históricos: Nunca se enfrentaram

O mapa da mina do Arsenal
Classificado à Libertadores por ter sido o melhor argentino na Copa Sul-Americana, o Arsenal está longe de viver uma grande fase. O time foi apenas o 13º no Apertura 2011 e, para piorar, a fraca pré-temporada incluiu derrota para o Flandria, da terceira divisão local. O elenco também vem enfraquecido para a Libertadores, principalmente pela perda do artilheiro Mauro Óbolo. Em seu lugar, o técnico Gustavo Alfaro ganhou Jorge Córdoba, centroavante de bom porte físico que vem de passagem apagada pelo Deportivo Quito. Outro desfalque é o atacante Luciano Leguizamón, que estará suspenso para o jogo de ida. A força dos argentinos se concentra no jogo aéreo, especialmente nas subidas dos zagueiros Guillermo Burdisso e Lisandro López, que também cumprem bem seus papeis na defesa. Pela direita, o lateral Adrián González, apoiado pelo recém-chegado Carlos Carbonero, promete incomodar.

O mapa da mina do Sport Huancayo
Estreante na Copa Libertadores, o Sport Huancayo terminou 2011 em alta, após escalada que rendeu o terceiro lugar no Campeonato Peruano. O clube, no entanto, perdeu boa parte de seus titulares ao fim da temporada, entre eles nomes de destaque como o goleiro Jorge Rivera, o meia Johan Sotil e o artilheiro Írven Ávila. Até mesmo o técnico Roberto Mosquera deixou o clube, assumindo o comando do Sporting Cristal. Ao menos Miguel Company, novo técnico do Rojo Matador, contou com um bom número de reforços, com variedade de peças para montar um time praticamente novo. O grande destaque é o atacante Sergio Ibarra, maior artilheiro da história do futebol peruano. Além dele, o goleiro Joel Pinto e o atacante Jahirsino Baylón são outras duas adições notáveis. Dos três remanescentes cotados à titularidade, o principal é o meia Blas López, o responsável pela organização no meio-campo. E se o entrosamento não ajuda, ao menos os 3.200 metros de altitude de Huancayo prometem empurrar a equipe.

Real Potosí (BOL) x Flamengo

por Leandro Stein

Jogos: 25/janeiro, 22h, no estádio Víctor Agustín Ugarte (Potosí-BOL); 1º/fevereiro, 22h, no estádio do Engenhão (Rio de Janeiro)

Em que grupo o vencedor cairá: Grupo 2 (Olimpia-PAR, Emelec-EQU e Lanús-ARG)
Confrontos históricos:  2 jogos, 1 vitória Flamengo, 1 empate

O mapa da mina do Real Potosí
As esperanças de classificação estão depositadas quase que inteiramente no jogo de ida, no qual os bolivianos jogam em casa. Afinal, o Estádio Victor Agustín Ugarte, localizado a 4.000 metros do nível do mar, faz do Real Potosí o melhor clube do mundo em um fator: a altitude. E é neste diferencial que a equipe treinada por Victor Zwenger deve se agarrar, depois de uma pífia campanha no Apertura, não se classificando para a segunda fase. Referência ofensiva do time, o atacante está suspenso para o confronto em Potosí. Mesmo sem o artilheiro, o León Imperial deverá apostar principalmente nas jogadas de linha de fundo, bem como em chutes de longa distância, impulsionados pelo ar rarefeito. Em uma equipe de baixa qualidade técnica, os destaques individuais ficam limitados ao goleiro Henry Lapczyk, ao lateral Ronny Jiménez e ao meio-campista Eduardo Ortiz. Já o setor ofensivo será composto por três atacantes, entre eles o recém-contratado Edgardo Brittes.

