Britain Soccer Premier League

Ao devorar o Arsenal, o Liverpool mostra que pode desafiar os favoritos

O Liverpool vive uma temporada de ascensão na Premier League. Depois de decepcionar demais sua torcida nos últimos anos, os Reds conseguiram engrenar uma campanha consistente. Os bons resultados mantiveram a equipe de Brendan Rodgers em 22 das 25 rodadas na zona de classificação da Liga dos Campeões. Porém, o time ainda precisava se provar nos confrontos diretos. Se o Liverpool acabou se distanciando do topo da tabela, foi por culpa dos pontos desperdiçados contra os favoritos ao título. Uma lição muito bem assimilada. E a prova disso veio neste sábado, com a impecável goleada por 5 a 1 sobre o Arsenal.

Os Reds até tinham se saído bem nos jogos contra alguns dos times mais tarimbados do campeonato. Venceram o Manchester United, golearam o Tottenham e o Everton. Ao longo do primeiro turno, no entanto, o time perdeu nove pontos essenciais contra os três times que se revezam na liderança, derrotado por Arsenal, Manchester City e Chelsea. O massacre deste sábado em Anfield, mais que reafirmar a posição no Top Four, serve para demonstrar a sede que o Liverpool ainda tem pelo título.

Os 20 primeiros minutos de jogo da partida foram emblemáticos. O que se viu foi uma aula de futebol do time de Brendan Rodgers, tratando o Arsenal como se fosse um mero adversário de quarta divisão. Obviamente, os londrinos deram muitas brechas. Algo que não diminui o espetáculo de intensidade e precisão dado pelos anfitriões. Foram quatro gols, dois nascidos na bola parada e outros dois vindos em contra-ataques, duas grandes virtudes dos Reds. E a terceira qualidade mais evidente nesta temporada só não apareceu porque a trave impediu um golaço de fora da área de Luis Suárez.

O Liverpool diminuiu o ritmo no restante do jogo, em especial no segundo tempo, mas não deixou de ser dominante. Se a defesa do Arsenal era a segunda melhor da Premier League antes do início da partida, virou água diante da velocidade do Liverpool. A movimentação do trio ofensivo vermelho, com Sterling, Sturridge e Suárez, foi a chave para que o placar amplo fosse construído. E, mais atrás, Philippe Coutinho também teve grande atuação, abrindo espaços com bons passes em profundidade.

Os números da partida ajudam a quantificar a supremacia do Liverpool tanto quanto o placar. Mesmo com 42% de posse de bola, os Reds chutaram o dobro de vezes que o Arsenal. Foram 22 chutes, 12 deles no gol. Uma vontade que foi essencial para criar a ocasião. Enquanto isso, os Gunners não se cansavam de rodas a bola, mal se aproximando da área de Simon Mignolet. Mesut Özil, de quem mais espera no time de Arsène Wenger, ainda ficou com a marca negativa de ter errado em dois lances que acabaram resultando em gols dos rivais.

A vitória deixa o Liverpool a cinco pontos da liderança da Premier League. Na pior das hipóteses, caso Chelsea e Manchester City vençam, o clube fica a seis ao final da rodada. Uma diferença que não preocupa muito, considerando que os Reds ainda têm mais 13 partidas pela frente. E que também pega novamente Blues e Citizens, com a vantagem desta vez de contar com o apoio da torcida em Anfield. Se a raça e o encaixe deste sábado se repetirem, mesmo sem ter um elenco tão qualificado quanto o da concorrência, o Liverpool está mais vivo do que nunca na disputa pelo título da Premier League.

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Destaque do jogo

A voracidade do Liverpool. A equipe de Brendan Rodgers foi para cima do Arsenal sem pensar e não demorou a levar os londrinos a nocaute. Golpes rápidos e precisos, em um dos inícios de partida mais impressionantes da Premier League nos últimos anos.

Momento chave

Os primeiros 20 minutos do jogo. Foi quando o Liverpool passou por cima do Arsenal, balançando as redes quatro vezes e ainda com possibilidades de fazer mais – Suárez acertou a trave em uma bomba de fora da área, Szczesny fez duas defesas e duas tentativas passaram ao lado do gol. Se Brendan Rodgers pediu para que seus comandados decidissem logo a partida, eles não poderiam ter cumprido de maneira mais perfeita.

Os gols

1’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Falta pelo lado esquerdo. Gerrard cruza, Sturridge não alcança e Skrtel aparece livre para desviar para as redes.

10’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Escanteio pela direita. Gerrard levanta em direção à marca do pênalti e Skrtel se antecipa ao defensor, cabeceando no ângulo.

16’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Recuperação no meio-campo, Suárez recebe na ponta direita e cruza para Sterling escorar para o gol.

20’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Em contra-ataque perfeito, Philippe Coutinho dá grande passe para Sturridge. De frente para Szczesny, o atacante não perdoa e toca no canto.

7’/2T – GOL DO LIVERPOOL! Jogada rápida pelo lado esquerdo do ataque. Sterling recebe em velocidade e chuta duas vezes para comemorar.

24’/2T – GOL DO ARSENAL! Carrinho imprudente de Gerrard sobre Oxlade-Chamberlain. Arteta cobra com segurança, no meio do gol e não dá chances a Mignolet.

Curiosidade

Fazia quase 50 anos, desde abril de 1964, que o Liverpool não marcava cinco gols contra o Arsenal. Além disso, foi apenas a quarta vez desde que a Premier League foi criada, em 1992, que os Gunners tomam cinco ou mais gols em uma mesma partida.

Ficha técnica

LIVERPOOL 5×1 ARSENAL

Liverpool_escudo Liverpool
Simon Mignolet, Jon Flanagan, Martin Skrtel, Kolo Touré e Ali Cissokho; Steven Gerrard (Jordan Ibe, 31’/2T), Jordan Henderson e Philippe Coutinho; Daniel Sturridge (Joe Allen, 21’/2T), Raheem Sterling e Luis Suárez (Iago Aspas, 40’/2T). Técnico: Brendan Rodgers.
Arsenal_escudo Arsenal
Wojciech Szczesny, Bacary Sagna, Per Mertesacker, Laurent Koscielny e Nacho Monreal (Kieran Gibbs, 16’/2T); Mikel Arteta e Jack Wilshere; Alex Oxlade-Chamberlain, Mesut Özil (Tomas Rosicky, 16’/2T) e Santi Cazorla; Olivier Giroud (Lukas Podolski, 15’/2T). Técnico: Arsène Wenger.
Local: Estádio Anfield, em Liverpool.
Árbitro: Michael Oliver (ING)
Gols: Martin Skrtel, 1′/1T e 10′/1T; Raheem Sterling, 16′/1T; Daniel Sturridge, 20′/1T; Raheem Sterling, 7′/2T; Mikel Arteta, 24′/2T
Cartões amarelos: Jordan Henderson (Liverpool), Jack Wilshere e Olivier Giroud (Arsenal)
Cartões vermelhos: Nenhum