Aos 35 anos, Nicolas Anelka jogará na América do Sul. O atacante francês irá se aventurar no Atlético Mineiro, atual campeão do continente e time de Ronaldinho Gaúcho. A notícia foi dada pelo presidente do clube, Alexandre Kalil, pelo Twitter. A mensagem foi sucinta: “Anelka é do Galo”. Quando surgiu a especulação, ela bem poderia ter entrado na nossa lista de especulações que pareceriam absurdas, como mostramos nesta galeria. Também é mais um motivo que prova que o mundo está virando um grande Football Manager, como nós já falamos por aqui. Anelka não é uma contratação para ser muito comemorada, mas sem dúvida será uma atração não só para os próprios atleticanos, como para o Brasil e a América do Sul, na Libertadores.

 

É dessas transferências que custamos a acreditar, mas sim, é possível, o nível salarial daqui é alto, capaz de atrair jogadores assim. Basta lembrar que temos alguns espanhóis jogando a Libertadores, como Dani Güiza, campeão europeu pela Espanha em 2008. Os salários por aqui são capazes de tornar o Brasil um paraíso de jogadores em aposentadoria. Por que isso não acontece? Porque embora os salários sejam altos, aqui não é o Catar, ou a China ou algum país do Oriente Médio onde se pode ganhar muito e jogar pouco, em um nível técnico baixo. Aqui a competitividade é alta, o nível técnico (ao menos no Campeonato Brasileiro) é alto, e, especialmente, o nível de exigência que se cobra nos clubes, com pressão da torcida, é alto. Os jogadores sabem disso.

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Anelka é tecnicamente excelente jogador. Mesmo assim, sempre sofreu com problemas de falta de compromisso com a profissão, displicência e por não ser conhecido como um jogador de grupo. Pouco acrescentou na sua recente passagem pelo West Bromwich, um time pequeno da Inglaterra. Foi nulo na sua passagem pela Juventus, na temporada anterior. Antes disso, esteve na China, onde não dá para contar muito e ficou pouco tempo. Sua última boa fase foi no Chelsea, e já faz tempo. Sua última temporada completa no clube foi em 2010/11, quando fez 46 jogos, marcou 16 gols e fez oito assistências.

No Atlético Mineiro, não parece ter lugar no time. Jô é, atualmente, um jogador mais útil à equipe, seja como centroavante finalizador, seja como um jogador para segurar a bola e preparar as jogadas para quem vem de trás. Vale lembrar tambémq ue Guilherme está em excelente fase e ganhou a posição na última partida do time na Libertadores, contra o Independiente Santa Fe. Além disso, vale lembrar que Anelka não merecia ser titular nem mesmo no West Brom,um time de nível muito inferior ao Atlético Mineiro. Jô pode até ter menos técnica que Anelka, mas é um jogador importante para o clube e que, não por acaso, ganhou sua vaga na seleção que deve ir à Copa do Mundo.

Anelka pode jogar pelos lados do campo como fez no Chelsea no tempo que jogou com Drogba mais centralizado, mas o time sabe que ele não recompõe como outros jogadores, e nem que fará grandes jogadas de linha de fundo, como a torcida do Atlético se acostumou a ver com Bernard, ou mesmo as boas arrancadas de Diego Tardelli, que sabe fazer bem o papel de segundo atacante, assim como tem enorme capacidade de finalização. É difícil imaginar o francês se encaixando ali, ainda que o Atlético de 2014, com Paulo Autuori, seja mais moderado, com mais posse de bola e menos frenético que o de Cuca em 2013.

Anelka será um alto salário para ficar no banco de reservas. Será que ficará no banco sem criar problemas para Paulo Autuori? Isso é o que nós vamos ver. Até porque a torcida do Galo é uma das que não exige que a técnica seja a mais apurada do mundo, mas exige que o time tenha coração. Que o jogador não desista nunca, como acontece com a torcida e ficou marcado como canto da torcida no título da Libertadores: “Eu acredito”. Sinceramente, é difícil acreditar em Anelka.

Lembranças do Brasil

Em 2000, jogando pelo Real Madrid, Anelka esteve no Brasil para a disputa do Mundial de Clubes. Fez um gol contra o Al-Nasr e os dois do Real Madrid contra o Corinthians, um deles um golaço, driblando Dida. Teve a chance de fazer outro, de pênalti, mas naquela fase, fazer gol desse jeito contra Dida era complicado. Ele bateu, mas o goleiro brasileiro buscou e defendeu. Relembre:

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