A venda de Ezequiel Barco causou grande discussão ao longo das últimas semanas. Não apenas pela saída da maior revelação do futebol argentino em 2017 rumo à Major League Soccer, se juntando ao Atlanta United de Tata Martino, mas também pela maneira como o negócio se deu. A transferência estava alinhada desde antes da final da Copa Sul-Americana, mas as ótimas atuações do meio-campista contra o Flamengo levaram o Independiente a exigir mais pela liberação. Então, o próprio jovem entrou na jogada e passou a forçar sua saída, se ausentando de seguidos treinos. A atitude não foi bem vista pelos torcedores do Rojo, mas não significa necessariamente ingratidão. Algo perceptível pelo que fez o prodígio nesta quinta.

Barco tem direito a 20% dos €15 milhões desembolsados pelo Atlanta United. O garoto, entretanto, resolveu direcionar um quarto deste montante ao próprio Independiente. Com passagem pelas categorias de base do Rojo, o meio-campista quer ajudar no desenvolvimento de outros talentos. Ele doou €800 mil às canteras do clube, para serem revertidos à melhoria da infraestrutura. Este dinheiro deverá ser empregado na construção de dois campos de grama sintética para que as promessas possam treinar.

Nascido na região de Rosário, Barco começou a carreira em uma equipe de bairro, dedicada a formar jovens. O pequeno clube é presidido por Jorge Bernardo Griffa, ex-jogador que lapidou grandes jogadores no Newell’s Old Boys, e que atualmente trabalha como coordenador geral da base do Independiente. Por indicação de seu filho, levou o meio-campista a Avellaneda, após ser recusado em peneiras no Boca Juniors, no River Plate e no Gimnasia. Defendendo o Rojo, Barco precisou de poucos meses nas canteras, até ganhar as primeiras chances com Gabriel Milito na equipe principal. Já sob as ordens de Ariel Holan, se tornou um dos protagonistas, marcando gols e sendo decisivo para a conquista da Copa Sul-Americana.

Em Atlanta, Barco encontrará um ambiente diferente para o padrão da MLS. Ao contrário do praxe em outros clubes, o United investe em jovens talentos sul-americanos e já causa impacto na liga. Em seu primeiro ano na Geórgia, Tata Martino buscou Leandro Pirez, Hector Villalba e Miguel Almirón na Argentina, além de contar com o venezuelano Josef Martínez, todos com 25 anos ou menos. Já para a próxima temporada, as novidades são Franco Escobar e José Hernández. O salário polpudo e o padrão de vida americano certamente foram atrativos a Barco. Mas o projeto executado no Estádio Mercedes-Benz também deve ter seu peso. Entre permanecer como ídolo em um clube tradicionalíssimo, tentar a sorte na Europa ou se arriscar em um trampolim nos Estados Unidos, o jovem de 18 anos optou pela última alternativa. Resta saber como será a evolução de uma verdadeira pérola, sob as ordens de um treinador experiente, mas em uma liga longe de exigir tanto.