Depois de falarmos da parte inferior da tabela do Campeonato Francês, agora chegou a hora daquele grupo de times que mais do que tudo querem deixar o limbo. Pretendem encostar na parte de cima da tabela brigar por vagas europeias. Vamos à turma do meio da tabela da Ligue 1.

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Évian

Na temporada passada: 14º na Ligue 1
Técnico: Pascal Dupraz
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: B.Leroy (G, Tours), Nielsen (A, Rosenborg/NOR), Juelsgaard (D, Midtjylland/DIN), Camus (M, Genk/BEL), Sabaly (D, PSG), Bruno (A, Lille)
Destaque: Daniel Wass
Fique de olho: Cédric Mongongu
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

Na última temporada, o suspiro de alívio pela permanência na elite veio apenas na última rodada, em uma autêntica final diante do Sochaux. O Évian sobreviveu, apesar dos diversos problemas internos. Por isso, o time agora quer um 2014/15 marcado pela serenidade, tanto dentro como fora de campo. A guerra interna no clube levou a uma crise com a Danone, principal patrocinadora do ETG, mas os ânimos já foram apaziguados. Definitivamente instalado em seu novo centro de treinamentos e vivendo um clima de paz interior, enfim o Évian terá a chance de se concentrar única e exclusivamente no que acontece dentro das quatro linhas.

O elenco passou por um grande processo de reformulação. Vários jogadores que retornaram de empréstimos (casos de Sougou, Ruben, Bertoglio e Boccara) devem ganhar uma chance na equipe. Já alguns atletas em fim de contrato e com poucos minutos jogados (Túlio de Melo, Tié Bi, Ehret) encerraram seu ciclo com a camisa rosa. Mais uma vez, o ETG buscou reforços dinamarqueses e contratou o goleiro Leroy já de olho no futuro. O Évian confia em uma temporada mais regular de Daniel Wass para permanecer na Ligue 1. Em 2013/14, o meia se mostrou uma excelente opção ofensiva do time, com nove gols marcados (três deles em cobranças de falta, sua especialidade). Embora suas últimas partidas em 2013/14 tenham sido decepcionantes, o dinamarquês promete bons espetáculos.

Nantes

Na temporada passada: 13º na Ligue 1
Técnico: Michel der Zakarian
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Hansen (D, Esbjerg/DIN)
Destaque: Serge Gakpé
Fique de olho: Fernando Aristeguieta
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

O Nantes se prepara para viver uma temporada complicada. Punido pela Fifa devido ao seu envolvimento no ‘caso Bangoura’, no qual foi comprovado o aliciamento ao jogador, o clube mais uma vez terá que se virar com o cinto apertado e um elenco praticamente igual ao de 2013/14. Apesar das limitações, os Canários traçam planos ambiciosos e planejam uma participação mais do que honrosa nesta edição da Ligue 1. Para o FCNA, a prova de fogo de que execrou o fantasma da Ligue 2 será conseguir um lugar entre os dez primeiros colocados e, de novo, calar quem duvidou de sua força.

Kian Hansen se tornou a única cara nova do elenco. O defensor dinamarquês foi contratado em janeiro do ano passado, um pouco antes da punição imposta pela Fifa. Ele foi emprestado ao Esbjerg às pressas e agora poderá atuar pelos Canários. Por outro lado, o Nantes sofreu uma perda considerável. Filip Djordjevic, capitão e artilheiro do clube na última Ligue 1 com nove gols, buscou novos ares e acertou com a Lazio. Com uma opção de pouco peso com Shechter, praticamente todas as esperanças de gols do time recaem sobre os ombros de Serge Gakpé. Vice-artilheiro do FCNA em 2013/14, com oito gols na Ligue 1 (seu recorde pessoal desde sua estreia no torneio em 2005/06), o atacante tenta conseguir a regularidade que lhe faltou nos anos anteriores para conduzir a equipe a momentos de tranqüilidade.

