Messi marcou duas vezes contra a Nigéria (AP Photo/Jon Super)

Argentina 3×2 Nigéria: entre o poder decisivo de Messi e as emoções da defesa

A crônica

A Argentina tem um time montado para um drama. Um craque, capaz de decidir jogos, um dos melhores, se não o melhor jogador do mundo, ao mesmo tempo que a defesa proporciona grandes emoções dando espaços e apresentando falhas. Contra a Nigéria, em Porto Alegre, a multidão de argentinos viveu as duas faces de uma Argentina que ninguém sabe bem até onde pode ir. Os 3 a 2 deixam a impressão que Lionel Messi é, cada vez mais, o jogador que decide jogos que se espera dele na albiceleste, mas também que a defesa pode comprometer a ponto de um dia não ser suficiente ter um camisa 10 genial. Duas faces de um time que pode ir ao céu, mas também pode cair ao inferno.

O confronto com a Nigéria inevitavelmente lembrava de 2010, quando o goleiro Enyema parou Messi das mais diversas formas, com o gol da vitória saindo só no finalzinho e através de Heinze. Desta vez, Messi balançou as redes do bom goleiro nigeriano logo a três minutos. Um início dos sonhos para os argentinos, mas que logo teve um choque de realidade, com o empate da Nigéria em uma falha defensiva.

A Argentina não perdeu o controle do jogo, mas tomou sustos. Vencia por 2 a 1, mas no início do segundo tempo tomou um gol. Não deu tempo de ter qualquer descontrole. Logo desempatou com um gol de joelho de Rojo e o ritmo do jogo rapidamente diminuiu. Messi deixou o gramado, já consagrado com seus dois gols. É claro que o jogo poderia complicar, mas a Argentina tinha força suficiente para manter a vitória contra a Nigéria, como manteve.

Sem Messi, Sabella tentou fazer o time se fechar mais. Di María ficou mais à frente, mas ele fecha mais os espaços que Agüero, Lavezzi ou Higuaín. A Nigéria também não ofereceu um grande teste, até por saber que a Bósnia vencia com tranquilidade o Irã, o que dava a classificação aos iranianos mesmo com a derrota. O resultado, naquele momento, estava satisfatório para os dois lados.

A Argentina ainda tem problemas a resolver. Não por depender de Messi, mas pçor ter poucas alternativas ao jogo do seu camisa 10. Di María deu sinais que pode exercer um papel mais importante do que teve nos dois primeiros jogos. Higuaín ainda está longe de ser o que se espera dele, mas já melhorou o seu nível. A albiceleste ainda parece travada e abaixo do seu potencial. Isso, é claro, é relevante, mas é agora que o time precisará mostrar mais futebol e mais caráter. Porque é no mata-mata que surgem os campeões mundiais.

A Nigéria não deve durar muito na Copa, ao menos se a França confirmar o seu bom futebol e o favoritismo. A Argentina tem tudo para ir longe. Deve enfrentar a Suíça na próxima fase, mas pode ser também o Equador ou, ainda mais difícil, Honduras. Nenhum destes times é forte o suficiente para assustar os argentinos. O time de Sabella deve temer, neste momento, suas próprias falhas defensivas. Porque Messi tem dado todos os sinais que nele dá para confiar tranquilamente.

FICHA TÉCNICA

Nigéria 2×3 Argentina

Nigéria

Vincent Enyeama; Efe Ambrose, Joseph Yobo, Kenneth Omeruo e Juwon Oshaniwa; Ogenyi Onazi e John Obi Mikel; Peter Odemwingie (Uche Nwofor, 35′/2T), Michel Babatunde (Michael Uchebo, 21′/2T) e Ahmed Musa; Emmanuel Emenike. Técnico: Stephen Keshi

Argentina

Sergio Romero; Pablo Zabaleta, Federico Fernández, Ezequiel Garay e Marcos Rojo; Javier Mascherano, Fernando Gago e Ángel Di María; Lionel Messi (Ricardo Álvarez, 17′/2T), Sergio Agüero (Ezequiel Lavezzi, 38′/1T) e Gonzalo Higuaín (Lucas Biglia, 45′/2T). Técnico: Alejandro Sabella

Local: Beira-Rio, em Porto Alegre
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Gols: Messi, 3’/1T, Musa, 4’/1T, Messi, 47’/1T, Musa, 2′/2T, Rojo, 5′/2T
Cartões amarelos: Omeruo, Oshaniwa
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

 Lionel Messi

Como não destacar o camisa 10? Dois gols, chegando a quatro na Copa e se igualando a Neymar na artilharia do torneio. Um deles um belo gol de falta. Foram quatro chutes a gol, sendo três deles no alvo. O futebol da Argentina não é vistoso, nem o funcionamento do time é fantástico, mas Messi é de uma eficiência incrível e, ao mesmo tempo, de uma magia própria. É capaz de tirar chutes decisivos com o menor espaço. Temer Messi é mais do que necessário. É inteligente. Ele é potencialmente o jogador mais decisivo da Copa.

Os gols

3’/1T: GOL DA ARGENTINA!

Di María recebeu pela esquerda e chutou, Enyama defendeu, a bola bateu na cabeça do goleiro, na trave, e voltou para o meio da área, Messi apareceu no meio da área para encher o pé e abrir o placar.

4’/1T: GOL DA NIGÉRIA!

Contra-ataque rápido da Nigéria, Babatunde abriu para Musa, na esquerda, que recebeu, puxou para dentro e bateu no canto do goleiro Romero.

47’/1T: GOL DA ARGENTINA!

Cobrança de falta perfeita de Messi, no ângulo. Enyeama só olhou e a bola foi na gaveta. A Argetina fica na frente de novo.

2’/2T: GOL DA NIGÉRIA!

Musa arrancou com a bola, tocou para Emenike, que devolveu para Musa entrar livre dentro da área e tocar para o fundo do gol. É o empate da Nigéria.

5’/2T: GOL DA ARGENTINA!

Cobrança de escanteio do lado esquerdo, Garay tocou de cabeça e Rojo, de joelho, botou para dentro.

A Tática

Nigéria x Argentina

Os dois técnicos resolveram manter seus esquemas táticos da última partida. Keshi manteve a Nigéria com o seu 4-2-3-1, usando muito a velocidade de Musa pelo lado esquerdo e a boa capacidade de segurar a bola de Emenike pelo centro do ataque. Os volantes também tiveram boa atuação com Onazi e Mikel, mas nenhum deles foi capaz de conter Di María, um dos mais importantes do time argentino. A Argentina com Messi como um enganche foi perigosa, mas com a sua saída no segundo tempo, fazendo um 4-4-2, não foi tão perigosa assim.

A Estatística

48

Número de chutes a gol da Argentina na primeira fase da Copa, o maior até aqui entre todas as seleções. A média é de 33,3, o que mostra como o time argentino ao menos chuta a gol. Falta um futebol melhor, mas o time não pode ser acusado de não tentar chutar.


Última rodada do Grupo F. A Argentina já está classificada, mas a primeira posição no grupo não está garantida. Precisa vencer ou empatar com a Nigéria. Uma vitória africana coloca as Águias na liderança da chave e coloca os argentinos no caminho da França nas oitavas de final. Para os nigerianos, a briga não é apenas pela primeira posição. Uma derrota, combinada com uma vitória do Irã contra a Bósnia-Herzegovina, pode dar aos asiáticos a segunda vaga da chave no mata-mata.