Até quando vai durar a paciência da torcida com David Moyes? (Foto: AP)

Ano novo, mas a vida continua muito dura para David Moyes

O ano novo tem um poder irracional de renovar as esperanças, como se o réveillon possuísse algo de místico que motiva e apaga os problemas. Se David Moyes acreditava nisso, não deve acreditar mais, porque o seu 2014 mal começou e a missão de liderar o Manchester United continua tão difícil quanto no ano passado.

Neste domingo, o clube foi derrotado, em casa, pelo Swansea, logo na terceira rodada da Copa da Inglaterra. Um golpe forte, pois o imprevisível torneio era a melhor chance de título para Moyes na sua primeira temporada em Old Trafford. No Campeonato Inglês, está a 11 pontos do líder Arsenal, e seu time, embora tenha sido sorteado com o Olympiakos nas oitavas da Liga dos Campeões, dificilmente vai conseguir competir com Bayern de Munique, Barcelona ou Real Madrid nas fases mais avançadas.

Uma hora, logo logo, a confiança que Alex Ferguson pediu para a torcida ter com Moyes vai se esgotar. Há tempos, o Manchester United não era tão instável, principalmente em casa. É a primeira vez em 24 anos que o clube perde cinco partidas como anfitrião antes de fevereiro. Sob o comando de Moyes, são 16 jogos nos próprios domínios e apenas nove vitórias. Daqui a pouco os adversários podem perder o medo de jogar em Old Trafford, e então tudo vai ficar ainda mais difícil para o escocês.

Além disso, um problema antigo ressurgiu das cinzas. A 18 meses do fim do seu contrato, Wayne Rooney, que tentou sair nos verões europeus de 2010 e de 2013, não quer ouvir falar de renovação. Parece que prefere esperar para ver se o United, a cinco pontos do quarto lugar, consegue vaga na próxima Liga dos Campeões. Se Rooney entrar no último ano do seu vínculo, Moyes vai precisar decidir se cede ao forte assédio do Chelsea de José Mourinho, ou de outros clubes interessados, e vende o jogador – como o Arsenal fez com Robin Van Persie – ou corre o risco de vê-lo sair de graça em 2015, como o Borussia Dortmund fez com Robert Lewandowski.

Moyes foi escolhido a dedo para ser o sucessor de Ferguson, que também encontrou muitas dificuldades no começo do seu trabalho. Esse apoio é um lastro incomparável dentro do Manchester United, mas não estamos mais em 1986. Hoje, a pressão da mídia é inversamente proporcional à paciência dos torcedores e dos próprios jogadores, além de outro detalhe.

Há quase 28 anos, Ferguson pegou um clube bagunçado para treinar. Os investimentos em estrutura, categorias de base e formação de jogadores naturalmente demorariam alguns anos para dar frutos. Moyes, no entanto, está do outro lado dessa história. Assumiu provavelmente o time mais organizado do mundo e, mesmo considerando um período de adaptação, terminar a temporada sem nenhum título, fora da Liga dos Campeões e perdendo o seu principal jogador seria uma tragédia que com certeza ninguém esperava.