Pep Guardiola é um dos grandes técnicos do mundo e é por muitos considerado o melhor do planeta. Só que nesta quarta-feira, ele deu um exemplo de falta de espírito esportivo tremenda. O time que ele comanda, Bayern de Munique, perdeu para o time de estrelas da MLS por 2 a 1 em Portland, de virada. Mais do que a derrota, o técnico ficou inconformado com o comportamento do time adversário, especialmente por entradas violentas de Osvaldo Alonso, meio-campista do time da MLS, e com o árbitro, que não coibiu a violência.

Até aí, tudo bem, vá lá não gostar das entradas do adversários, considerá-las violentas, reclamar do árbitro. Só que aí veio uma cena lamentável (e não daquele jeito que às vezes nós, secretamente, vibramos quando acontecem): o técnico do time de estrelas da MLS, Caleb Porter, técnico do time local do estádio, o Portland Timbers, foi na direção de Guardiola para dar um aperto de mão no espanhol, que se recusou. Sim, é isso mesmo: ele fez um sinal de negativo, se negando a cumprimentar o técnico americano por causa do que aconteceu em campo.

A reclamação de Guardiola é por entradas de Will Johnson, jogador do Portland Timbers, que chegou forte em Bastian Schweinsteiger em uma falta que, de fato, foi violenta para um jogo amistoso – só que é bom lembrar também que é mais amistoso para o Bayern de Munique do que para o time de estrelas da MLS. Afinal, vale a honra para os jogadores da liga americana. Mas a entrada foi violenta, de fato, e obrigou Schweinsteiger a deixar o jogo com uma lesão no tornozelo. Osvaldo Alonso também cometeu uma falta violenta, que gerou muitas reclamações.

A atitude de Guardiola, porém, foi claramente um exagero. Não precisava de algo assim, tão deselegante. É só ir lá e cumprimentar. Reclamar do jogo é uma coisa, mas se recusar a apertar mãos parece demais. Mesmo para alguém de cabeça quente por conta de uma derrota inesperada.

Osvaldo Alonso comemora a vitória do time de estrelas da MLS contra o Bayern (AP Photo/Ted S. Warren)

Osvaldo Alonso comemora a vitória do time de estrelas da MLS contra o Bayern (AP Photo/Ted S. Warren)

Depois do jogo, questionado sobre o ato, que pegou muito mal nos Estados Unidos, Guardiola desconversou e deu uma desculpa daquelas difíceis de aceitar. “Eu não o vi”, ele afirmou. O que, como você verá abaixo na imagem, é uma mentira deslavada. “Eu não achava que nos Estados Unidos eles jogam assim… Está ok”, disse Schweinsteiger, depois do jogo. “Nós estávamos um pouco nervosos porque o Basti está machucado”, admitiu Guardiola na entrevista coletiva. “Oito jogadores [que jogaram a Copa] viajaram 12 horas [de avião] apenas para jogar esta partida o melhor possível. E nós tentamos respeitar as regras do jogo e o fair play da melhor forma possível”, disse o técnico do Bayern. Ele foi além: fingiu não saber quem é Caleb Porter quando o nome do técnico foi citado na coletiva.

Mas as coisas ficaram bem no final. Os dois técnicos se cumprimentaram com um aperto de mão na saída do vestiário para tentar encerrar o episódio. Ao menos foi o que disse Sunil Gulati, presidente da US Soccer, a federação de futebol dos Estados Unidos.

Abaixo, você vê os melhores momentos do jogo e uma análise sobre o resultado: