O Campeonato Francês começa neste final de semana cheio de expectativa. Mas a briga entre Paris Saint-Germain e Monaco pelo título fica para a próxima. Agora, é hora de falar da parte debaixo da tabela. O que esperar dos afortunados que escaparam do rebaixamento por pouco e dos clubes que subiram da Ligue 2?

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Caen

Na temporada passada: 3º da Ligue 2
Técnico: Patrice Garande
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Rémy Vercoutre (G, Lyon), Florian Raspentino (A, Olympique de Marselha), Julien Féret (M, Rennes), Damien DaSilva (D, Clermont), Sloan Privat (A, La Gantoise/BEL), Emmanuel Imorou (D, Clermont), Jordan Adéoti (M, Laval), Hervé Bazile (A, Le Poiré), Musavu-King (D, Uzes)
Destaque: Matthieu Duhamel
Fique de olho: N’Golo Kanté
Expectativa para a temporada: evitar o rebaixamento

Após duas temporadas na Ligue 2, o Caen está de volta à elite com o desejo de, enfim, estabelecer-se de vez na primeira divisão. O SMC almeja iniciar uma série que supere aquela encerrada em 1995, quando permaneceu três anos entre os grandes do país. Com a fama de time ioiô, o Caen traçou um plano a médio prazo para acabar com os constantes rebaixamentos. A grande mudança está na parte administrativa. O treinador Patrice Garande tem ao seu lado o diretor esportivo Alain Cavéglia, apoiado pelo diretor geral Xavier Gravelaine. Toda a estrutura do clube sofreu alterações para voltar a ser conhecido como revelador de talentos. Desta vez, a diretoria também estudou melhor o mercado para trazer a experiência que faltou ao elenco nas participações anteriores na Ligue 1, como atestam a chegada de nomes como Vercoutre e Féret.

Recordista em acessos à Ligue 1 (seis), o Caen confia sua permanência no torneio ao rigor de Garande, criador de uma “família” na última temporada e que se superou mesmo sem ter grandes nomes no elenco. O espírito solidário e a fama de time operário devem ajudar o SMC a superar os obstáculos naturais de quem acabou de subir. Se isto não der muito certo, a esperança atende pelo nome de N’Golo Kanté. O meio-campista chegou ao Caen em 2013 com o rótulo de melhor jogador do National e não decepcionou na segunda divisão. Ele atuou em 38 partidas (36 como titular) e foi um dos principais líderes da equipe. Isso sem levar em consideração os gols de Matthieu Duhamel, artilheiro da segunda divisão em 2013/14 com 24 tentos.

Metz

Na temporada passada: Campeão da Ligue 2
Técnico: Albert Cartier
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Juan Falcon (A, Zamora/VEN) Jonathan Rivierez (D, Le Havre), José Luis Palomino (D, Argentinos Juniors/ARG), Ali Bamba (D, Strasbourg), Moussa Gueye (A, Acadêmica/POR), Cheikh Doukouré (M, Lorient), David Oberhauser (G, UTA Arad/ROM), Guirane N’Daw (M, Asteras Tripolis/GRE)
Destaque: Diafra Sakho
Fique de olho: Ahmed Kashi
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

Os grenás colhem os frutos de uma talentosa geração que despontou ao conquistar o título da Copa Gambardella em 2010. Após duas promoções consecutivas, o Metz está de volta à Ligue 1 com o desejo de apagar sua última passagem pela elite, quando deu vexame há seis anos. A mescla entre jovens promessas e profissionais com experiência na Ligue 1 dará a tônica no clube, que tenta se espelhar no Guingamp para permanecer entre as principais equipes do país. Estará de muito bom tamanho confirmar a participação na Ligue 1 de 2015/16 antes da última rodada e, de quebra, destacar-se nas copas nacionais. Por enquanto, o FCM ainda conta com seu grande destaque nas últimas temporadas: Diafra Sakho.

