O Barcelona sofreu apenas uma derrota em 19 partidas do primeiro turno de La Liga. Contra o Athletic Bilbao no Novo San Mamés, o mesmo adversário deste domingo no Camp Nou. E em circunstâncias totalmente diferentes. Os blaugranas vindo de sua primeira sequência de três derrotas consecutivas nos últimos dez anos, sob pressãcoo da torcida e disparos a todos os lados – contra diretoria, comissão técnica e jogadores. Ambiente nada amistoso, no qual os catalães conseguiram se superar. Porém, também sofrendo bastante: a vitória por 2 a 1 sobre os bascos só saiu de virada, depois de muitos gols perdidos e sufoco dos anfitriões.

>>> ACOBOU a paz no Barcelona? “Messi, você corre menos que o Pinto!”

A partida contou com duas equipes que jogaram de igual para igual, longe de ser uma das piores recentes do Barça. Os leones poderiam muito bem ter saído com a vitória, carimbando a trave em uma linda bicicleta de Aduriz, que também teve um tento discutivelmente anulado. Assim como o Barça acertou a trave do outro lado, enquanto viu Gorka Iraizoz realizar uma porção de milagres. Prevaleceu o gol validado de Aduriz, assim como os de Pedro e Messi, que garantiram a virada por 2 a 1. A diferença nas avaliações, contudo, é marcante.

Ao Athletic, os louros. Uma partida para exaltar dos bascos, com razão. A equipe de Ernesto Valverde controlou o jogo com mais consciência e foi mais precisa em seus ataques. Já do outro lado, o Barcelona acaba a noite bastante. Gols perdidos em excesso, erros repetitivos da defesa e o mínimo de criatividade. E isso, ressaltando mais uma vez, em um duelo parelho, no qual a vitória seria compreensível para qualquer um dos lados.

As críticas contra o Barcelona são mais que compreensíveis. As atuações do time estão muito abaixo do que se acostumou nos últimos anos. Horríveis para um clube que recorrentemente pulverizava adversários, mas que não seriam necessariamente ruins para uma equipe ‘comum’. O mesmo vale para Messi. Para quem já viu o camisa 10 em lances inimagináveis, presenciá-lo perdendo a bola de maneira infantil, como muitas vezes aconteceu neste domingo, faz a corneta soar. Já surgem até mesmo aqueles que dizem que o melhor jogador do mundo em quatro anos consecutivos foi forjado pelo esquadrão em que jogava, que vivia ‘apenas’ uma boa fase – que durou quase uma década.

Nem tanto ao inferno, mas também nem tanto ao céu. Não é a série de tropeços e jogos sofríveis que faz de Messi um caneleiro ou o Barcelona um time de Série B no Brasil. Longe disso. Mas também não dá para eximir craque e time da culpa. Em certa medida, os blaugranas são vítimas do ciclo vitorioso que eles mesmos construíram. E que o declínio, inegável, passa a ser visto de maneira muito mais exagerada do que deveria, ainda que um problema sério. Não é tão simples emendar ciclos espetaculares como os catalães viveram, com Rijkaard e Guardiola – esta, aliás, é a exceção.

O Barcelona precisa colocar a casa em ordem. Terminar a temporada buscando o título de La Liga, mas, diante das circunstâncias, sabendo que a perda da taça é natural. Saber lidar com o furor dos torcedores. Pensar como vai se estruturar em um ano de reconstrução do time, que, na verdade, não poderá trazer nenhum jogador de fora. Ter consciência da posição difícil em que está. Afinal, massacrar qualquer um que apareça pela frente, como foi nos últimos anos, não deverá ser o padrão nesta nova fase. Jogar de igual para igual com times inferiores, ainda que em ótima fase, como o Athletic Bilbao, é que deverá ser o normal. E o Barça tem que aprender a valorizar uma vitória suada, ver quais são os caminhos que ela aponta para a reconstrução. Por mais que ela esteja aquém de todas as façanhas da última década.

Mais sobre o momento do Barcelona

>>> Enquanto Messi anda em campo, Bale corre e decide Copa do Rei

>>> Desespero do Barça no ataque foi de quem sente a temporada escorrendo pelos dedos

>>> Esse Atlético de Madrid tem um coração do tamanho da Europa