Ao longo dos últimos anos, o Brasil tem penado para fazer o seu favoritismo valer na Copa Libertadores. O poderio econômico não vem sendo suficiente para levar as equipes do país ao título – aliás, sequer às decisões. Nenhuma das últimas três edições do torneio continental tiveram um time brasileiro na final, e os argentinos se aproveitaram da brecha, com dois títulos. Já nas próximas semanas, os embates entre os dois países podem reger a sequência dos mata-matas. Os dois primeiros representantes da Argentina já se garantiram nas quartas de final: depois de abrirem vantagem fora de casa, Lanús e River Plate ratificaram seus lugares entre os oito melhores clubes da América do Sul nesta terça-feira.

O Lanús foi quem mais sofreu, ao receber o Strongest em La Fortaleza. O empate por 1 a 1 na visita a La Paz era uma ajuda, mas não uma garantia. Por isso mesmo, os grenás partiram para cima dos visitantes. E desperdiçaram ótimas chances, que poderiam ter definido o confronto muito antes. O gol da vitória por 1 a 0 só saiu aos 39 do segundo tempo, com José Sand, e em um momento no qual os aurinegros pressionavam demais em busca do empate. Um golzinho do Tigre poderia ter levado a decisão para os pênaltis, só que a bola insistiu em não entrar – parte pelo esforço dos argentinos, enquanto outra também por falta de competência dos bolivianos. Mais na sorte do que no juízo, os anfitriões se garantiram na etapa seguinte da Libertadores.

O River Plate, por sua vez, estava em uma situação bem mais confortável. A vitória por 2 a 0 na visita a Assunção encaminhava a festa no Monumental de Núñez. Mesmo assim, os torcedores precisaram aguardar, porque o Guaraní não se entregou tão fácil. Por mais que o River fosse superior, os aborígenes abriram o placar pouco antes do intervalo, em cruzamento que Marcelo Palau completou para as redes. Já na etapa complementar, correndo um risco de verem a ressurreição dos adversários com um gol, os argentinos partiram para cima e buscaram o empate logo aos sete, graças a Javier Pinola, em lance confuso com Lucas Alario. O tento dava mais tranquilidade aos anfitriões, que trataram de controlar o jogo, apesar dos últimos suspiros dos paraguaios. Não deu certo. A comemoração ficou em casa dentro do Monumental.

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Entre os dois classificados, o River Plate é quem investiu mais pensando na fase final da Copa Libertadores. Embora tenham perdido jogadores na janela de transferências, especialmente Sebastián Driussi, os Millonarios buscaram reforços para a sequência da campanha. Germán Lux, Javier Pinola e Enzo Pérez figuraram entre os titulares contra o Guaraní, Ignacio Scocco entrou no segundo tempo neste jogo de volta e ainda há o promissor Rafael Santos Borré, colombiano trazido do Atlético de Madrid nos últimos dias. Sem dúvidas, o elenco comandado por Marcelo Gallardo está mais forte do que na primeira fase. E deverá ter um teste maior na próxima etapa, contra Atlético Mineiro ou Jorge Wilstermann.

Se não entrou sedento no mercado, apenas com reforços pontuais, o Lanús possui como grande trunfo a base entrosada há tempos – e desde outros momentos do clube, com jogadores que saíram e voltaram de La Fortaleza. É exatamente essa tarimba de um grupo experiente, que se conhece tão bem, que vem fazendo a diferença para os grenás. Passaram em um grupo razoavelmente equilibrado e desbancaram a boa campanha do Strongest com certa folga. Já nas quartas de final, podem ver o equilíbrio aumentar, aguardando o classificado do confronto entre San Lorenzo e Emelec.

As chances de um argentino avançar às semifinais são consideráveis, especialmente após a vitória dos cuervos no jogo de ida, anotando 1 a 0 em Guayaquil. E o River Plate, por mais que deva enfrentar uma carne de pescoço nas quartas de final, vem forte não somente por aquilo que produz em campo. Se nos últimos anos os vizinhos ocuparam a lacuna deixada pelos brasileiros no topo do pódio, desta vez os embates tendem a ser diretos – desde que, claro, os representantes do Brasil cumpram a sua parte, o que não se mostra tão simples desde já. De qualquer forma, esses “clássicos” podem dar mais cor a uma Libertadores já marcante por todas as suas mudanças.