O atacante senegalês, de 23 anos, marcou nada menos do que 39 gols no National e na Ligue 2. Sakho deixou abertas as portas para uma possível despedida, ainda mais após o interesse de Newcastle, Wolfsburg e Anderlecht. O presidente Bernard Serin aguarda quem ofereça € 6 milhões para levar o jogador, com quem mantém um bom relacionamento. O mercado do FCM depende da definição da situação de Sakho. O clube já trouxe um atacante (o venezuelano Falcon), que foi bem durante a pré-temporada. Neste começo de Ligue 1, os grenás já devem sofrer com sua enfermaria cheia (Kashi, Lejeune, N’Sor, Vion). Os amistosos também deixaram claro que o time está longe do entrosamento ideal com as entradas de Riviriez no setor defensivo, do volante Cheikh Doukouré e do meia Guirane N’Daw. O jeito será depender dos gols de Sakho e da eficiência no meio-campo de Ahmed Kashi, jogador indispensável para Cartier.

Lens

Na temporada passada: 2º da Ligue 2
Técnico: Antoine Kombouaré
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: nenhuma (o clube está temporariamente proibido de contratar)
Destaque: Yoann Touzghar
Fique de olho: Pierrick Valdivia
Expectativa para a temporada: evitar o rebaixamento

A volta do Lens à Ligue 1 era para ser amplamente comemorada por sua torcida, mas a festa deu lugar à preocupação com os rumos da equipe nesta temporada. Tudo por conta do conturbado ambiente dos Sang et Or. A Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG) chegou a recusar a participação do Lens na Ligue 1 após o clube não oferecer as garantias financeiras para participar da competição. Depois de muitas negociações, o órgão reconsiderou sua decisão e deu o aval para o time entrar na elite. Só que o inferno ainda não havia acabado. O DNCG proibiu, de forma temporária, a contratação de reforços pelo Lens. O motivo: Hafiz Mammadov, empresário azeri e acionista majoritário do RCL, não depositou os € 4 milhões prometidos na conta do clube. O goleiro Gianluca Curci, o defensor Christopher Glombard e o meia Landry Nguemo, que haviam acertado com o Lens, devem esperar uma nova mudança para ter seus contratos ratificados e, enfim, vestirem a camisa.

Sem reforços e com sua folha salarial enquadrada, o Lens larga bem atrás dos concorrentes. Para piorar, o time ainda atuará longe de casa devido às reformas no Félix-Bollaert para receber a Eurocopa-2016. O RCL jogará 16 partidas em Amiens e outras três em Saint-Denis. Com tantos problemas, o técnico Antoine Kombouaré precisará mais do que nunca exacerbar seu lado disciplinador e extrair o máximo de um grupo muito limitado e enfraquecido – o goleiro Alphonse Aréola, melhor de sua posição na Ligue 2, foi um dos que deixaram os Sang et Or e seu clima de incertezas. Enquanto nada muda, Yoann Touzghar deve carregar o time nas costas. O atacante marcou 12 gols em 28 jogos na última Ligue 2.

Nice

Na temporada passada: 17º da Ligue 1
Técnico: Claude Puel
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Hult (M, Elfsborg/SUE), Vercauteren (M, Lierse/BEL), Delle (G, Cercle Brugge/BEL), K. Gomis (D, Nottingham Forest/ING), Bahoken (A, St-Mirren/ESC)
Destaque: Mathieu Bodmer
Fique de olho: Mouez Hassen
Expectativa para a temporada: evitar o rebaixamento

Em sua primeira temporada sob o comando de Claude Puel, o Nice escapou por muito pouco do rebaixamento. Um desempenho que quase colocou a perder o plano traçado pelo presidente Jean-Pierre Rivère – fazer o clube figurar entre os grandes dentro de quatro ou cinco anos. A preparação da pré-temporada, porém, já deixou os torcedores de cabelo em pé. Em cinco partidas, foram quatro derrotas e apenas um empate, com 12 gols sofridos. Muito pouco para quem deseja ter uma vida um pouco mais tranquila em 2014/15. E a situação parece ser mais delicada do que parece.

Para 2013/14, o Nice foi obrigado a lidar com a saída de Renato Civelli, um de seus líderes e mais experientes do elenco. A nova temporada foi mais cruel para o elenco do OGC. Jogadores de extrema importância para o time como Nemanja Pejcinovic, David Ospina e Fabrice Abriel trocaram de clube. Com as saídas deles, restam apenas Didier Digard e Mathieu Bodmer para liderar um grupo repleto de jovens. Fica a dúvida se esta inexperiência será compensada pela qualidade dos jogadores revelados pela base do Nice. Uma das principais esperanças está no gol. Com a despedida de Ospina e a grave lesão sofrida por Joris Delle, cabe a Mouez Hassen defender a meta do OGC e manter a boa linhagem do clube. Aos 19 anos, ele já conquistou o título da Copa Gambardella em 2012 e foi chamado para as seleções de base da França. As contratações dos Rouge et Noir seguem em ritmo morno e a diretoria promete algumas novidades, mas nada muito bombástico deve acontecer até o fim da janela.

