O Conselho Estratégico do Futebol Profissional da Uefa, uma organização que reúne representantes da entidade administrativa, ligas, clubes e jogadores da Europa, informou que está estudando uma maneira de limitar as comissões a agentes de jogadores, depois de mais uma grande transferência em que esse foi um dos assuntos.

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A Fifa abriu investigação sobre a transferência de Pogba ao descobrir, por meio de relatórios do Football Leaks, que Mino Raiola recebeu € 49 milhões de todas as partes (Manchester United, Juventus e o próprio jogador) envolvidas na negociação. Agora, o clube em questão é o mesmo United, mas a discussão é em torno da compra de Alexis Sánchez. Segundo veículos da imprensa inglesa, inclusive a BBC, o agente Fernando Felicevich teria recebido € 17 milhões pela ida do chileno para Old Trafford.

A alta pedida financeira de Sánchez e seu staff foi um dos motivos que afastou o Manchester City da negociação, mas os Citizens não costumam ter tanto pudor em gastar com comissões. Um estudo da Federação Inglesa descobriu que o clube de Guardiola foi o que mais colocou dinheiro no bolso de agentes na Premier League entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2017: € 30 milhões. Em seguida, aparece o Chelsea (€ 28 milhões) e o United (€ 21 milhões). No total, os 20 clubes da primeira divisão inglesa desembolsaram € 251 milhões em comissões no período analisado.

Um estudo da Uefa das finanças dos seus clubes afiliados analisou duas mil transferências entre 2014 e 2017. Descobriu que € 1,2 bilhão foram pagos em comissões para agentes nesses negócios. Não existe uma comissão padrão: 769 transações tiveram comissão inferior a 10%, 576 entre 10% e 20% e 646 acima de 20%. Quanto menor o valor do negócio, maior o valor da comissão.

Por isso, segundo o relatório, as comissões médias mais altas foram registradas na Polônia (21%), na Dinamarca (21%) e na Suíça (19%). Entre as grandes ligas, quem lidera é a Alemanha, com 15%, o que se explica, de acordo com o argumento da Uefa, pelo fato de a Bundesliga não estar acostumada a fazer grandes contratações e preferir apostar mais nas categorias de base. Inglaterra, Itália e Alemanha ficaram nos 13%. França, 9%. E Espanha, 8%.

A Uefa disse que, em 2015, a Fifa determinou novos critérios para regulamentar agentes, mas o resultado esteve longe de ser satisfatório. De acordo com o Conselho Estratégico do Futebol Profissional da Uefa, a estratégia da Fifa não consultou os acionistas relevantes e não melhorou a transparência das transações. O número da gentes cresceu substancialmente ao mesmo tempo em que a qualidade dos serviços caiu. Não controlou a inflação das comissões pagas a intermediários e, ao contrário, contribuiu para um crescimento desproporcional desses pagamentos. A falta de uniformidade na implementação das regulações criou mercados mais atrativos que outros para a gentes. E as regras foram facilmente burladas, sem punições adequadas.

O comunicado propôs a introdução de um teto “razoável e proporcional” para as comissões de agentes, mais transparência, sanções apropriadas em caso de violação das regras e medidas para proteger clubes menores e jogadores menos badalados nas relações com agentes. “Uma supervisão mais adequada e rígida é essencial para garantir um nível apropriado de proteção para jogadores (particularmente os menos badalados), clubes e outros acionistas relevantes, inclusive os próprios intermediários”, disse a Uefa. “As partes consideram que, se bem desenvolvidos e implementados, esses princípios seriam um passo significativo na direção de uma supervisão melhor das atividades de agentes. Nos próximos meses, as partes vão discutir melhores mudanças regulatórias sobre a maneira em que as transações de futebol envolvendo intermediários são conduzidas e regulamentadas”.