Entre as inovações tecnológicas aplicadas no futebol, os equipamentos utilizados na linha do gol pareciam uma certeza aos próximos anos. Ao contrário do VAR, não dependem de grande participação humana ou de interpretações. Além disso, o custo de instalação é factível com os lucros gerados, permitindo que várias competições ao redor do mundo o adotassem. Na França, porém, a eficácia dos sistemas está em xeque. A Liga de Futebol Profissional (LFP), entidade que comanda a Ligue 1, decidiu suspender o uso da tecnologia. O motivo? As falhas recorrentes.

Um caso bem estranho havia acontecido em setembro. Durante um jogo entre Rennes e Caen, a bola claramente não entrou, mas o relógio do árbitro apitou e ele correu ao centro do gramado. Contudo, diante da revolta dos jogadores do Caen, o homem do apito decidiu usar o bom senso e admitir que o gol não havia ocorrido. O episódio, que não era o primeiro do tipo no ano, depois que a mesma coisa tinha sido registrada no empate entre Rennes e Bordeaux em fevereiro, aumentou os questionamentos sobre a eficácia da tecnologia. Já em dezembro, no jogo entre Troyes e Amiens, depois de mais uma falha, o árbitro levou nove minutos discutindo para determinar que a bola não tinha entrado. E a gota d’água veio nesta semana, durante as partidas válidas pela Copa da Liga Francesa.

No jogo entre Paris Saint-Germain e Amiens, a tecnologia na linha do gol não alertou o árbitro que a bola havia entrado no segundo tento dos parisienses. O lance só foi validado porque o VAR também estava sendo aplicado na competição – o que não acontece na Ligue 1. O mesmo ocorreu no confronto entre Angers e Montpellier, também pelas quartas de final da Copa da Liga. O relógio do árbitro vibrou em um momento no qual o gol não aconteceu e, por precaução, ele decidiu não usar a tecnologia durante o segundo tempo.

A tecnologia na linha do gol aplicada na França é chamada GoalControl. Ela se baseia em câmeras, e não em um chip dentro da bola. A informação do gol é transmitida ao árbitro conforme o posicionamento da bola, a partir dos frames obtidos pela filmagem. Contudo, está comprovado que o sistema é suscetível aos erros, causados pelas cores dos uniformes dos jogadores. E, diante da incidência recorrente do problema, a LFP preferiu suspender o recurso eletrônico.

Na próxima semana, a LFP se reunirá para discutir o uso da GoalControl. A empresa alemã que gere o sistema – curiosamente, presidida pelo ex-jogador Simon Rolfes – também possui contrato vigente em Portugal. E não será surpreendente se os franceses decidirem buscar um novo método para os próximos anos. Bundesliga e Premier League adotam o Hawk-Eye, que também possui seu princípio básico determinado por câmeras, mas não apresenta a mesma quantidade de erros do GoalControl.