O mapa da mina do Flamengo
Nem mesmo o favoritismo no confronto ante o Real Potosí parece apaziguar a crise vivida na Gávea, agravada pela turbulenta saída de Thiago Neves e pelos salários atrasados de Ronaldinho Gaúcho. E antes da viagem para a partida, o clima ficou ainda mais pesado, depois que Alex Silva se negou a embarcar com o grupo, diante da especulada demissão de Vanderlei Luxemburgo. Ao menos a preparação foi bem planejada, com a maioria do elenco passando uma semana em Sucre (2.700m) para se adaptar à altitude. Sem nenhum reforço com banca de titular, o time segue praticamente o mesmo que estagnou no segundo turno do Brasileirão. O meio-campo deve prezar pela força na marcação, com Aírton, Luiz Antônio, Willians e Renato Abreu. Melhor jogador da pré-temporada, Darío Botinelli deve ser a arma para o segundo tempo. A formação dará maior liberdade para Léo Moura e Júnior César avançarem pelas laterais, bem como para Deivid e Ronaldinho Gaúcho flutuarem no ataque. Resta saber qual será o empenho do camisa 10, levando em conta as polêmicas em seu entorno.

Peñarol x Caracas

por Felipe Lobo

Jogos: 26/janeiro, 20h45, estádio Centenario, em Montevidéu-URU; 2/fevereiro, 21h30, estádio Olímpico, em Caracas-VEN

Em que grupo o vencedor cairá: Grupo 8 (Atlético Nacional-COL, Godoy Cruz-ARG e Universidad de Chile-CHI)
Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram

O mapa da mina do Peñarol
Claro favorito no confronto, o atual vice-campeão Peñarol começa a disputa jogando em casa e tentará aproveitar a atuação de jogadores como Marcelo Zalayeta, com passagens por diversos clubes italianos, entre eles a Juventus. Outro atacante, Rodrigo Mora, também tem sido destaque do time. O meio-campo dos uruguaios é bastante marcador e costuma dificultar a criação do adversário. O único meia criativo é Fabián Estoyanoff. No gol, Fabian Carini se recuperou depois de um início instável. Um dos grandes trunfos do Peñarol não está em campo. A torcida é uma das mais atuantes da América do Sul e sempre coloca o adversário sob pressão, apoiando o time o tempo todo.

O mapa da mina do Caracas
O Caracas tem criado tradição na Libertadores, ao ponto de ter chegado às quartas de final em 2009. O time é jovem e conta com dois talentos. Francisco Aristeguieta é um meia ofensivo de 23 anos que deve ser fundamental para uma possível classificação dos venezuelanos. O outro jogador ofensivo que deve dar trabalho aos uruguaios é o camisa 10, Louis Angelo Pena. O time deverá jogar em velocidade contra o Peñarol e sempre pelos lados, setor menos marcador dos uruguaios. Apostando na velocidade e segurando o ataque adversário, o time deve dar trabalho aos volantes com seus dois meias habilidosos e perigosos.

El Nacional-EQU x Libertad-PAR

por Pedro Venâncio

Jogos: 24/janeiro, 23h30, no estádio Olímpico (Quito-EQU); 31/janeiro, 21h, no estádio Dr Nicolás Leoz (Assunção-PAR)

Em que grupo o vencedor cairá: Grupo 5 (Vasco, Nacional-URU e Alianza Lima-PER)
Confrontos oficiais: 5 jogos, 2 vitórias Libertad, 1 vitória El Nacional, 2 empates

O mapa da mina do Libertad
O Libertad conta com boa parte da base que disputou a competição no ano passado, e na qual se destacam os meio-campistas Victor Cáceres e Sergio Aquino. Na defesa, quem dá as cartas é o lateral Miguel Samudio, enquanto no ataque os jovens e já tarimbados Rodolfo Gamarra e Pablo Velázquez são as esperanças de gol. O principal reforço contratado para 2012 foi o meia Jonathan Santana, que é nascido na Argentina, mas disputou a Copa do Mundo de 2010 pela seleção paraguaia.

