A vida de Ryan Mason, meia inglês que atuava pelo Hull City, esteve em risco em janeiro do ano passado, quando ele precisou passar uma cirurgia após fraturar o crânio em uma disputa de bola com Gary Cahill, do Chelsea, em uma jogada de escanteio. Mason foi rapidamente atendido e sobreviveu, mas o lance acabou com a sua carreira. Nesta terça-feira, aos 26 anos, o ex-jogador do Tottenham anunciou sua aposentadoria dos gramados.

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Mason foi tratado durante oito minutos em Stamford Bridge antes de ser levado para o hospital. Precisou receber oxigênio e disse, em entrevista ao Daily Mail, que em certo momento não estava respondendo a estímulos. “Foi como se uma bomba tivesse explodido na minha cabeça”, afirmou. Após a cirurgia, Mason ficou internado uma semana no hospital St. Mary’s, de Londres, e vinha treinando desde maio para tentar retomar a profissão.

Havia a expectativa de que ele retornasse no começo deste ano, mas, após consultar especialistas, descobriu que seria arriscado demais encarar novamente as potenciais colisões que são frequentes no futebol profissional. Seu crânio provavelmente nunca ficaria forte o bastante. “Eu trabalhei incansavelmente para tentar voltar aos gramados. Infelizmente, acatando conselho médico, eu não tenho outra opção que não seja me aposentar por causa dos riscos envolvidos na natureza da minha lesão”, disse o jogador. “Eu sempre serei grato pela incrível rede de pessoas em torno de mim que me ajudaram a me recuperar de uma ferida que colocou minha vida em risco”.

O Hull City, que contratou Mason em 2016 por £ 13 milhões, transferência mais cara da história do clube, também se manifestou, em nota no seu site oficial: “Ryan buscou vários neurologistas e neurocirurgiões renomados mundialmente que o aconselharam que um retorno ao futebol competitivo não seria aconselhável. Ele gostaria de registrar seu agradecimento a todos no clube que ajudaram na sua recuperação e que está em dívida pelo apoio e compaixão nos últimos 12 meses”.

Gary Cahill, o outro jogador envolvido no lance, mandou apoio para o agora ex-jogador. “Estou devastado por ouvir as notícias sobre Ryan. Competir em um escanteio é algo que fizemos mil vezes e ver esse tipo de consequência em um grande profissional como Ryan é de partir o coração. Envio todo meu amor para ele e sua família e o desejo o melhor no futuro”, escreveu.

Formado pelo Tottenham, Mason foi emprestado a diversos clubes – Yeovil Town, Doncaster Rovers, Millwall, Lorient e Swindon Town – antes de ganhar oportunidades no time principal dos Spurs, com Mauricio Pochettino. Atuou 39 vezes em 2014/15 e 29 na temporada seguinte antes de ser vendido para o Hull City. No começo dessa caminhada, foi essencial para o projeto que atualmente se desenvolve sob o comando de Pochettino.

No fim de setembro de 2014, o Tottenham recebia o Nottingham Forest, na terceira rodada da Copa da Liga. Mauricio Pochettino havia acabado de chegar do Southampton para implementar o projeto de montar um time de jovens jogadores. Os resultados até então eram ruins: em cinco rodadas da Premier League, já havia colecionado duas derrotas e um empate. A eliminação precoce em uma das copas, mesmo na menos importante, poderia piorar o clima.

Perdendo por 1 a 0, Pochettino fez duas alterações. Sacou Paulinho e colocou um atacante jovem de 21 anos chamado Harry Kane que, como Mason, ganhava suas primeiras chances de verdade. Benjamin Stambouli saiu para a entrada de Mason. Sete minutos depois de pisar o gramado pela primeira vez, o meia acertou um lindo chute de fora da área para empatar. O Tottenham acabou vencendo por 3 a 1 e chegou à final daquela edição da Copa da Liga Inglesa.

Este foi o gol escolhido pelo Tottenham para homenagear uma das crias da sua categoria de base. O vídeo foi publicado com a mensagem: “Sempre um de nós”. E o auxiliar técnico de Pochettino, Jesus Perez, comentou: “O momento em que você mudou tudo para nós, amigo. Nós o amamos. Sempre com você”.