Guingamp

Na temporada passada: 16º na Ligue 1
Técnico: Jocelyn Gourvennec
Competição europeia: Liga Europa (fase de grupos)
Principais contratações: Baca (D, Lorient), Jacobsen (D, Kobenhavn/DIN), Lössl (G, Midtjylland/DIN), Schwartz Nielsen (A, Randers/DIN), Cardy (M, Arles-Avignon), Angoua (D, Valenciennes), Marveaux (M, Newcastle).
Destaque: Sylvain Marveaux
Fique de olho: Younousse Sankharé
Expectativa para a temporada: evitar o rebaixamento

O EAG viveu uma temporada bipolar em 2013/14. Se sofreu para se manter na Ligue 1, o Guingamp conheceu o sucesso na Copa da França ao derrotar o Rennes na decisão e selou sua classificação para a Liga Europa. A presença em um torneio continental não ilude a direção do clube, que mantém o discurso humilde e evita a megalomania. As lições dos pequenos que se deram muito mal quando se encantaram com as ilusões europeias estão firmes. Por isso, a prioridade continua sendo a disputa da Ligue 1. O que vier nas copas nacionais ou na Liga Europa será lucro. Se quiser terminar a temporada de forma mais tranquila na elite, o time precisa resolver com urgência um problema grave: manter o controle de suas partidas até o fim e evitar gols bobos e que tiraram muitos pontos da equipe na última edição do torneio.

Ciente da necessidade de um elenco mais completo do que em 2013/14, o Guingamp foi às compras. Trouxe jogadores já conhecidos da Ligue 1 (Baca, Cardy e Angoua), com experiência continental (Marveaux, emprestado pelo Newcastle) e apostas da Dinamarca (Jacobsen, Lössl, Schwartz). A volta de Marveaux à França tem um quê de prova de fogo. O meia, que se destacou no Rennes, teve passagem bem discreta no futebol inglês e tenta recuperar o tempo perdido. Polivalente, o jogador tem a missão de comandar um time que busca evoluir, mas também deve reencontrar a confiança para, quem sabe, voltar a ser cogitado para defender a seleção francesa.

Montpellier

Na temporada passada: 15º na Ligue 1
Técnico: Rolland Courbis
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Dabo (M, Blackburn/ING), Gissi (D, Olimpo/ARG), Bérigaud (A, Évian), Lasne (M, Ajaccio)
Destaque: Kévin Bérigaud
Fique de olho: Morgan Sanson
Expectativa para a temporada: evitar o rebaixamento

O épico título da Ligue 1 em 2011/12, quando desbancou o Paris Saint-Germain, em nada se parece com o momento atual do MHSC. A sucessão de resultados ruins colocou o clube de volta ao anonimato na Ligue 1. Com a debandada de seus melhores jogadores, o Montpellier degringolou e flertou com o rebaixamento na temporada passada. A salvação veio com a chegada do treinador Rolland Courbis, que deu nova dinâmica ao time após a saída de Jean Fernandez. O técnico, agora, precisa ir além do seu trabalho de choque para cumprir os desejos do dono Louis Nicollin.

Uma das poucas estrelas do Montpellier em 2013/14, o meia-atacante Rémy Cabella deixou o clube (acertou com o Arsenal), deixando o time ainda mais órfão. O jeito será repetir a fórmula vencedora de 2011/12, quando apostou em uma promissora geração de jovens talentos. A responsabilidade recai sobre os ombros do meia Morgan Sanson e companhia. Aos 19 anos, Sanson tenta confirmar suas qualidades técnicas sem deixar se abalar pela pressão por bons resultados. Já Kévin Bérigaud chega ao MHSC com a missão de, finalmente, cessar a busca do clube por um camisa 9 eficiente desde a saída de Olivier Giroud. Na última temporada, Bérigaud, de 26 anos, marcou dez gols pelo ETG, mesmo atrapalhado por problemas físicos.

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