O mapa da mina do El Nacional
No El Nacional, o destaque é para o atacante Juan Luis Arangonó, autor de 22 gols em 2011. A equipe conta também com vários jogadores jovens e com potencial, como o meia Fabricio Guevara, campeão pan-americano com a seleção equatoriana sub-23 em 2007, e os defensores John Narvaez e Dennys Quiñonez, que deixaram boa impressão na seleção equatoriana que disputou o Sul-Americano e o Mundial sub-20 em 2011.

Internacional x Once Caldas

por Felipe Lobo

Jogos: 25/janeiro, 22h, estádio da Beira-Rio (Porto Alegre); 1º/fevereiro, 22h, estádio Palogrande (Manizales-COL)
Em que grupo o vencedor cairá: Grupo 1 (Santos, Juan Aurich-PER e The Strongest-BOL)
Confrontos anteriores: nunca se enfrentaram

O mapa da mina do Internacional
O Internacional é uma equipe com forte poder e ataque. O setor tem nomes como Oscar, D’Alessandro, Leandro Damião e Dagoberto. Esse é o grande trunfo da equipe, que deve apostar verticalmente no ataque, com velocidade e toques rápidos, característica dos seus jogadores. O time ainda conta com a experiência de jogadores como o lateral esquerdo Kléber e o meio-campista Tinga, além do próprio D’Alessandro, sondado para deixar a equipe e ir para a China. Com a inscrição do meia na Libertadores, o indicativo é que ele ficará e deve ser um dos principais nomes para comandar o time. A aposta no quarteto ofensivo é o caminho para o Inter, que contará com o primeiro jogo em casa para construir um resultado que lhe dê tranquilidade para atuar fora de casa.

O mapa da mina do Once Caldas
O Once Caldas é um time que tem como ponto forte a velocidade no ataque pelos lados do campo. Os atacantes John Pajoy e Jefferson Cuero merecem atenção, pelo bom número de gols marcados. O time não se caracteriza por marcar muitos gols, mas também sofre poucos. Em média, sofreu 1,21 gol por jogo, enquanto tem média de 1,79 gol por partida. Um equilíbrio que dá um indício da dificuldade que o Inter deve ter, especialmente no primeiro jogo, quando o time colombiano deve ter uma defesa sólida atrás e apostando em sua característica de velocidade para sair nos contra-ataques. A falta de entrosamento do Inter pode ser um problema para o ataque colorado e o Once Caldas tem bom sistema defensivo. Com um ataque rápido, o time pode aproveitar a defesa vulnerável do Inter, com Rodrigo Moledo e Índio. Pelos lados, o Inter também não é um grande marcador – Nei e Kléber sempre marcaram mais pelo apoio.

Unión Española-CHI x Tigres-MEX

por Pedro Venâncio

Jogos: 25/janeiro, 19h50, no estádio Santa Laura (Santiago-CHI); 3/fevereiro, horário não divulgado, no estádio Universitário (Monterrey-MEX)
Em que grupo o vencedor cairá: Grupo 3 (Bolivar-BOL, Junior-COL e Universidad Católica-CHI)
Confrontos oficiais: nunca se enfrentaram

O mapa da mina do Tigres
O zagueiro Juninho, ex-Botafogo, Coritiba e São Paulo, é o destaque da confiável defesa do Tigres, que também conta com o experiente Carlos Salcido, ex-PSV e Fulham. No ataque, o time provavelmente sentirá a falta de Danilinho, que voltou ao Atlético Mineiro, mas confia na experiência do argentino Lucas Lobos e do chileno Héctor Mancilla para cumprir um bom papel.

O mapa da mina da Unión Española
Na Unión Española, a confiança é na força do conjunto e no equilíbrio demonstrado durante todo o Campeonato Chileno. Se falta o brilhantismo da Universidad de Chile ou a força da Universidad Católica, a equipe tenta compensar com um bom equilíbrio tático e certamente fará de tudo para conseguir uma boa vitória já no jogo de ida, em Santiago. Individualmente, os destaques são os atacantes argentinos Sebastián Jaime e Emanuel Herrera, este último contratado junto ao Deportes Concepción após marcar 27 gols em 31 jogos em 2011.