Gol da Argentina! Após cobrança de falta, Kolasinac marcou contra as próprias redes

Argentina 2×1 Bósnia-Herzegovina: O único show argentino veio das arquibancadas

A CRÔNICA

Durante a preparação para a Copa, antes de viajar ao Brasil, Javier Mascherano havia dito que a Albiceleste estaria em território inimigo. Pois se o país-sede é território inimigo para os hermanos, o Maracanã foi a embaixada argentina neste domingo. O estádio estava completamente lotado e, com exceção de alguns pontos amarelos de brasileiros e outros de um azul mais escuro bósnio, a grande maioria era mesmo do azul claro argentino. E foi com esse apoio que os comandados de Sabella venceram sua estreia na Copa do Mundo de 2014: 2 a 1 sobre a Bósnia.

Os argentinos foram para cima desde o início e não tardaram a abrir o placar. Em bola parada na ponta esquerda, Messi levantou na área, Rojo desviou de cabeça, e o lateral esquerdo Kolasinac se tornou o terceiro azarado a fazer um gol contra nesta Copa, desviando a trajetória da bola para o fundo de sua própria meta. Após o tento, a Argentina não pressionou tanto os bósnios para tentar o segundo gol, mas aparecia de vez em quando no ataque, especialmente com Messi.

O momento do primeiro gol da Argentina

O momento do primeiro gol da Argentina

Por volta dos 25 minutos do jogo, no entanto, a Bósnia-Herzegovina passou a ganhar terreno no jogo e a atacar mais a Argentina que o contrário. Entretanto, nada que criasse um problema real para Sergio Romero no gol. Ainda assim, o maior número de jogadas ofensivas bósnias que da Albiceleste depois da metade do primeiro tempo era um ótimo indício do crescimento na partida, com o ápice chegando aos 40 minutos da etapa inicial, quando Lulic forçou o goleiro argentino a executar uma bela defesa para impedir o gol de empate de cabeça do meio-campista.

Os primeiros 45 minutos da seleção argentina foram os mais frustrantes da Copa até o momento, levando-se em conta a proporção de expectativa/entrega das equipes. Os bósnios perceberam que, pelo menos nesse jogo, os sul-americanos não estavam sendo o bicho-papão que tanto pareciam. Foram, então, perdendo o medo e passando a dominar o jogo. O apito de Joel Aguilar salvou os argentinos, pois a impressão era de que o gol da Bósnia já havia amadurecido o bastante e estava pronto para finalmente acontecer.

Diante de um primeiro tempo fraco tecnicamente, o maior destaque ficou mesmo por conta das arquibancadas, que tiveram 74738 pessoas, o maior público da Copa até agora. Argentinos claramente frequentadores de estádios e brasileiros que foram ao jogo para secar os rivais faziam uma bela disputa de cânticos. Os anfitriões tentavam abafar as provocações dos hermanos, que respondiam com fortes vaias. Vendo pela televisão era possível notar que a atmosfera deveria estar fantástica.

A conversa de vestiário não ajudou nem um pouco a Argentina, que voltou para o segundo tempo com as mesmas dificuldades. A Bósnia seguiu dominando o jogo e merecendo o empate, mas falhando em criar chances efetivas de gol. Messi, Agüero e Di María seguiram com atuações apagadas, e nem mesmo as alterações feitas por Sabella antes da volta para o campo, voltando para o 4-3-3 habitual com a entrada de Higuaín e Gago, surtiram efeito nos primeiros 15 minutos da segunda etapa.

Esse era o cenário do jogo, até uma jogada de Messi ser o divisor de águas. Partindo de trás, o camisa 10 tabelou com Higuaín, foi trazendo para a perna esquerda e bateu com precisão, rasteiro, no canto direito de Begovic, com a bola beliscando a trave antes de morrer na rede do lado contrário. Na comemoração, nada de dedos para o alto: Messi explodiu, com os punhos cerrados, como quem acaba de dar uma resposta às críticas – ou a ele mesmo e à partida fraca que fazia até então.

Messi comemora o seu gol no Maracanã

Messi comemora o seu gol no Maracanã

Depois disso, a Bósnia sentiu muito o golpe e não mais atacou os argentinos. Já Messi cresceu, e seus companheiros de ataque, consequentemente, também. A entrada de Higuaín, para ser um pivô no setor, possibilitou a maior troca de passes lá na frente e a criação de mais jogadas. Eventualmente, com a necessidade de ir atrás do resultado, o Bósnio voltaram a aparecer para o jogo, mas não de maneira controladora como em parte do duelo. As chances apareciam para os dois lados, e Vedad Ibisevic conseguiu diminuir para os bósnios, mas parou por aí. Faltou perna para os comandados de Susic nos minutos finais.

