Javier Mascherano tem um cartel de atuações enormes pela Argentina ao longo da sua carreira. Aos 34 anos, o volante virou zagueiro nos anos recentes, especialmente pelo Barcelona. No último semestre, jogou pelo Heibei Fortune, da China, e seu nível técnico se tornou uma incógnita. Havia dúvidas se seria titular. Acabou ganhando uma vaga no time e, nos três jogos da Argentina até aqui, ficou abaixo do que já se viu. Nos dois primeiros, esteve, como o resto do time, muito mal. Neste último jogou, mais uma vez sofreu técnica e fisicamente. Tentou compensar com uma atuação mais posicionada, tentando equilibrar o time que precisava atacar e com muita raça. O Mascherano de 2014 está longe de estar entre os melhores da Copa na sua posição, mas a Argentina precisa dele tanto pelo aspecto de liderança quanto pela falta de alguém que faça a sua função em campo. E que faça com qualidade, claro.

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A capacidade de cobertura de Mascherano é acima da média e isso poderia o tornar um excelente zagueiro para a Argentina. Certamente melhor que Mercado, que jogou ali nessa posição no segundo jogo, e rende mais como lateral. Nos dois primeiros jogos, Mascherano mostrou um nível muito baixo para ser mantido no time. A sua manutenção na equipe parece mais um desespero de Sampaoli em manter os jogadores mais experientes no time titular, além de um erro de convocação por ter poucos jogadores com a mesma característica. Os relatos de uma autogestão do time parecem muito exagerados, mas ficou claro que Sampaoli teve que se consultar com as lideranças do time para escalar a equipe de forma a deixar as estrelas, especialmente Messi, mais confortável em campo. E isso passa por Mascherano, um líder evidente desse time.

Mascherano foi o volante do time, o jogador mais recuado do meio-campo que tinha Enzo Pérez e Éver Banega, e tem a sua importância em termos de liderança. É o capitão de direito, embora não seja o capitão de fato, que é Messi. Só que a liderança só pode ser exercida se ele puder efetivamente jogar e exercer bem a sua função. Não tem conseguido e, pior para a Argentina, não há muitos substitutos no elenco. Mascherano poderia ser substituído por Lucas Biglia que, além de uma fase técnica ruim, ainda está fisicamente debilitado. Sofreu uma fratura na costela em abril e se recuperou em apenas 16 dias. Foi titular no primeiro jogo e, além de tecnicamente mal, foi fisicamente mal também.

A questão Mascherano para a Argentino não se trata de estatísticas, de dados, de quilômetros percorridos, nada disso. Se trata de uma atuação técnica ruim. Contra a Nigéria, o pênalti que os africanos tiveram saiu de um lance do volante sobre Balogun, que poderia ser evitado. Tecnicamente, Mascherano tem agregado pouco ao time da Argentina, que sofre com a construção de jogadas e também sofre na transição defensiva. Os espaços entre laterais e zagueiros tem sido um problema para a Argentina, defensivamente. Algo que Mascherano poderia ajudar, mas consegue fazer pouco isso.

Se não for Mascherano, será quem? Por característica, só Biglia pode exercer o mesmo papel do Chefito. Se o jogador do Milan não é da confiança do técnico (ou do resto do elenco, ou mesmo não está fisicamente bem, o time precisaria de uma mudança de característica que pode ser difícil. O elenco que Sampaoli levou à Rússia oferece pouco. Giovani Lo Celso é um meia ofensivo que foi adaptado a ser um meia mais recuado, atuando na linha de volantes. Assim, a Argentina precisa de Mascherano, mesmo que Mascherano não entregue o mesmo desempenho de quatro anos anos.

Em quatro anos, Mascherano deixou de ser um dos melhores volantes do mundo, com uma atuação incrível na Copa de 2014, para ser um líder que sofre para jogar. A Argentina não tem ninguém que possa fazer o mesmo papel sem mudar o estilo de jogo e, por isso, o time precisa dele assim. Se tecnicamente ele vai mal, taticamente não há outro Mascherano no time. Em termos de liderança, nem Messi consegue exercer o papel do camisa 14. O líder Mascherano deve continuar titular. Se não há muito o que fazer, já que o técnico não tem mais capacidade de mudar o time taticamente. O volante Masche é dispensável da Argentina. O líder Masche segue fundamental. Que diferença fazem quatro anos na vida de um jogador.