A demissão de Julen Lopetegui pela seleção espanhola envolve erros de diferentes lados. Nesta sexta-feira, pela primeira vez o treinador comentou o episódio. E, mais do que isso, foi apresentado como o novo técnico do Real Madrid. Falou sobre o seu compromisso com o novo desafio e, entre alegrias e tristezas, claramente emocionou-se ao abordar o episódio. Não demonstrou qualquer mágoa com os jogadores da Roja, embora em diversos momentos tenha alfinetado a postura de Luis Rubiales, presidente da federação espanhola.

“Amanhã verei a partida, sem dúvidas. Torcerei como um espanhol a mais e estou seguro de que vamos fazer uma Copa magnífica e trazer a traça, apesar de tudo. Eu gostaria que Rubiales tivesse atuado de outra maneira. A lealdade é dizer a verdade. Enquanto havia o que dizer, o primeiro a saber é ele. Eu queria dar uma coletiva de imprensa no mesmo dia, mas tinha que esperá-lo porque ele estava longe. O acordo precisava ser fechado antes, não durante o Mundial”, afirmou o treinador.

“O que se passou nestas horas eu não sei. Eu, como treinador, não queria ocultar nada. Os jogadores souberam, não houve problema, treinaram magnificamente. Esse grupo de jogadores é excelente, passaram por situações difíceis. Tivemos quatro presidentes na federação, mas com a força deste grupo voltaremos a ser campeões do mundo. Não acredito que seja preciso dar mais detalhes. Está claro que há muitos precedentes. Só nos moveu ser transparentes. Tomara que tenhamos um pouco de sorte que falta para ganhar uma Copa. Eu me senti responsável por um grupo maduro e do qual me sentia orgulhoso. Respeito ao máximo os jogadores da seleção. Estamos convencidos de que o que fizemos foi honesto e claro. Mudaria a reação do presidente, mas isso é um exercício de utopia”, complementou.

Ao comentar a reação dos jogadores, Lopetegui negou que existia um grupo contrário à sua decisão, como noticiaram diferentes veículos da imprensa espanhola: “Havia uma felicitação, um tom cordial, uma reunião prevista. O que se passou depois eu não sei. Sou leal às minhas responsabilidades, isso aprendi no Real Madrid e vou ser assim durante toda a minha vida. Agora cabe concentrar-me no próximo desafio e começar a trabalhar já”.

Ao falar sobre o Real Madrid, Lopetegui ressaltou o seu histórico no clube, do qual foi jogador, além de olheiro e treinador do segundo quadro. Afirmou mesmo ser o dia mais feliz da vida.

“Espero não me emocionar, porque é um dia para isso. Vou dizer o que quero. O primeiro é agradecer ao presidente pela confiança, uma responsabilidade que assumo com orgulho e muita força. Vamos dar o melhor para tratar de estar à altura da equipe e inclusive melhorá-la. Eu me sinto capacitado para o trabalho. Sinto desde que entrei na cidade desportiva essa força que acompanha o Real Madrid, vamos utilizá-la para seguir crescendo futebolisticamente, gerindo o grande patrimônio de jogadores”, declarou.

“Gostaria de reiterar os agradecimentos a todos, eu me sinto parte da família. Desde a morte da minha mãe, ontem foi o dia mais triste da minha vida. Mas hoje é o dia mais feliz. Quando cheguei aqui com 18 anos, tive sorte de ser jogador do Castilla, do time principal, de aprender os valores, a lealdade. Tenho muito claro o que é a lealdade. Tive sorte de treinar o Castilla e agora o Real Madrid. É um ciclo cumprido, estou muito feliz”, finalizou. Segundo suas palavras, a partir desta sexta já começará a compartilhar a rotina no CT merengue.