Deste modo, muito mais difícil que o esperado, a Argentina passou pelo teste mais cascudo que deverá ter nessa fase de grupos. Os próximos adversários, Irã e Nigéria, não têm o mesmo nível que os bósnios e é improvável que ofereçam tanta resistência quanto os estreantes em Copas do Mundo fizeram no Maracanã. Pela qualidade dos jogadores ofensivos argentinos e pelo nível que temos visto no Mundial desde a quinta-feira, esperava-se um show dos hermanos. O show veio, mas das arquibancadas, porque em campo o salto de qualidade terá que ser grande para que sejam correspondidas as expectativas. Começar pelo 4-3-3 que deu equilíbrio ao time já seria um bom começo, Sabella.

FICHA TÉCNICA

ARGENTINA

Argentina escudoSergio Romero; Ezequiel Garay, Hugo Campagnaro (Fernando Gago, intervalo) e Federico Fernández; Pablo Zabaleta, Maxi Rodríguez (Gonzalo Higuaín, intervalo), Javier Mascherano, Ángel Di María e Marcos Rojo; Lionel Messi e Sergio Agüero (Lucas Biglia, 42′/2T). Técnico: Alejandro Sabella

BÓSNIA-HERZEGOVINA

Bosnia escudoAsmir Begovic; Mensur Mujdza (Vedad Ibisevic, 24′/2T), Ermin Bicakcic, Emir Spahic e Sead Kolasinac; Muhamed Besic, Izet Hajrovic (Edin Visca, 26′/2T), Miralem Pjanic, Zvjezdan Misimovic (Haris Medunjanin, 29′/2T) e Senad Lulic; Edin Dzeko. Técnico: Safet Susic

Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro

Árbitro: Joel Aguilar (SLV)

Gols: Kolasinac (contra), 3’/1T

Cartões amarelos: Rojo e Spahic

Cartões vermelhos: nenhum

OS GOLS

3’/1T: GOL DA ARGENTINA

Messi cobra falta dentro da área, Marcos Rojo desvia para o segundo pau, e Kolasinac, contra, desvia para o gol.

20’/2T: GOL DA ARGENTINA

Lionel Messi tabela com Higuaín, leva a bola para o centro e bate rasteiro, no canto direito de Begovic, contando com um desvio na trave para fazer 2 a 0.

39’/2T: GOL DA BÓSNIA-HERZEGOVINA

Vedad Ibisevic recebe em profundida de Lulic e bate rasteiro, na saída de Romero, mandando a bola entre as pernas do goleiro argentino para diminuir para 2 a 1.

O CARA

Lionel Messi, no geral, fez uma partida muito abaixo do esperado, mas, por falta de outros destaques individuais, é o destacado aqui. Por isso e, é claro, por ter mudado o panorama na partida com seu gol, dando à Argentina maior confiança. Apesar de errar algumas jogadas, foi o que mais tentou algo diferente enquanto a Albiceleste estava estagnada, mesmo sem tanto sucesso. A explosão depois de ampliar para 2 a 0 foi o ponto alto do jogo, uma mudança de paradigma na partida.

A TÁTICA
Escalações iniciais de Argentina e Bósnia-Herzegovina

Escalações iniciais de Argentina e Bósnia-Herzegovina

Surpreendentemente, Sabella preferiu começar o jogo com um 3-5-2 em vez do 4-3-3 que vinha usando nos últimos tempos. Com isso, o time perdeu a referência no ataque, Gonzalo Higuaín, o que influenciou na falta de criatividade no primeiro tempo. Eventualmente, com a entrada de Gago e Higuaín e o retorno ao esquema mais utilizado, a Albiceleste melhorou. Já a Bósnia começou no 4-5-1, encolhida, mas com o passar do tempo se soltou mais e dominou parte do jogo, normalmente buscando Dzeko no último passe.

A ESTATÍSTICA

623

Minutos que Messi ficou em campo em Copas do Mundo sem marcar nenhum gol. O  último (e único gol em Copas até então) havia sido na vitória por 6 a 0 sobre Sérvia e Montenegro, na Copa de 2006.