Rennes

Na temporada passada: 12º na Ligue 1
Técnico: Philippe Montanier
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Sané (A, Laval), Ngando (M, Auxerre), Allée (M, Auxerre), Hamel (1º contrato profissional), Hosiner (A, Austria Viena/AUS), Mexer (D, Nacional/POR), Zajkov (D, Rabotnicki/MAC), Sorin (G, Auxerre), André (D, Ajaccio), Pedro Henrique (M, Zürich/SUI), Brüls (M, La Gantoise/BEL), Prcic (M, Sochaux)
Destaque: Paul-Georges Ntep
Fique de olho: Ola Toivonen
Expectativa para a temporada:

Todos se acostumaram a ver o Rennes nadar e morrer na praia em edições recentes da Ligue 1. O time pintava como um forte concorrente a uma vaga para a Liga dos Campeões, mas tinha que se contentar com uma classificação para a Liga Europa ou algo perto disso. Em 2013/14, a vida foi bem mais dura para os bretões. Em processo de transição após a era Antonetti, o clube partiu para uma segunda etapa após um período de vacas magras. As mudanças foram catalisadas pela derrota para o Guingamp na final da Copa da França. Frédéric de Saint-Sernin deixou a presidência do clube, agora ocupada por René Ruello. Ele já ocupou o cargo duas vezes e chegou com tudo: adquiriu 20% do clube, que era gerenciado exclusivamente pela família Pinault desde 1998.

Para sua segunda temporada à frente da equipe, o técnico Philippe Montanier tem a liberdade de trabalhar como um manager à inglesa. O resultado foi uma intensa participação do Rennes na janela de transferências. Com tantas caras novas, Paul-Georges Ntep precisará mostrar serviço. O atacante, contratado em janeiro, mostrou seu valor ao marcar cinco gols e dar uma assistência na parte final da última temporada. O jovem, de 22 anos, disse que seu estilo de jogo “é o de provocar”. Com passagens pelas seleções francesas de base, Ntep sonha em manter sua evolução para chamar a atenção de Didier Deschamps e cavar uma vaguinha entre os Bleus.

Stade Reims

Na temporada passada: 11º na Ligue 1
Técnico: Jean-Luc Vasseur
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Vasseur (T, Créteil), Bourillon (D, Lorient), Moukandjo (A, Nancy), Conte (D, PSG), Peuget (M, Châteauroux), Benedick (A, Strasbourg)
Destaque: Prince Oniangue
Fique de olho: Aïssa Mandi
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

Em sua terceira temporada consecutiva na Ligue 1, o Stade Reims mantém os pés no chão e traça objetivos modestos. O próprio presidente do clube disse que se contenta com uma permanência tranquila na Ligue 1 para 2015/16 e, quem sabe, tentar alguma coisa em uma copa nacional. Os resultados na pré-temporada foram pouco animadores. Em cinco partidas, nenhuma vitória e apenas um gol marcado. Um desempenho que se assemelha mais ao terrível fim de temporada, quando somou apenas um triunfo nas onze rodadas finais , do que ao excelente início de campanha, quando flertou com as primeiras colocações.

A diretoria do SR sabe muito bem qual a principal deficiência do time: a ineficiência do setor ofensivo. Para tentar corrigir isto, o clube trouxe o treinador Jean-Luc Vasseur, conhecido por sua veia voltada ao ataque, e mudou toda a comissão técnica. A saída do volante polonês Grzegorz Krychowiak, líder do time, obriga o Stade Reims a se reorganizar em campo. A permanência do meia Prince Oniangue, artilheiro da equipe com 10 gols em 35 jogos na última Ligue 1, certamente terá papel fundamental para o SR encontrar a regularidade. Vale lembrar também que o clube já pode se orgulhar de seu novo centro de treinamento, com a esperança de revelar novos talentos e resgatar seu estilo de jogo vistoso.

Bastia

Na temporada passada: 10º na Ligue 1
Técnico: Claude Makélélé
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Makélélé (T), Peybernes (D, Sochaux), Ayité (M, Reims), Maboulou (M, Châteauroux), Gillet (D, Anderlecht/BEL), Apodi (M, Querétaro/MEX), Kikabidze (M, Lokomotiv Tblisi/GEO), Areola (G, PSG), Tallo (A, Roma/ITA)
Destaque: Alphonse Areola
Fique de olho: El-Hadji Ba
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

O décimo lugar na última Ligue 1 surpreendeu até o mais fanático torcedor do Bastia. O rebaixamento do Ajaccio completou o clima de festa no clube, mas chegou a hora de virar a página e evitar que este desempenho seja apenas um ponto fora da curva. A prudência se tornou a palavra de ordem no SCB, principalmente devido às mudanças pelas quais o time passou. A principal delas está no banco de reservas. Claude Makélélé começa sua carreira como treinador profissional e isto, por si só, já mostra como o Bastia pode mergulhar no desconhecido.

Quase metade do elenco foi renovado. Jogadores importantes se aposentaram (Landreau, Sablé) e boas opções ofensivas foram embora (Khazri, Bruno, Raspentino, Krasic, Maoulida, Ilan). Com um orçamento pequeno para cobrir tantas baixas, o Bastia fez algumas apostas para tentar manter o nível de seu grupo. O ponto alto do mercado do clube corso atende pelo nome de Alphonse Areola. Melhor goleiro da Ligue 2 em 2013/14, o jovem de 21 anos chega com a complicada missão de substituir Landreau à altura. Pela qualidade demonstrada com a camisa do Lens, dá para se esperar a mesma segurança na posição. Ainda falta repor as perdas do ataque, o que deve dificultar o caminho do SCB nesta temporada.

Toulouse

Na temporada passada: 9º na Ligue 1
Técnico: Alain Casanova
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Spano (D, Pennoise), Grigore (D, Dinamo Bucareste/ROM), Tisserand (D, Monaco), William Matheus (D, Palmeiras/BRA), Pesic (A, Jagodina/SER), David (A)
Destaque: Wissam Ben Yedder
Fique de olho: Aleksandar Pesic
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

Os Violetas se acostumaram a ficar no chove-não-molha nas últimas cinco temporadas. Para 2014/15, espera-se por uma ruptura desta rotina – mas para a pior. Com um orçamento reduzido (€ 31 milhões, € 2 milhões a menos do que 2013/14), o Toulouse pensa primeiro em fugir do rebaixamento para só depois pensar em algo maior. O técnico Alain Casanova admite que uma de suas principais preocupações para esta Ligue 1 será fazer o time atuar de uma maneira mais eficiente e atraente para seus torcedores.

O TFC reforçou a ideia de ser um fabricante de talentos e também um bom negociador, até por suas restrições orçamentárias. O melhor exemplo recente: o defensor Serge Aurier, melhor jogador do time em 2013/14, foi emprestado ao Paris Saint-Germain (com opção de compra de € 10 milhões). O Toulouse caprichou na hora de contratar e foi ao exterior para trazer seus principais reforços, em um trabalho intenso realizado pelo diretor esportivo Ali Rachedi. O clube recorreu ao leste europeu e campeonatos pouco visados para se fortalecer e tentar uma carta na manga, após as apostas pouco frutíferas da temporada passada. Wissam Ben Yedder agradece: o atacante agora terá a companhia do sérvio Aleksandar Pesic e do dinamarquês Martin Braithwaite para continuar sua evolução.

Lorient

Na temporada passada: 8º na Ligue 1
Técnico: Sylvain Ripoll
Competição europeia: nenhuma
Principais contratações: Jeannot (A, Nancy), Mesloub (M, Le Havre), Autret (M, Caen), Lecomte (G, Dijon), Mulumba (M, Dijon), Touré (D, Bourg-Péronnas), Diallo (M, Rennes), Le Goff (D, Istres), Ayew (A, Olympique de Marselha)
Destaque: Jordan Ayew
Fique de olho: Lamine Gassama
Expectativa para a temporada: ficar no meio da tabela

Uma nova era bate às portas do Lorient. O técnico Christian Gourcuff deixou a equipe (de forma litigiosa, é bem verdade) após conduzi-la a dois oitavos lugares nas últimas edições da Ligue 1. Apesar da confiança adquirida com estes ótimos desempenhos, o clima de incerteza paira sobre os Merlus. O presidente Loïc Féry recorreu a uma solução interna e confirmou Sylvain Ripoll no cargo. A escolha tem embasamento: dificilmente alguém conhece mais o Lorient do que ele – afinal, foram oito anos como jogador do time e outras onze temporadas como assistente de Gourcuff.

Ripoll sabiamente manterá a linha de trabalho bem sucedida de Gourcuff. Nas palavras do novo treinador, seria “uma estupidez” mudar o plano traçado por alguém com quem conviveu por tanto tempo. Em outras palavras, espera-se um Lorient com seu estilo de troca intensa de passes e prioridade para a posse de bola. Tais características se encaixam com perfeição à forma de jogar de Jordan Ayew, que deixou o Olympique de Marselha em busca de mais tempo de jogo. A se julgar por seu desempenho na última Copa do Mundo, os Merlus devem se preparar para bons jogos.