Ninguém imaginava que seria fácil, mas a Argentina levou o emocional dos torcedores ao limite. Arrancou uma vitória muito sofrida contra a Nigéria por 2 a 1, com um gol aos 40 minutos do segundo tempo de Marcus Rojo, e se classificou às oitavas de final. O time, muito modificado na sua escalação e no modo de jogar, fez um ótimo primeiro tempo, com gol de Messi e passe de Banega, mas sofreu o empate no segundo e voltou a apresentar os mesmos problemas. Desorganizado, tenso, o time pareceu ter poucas ideias sobre como arrancar a classificação. Teve que ser no abafa, como muitas vezes aconteceu nesta Copa do Mundo. E foi com um gol sofrido mesmo, mas a Argentina avançou e terá um jogaço pela frente no próximo sábado, para abrir as oitavas de final.

Volta ao básico

Com tanta pressão e, segundo jornais como o Clarín, a pedido dos jogadores, o técnico da Argentina, Jorge Sampaoli, decidiu fazer o básico. Armou o time de modo mais parecido com, por exemplo, a equipe que foi até a final da Copa em 2014. Trouxe vários nomes pesados ao time titular, em um 4-3-3. Messi, assim, passou a tocar muito mais na bola. Saindo da ponta direita para dentro, ele tinha muita liberdade de movimentação.

Meio-campo vivo

Banega foi titular pela primeira vez na Copa. É um jogador de passe mais apurado e ficou ao lado de Enzo Pérez, à frente de Mascherano, como jogadores para articular o jogo argentino. Foi dos pés dele que surgiu o lançamento longo aos 14 minutos para a direita, encontrando Messi. O camisa 10 dominou sem dificuldade, na coxa, e finalizou com o pé direito, cruzado: 1 a 0 para a Argentina. O primeiro gol de Messi.

Depois, aos 35 minutos, Banega fez outro lançamento preciso, desta vez para o lado esquerdo, para a velocidade de Di María. O atacante arrancou com a bola e acabou derrubado por Balogun, que tomou cartão amarelo. Na cobrança da falta, Lionel Messi chutou no canto do goleiro, colocado, e acertou a trave. Um lance perigosíssimo.

Messi comemora o seu gol pela Argentina (Foto: Getty Images)

Erro de Mascherano

Logo a três minutos do segundo tempo, a Argentina colocou tudo a perder. Em uma cobrança de escanteio, Javier Mascherano abraçou e derrubou Balogun. O volante argentino reclamou, pediu para que fosse revisado pelo VAR. Cuneyt Çakir falou no comunicador, não sabemos se com os assistentes ou com o pessoal do VAR, e, alguns segundos depois, confirmou o pênalti. Victor Moses cobrou com categoria e marcou: 1 a 1, aos seis minutos do segundo tempo. Um gol que jogou um balde de água fria no time e na torcida argentina.

Nervosismo

Depois de tomar o gol logo no começo do segundo tempo, os argentinos sentiram, mentalmente, nos minutos seguintes. Passaram a errar mais passes e até domínios fáceis o time errou, com Di María errando um lance fácil. A torcida, nas arquibancadas, também sentiu nos minutos seguintes, ficando mais quieta. O clima era de tensão.

Higuaín

Gol perdido por Higuaín? Tem sim. No primeiro tempo, ele recebeu um bom passe de Messi, mas desperdiçou. No segundo tempo, com o leite já entornado, Higuaín teve uma grande chance em um cruzamento rasteiro da esquerda que passou por todo mundo, mas acabou chutando de pé esquerdo por cima do gol.

Todos no ataque

Precisando da vitória a qualquer custo, Sampaoli fez alterações muito ofensivas. Primeiro, 10 minutos depois do gol, aos 16, tirou Enzo Pérez e colocou Pavón, que entrou bem no jogo, causando problemas com sua velocidade e habilidade. Com o passar do tempo, ele decidiu tirar Di María, aos 27 minutos, e colocou Maximiliano Meza, que entrou já errando. Por fim, no auge do desespero, tirou o lateral esquerdo Nicolás Tagliafico e colocou o atacante Sergio Agüero. Ataque total em um time que já era mesmo uma bagunça.

Foi assim, com todo mundo no ataque, que saiu o gol. Depois de trocar passes pelo meio, a bola foi para a direita para o lateral Mercado, que cruzou rasteiro. Rojo apareceu de surpresa, chutando de primeira, de pé direito – que nem é o seu melhor, ele é canhoto – e marcando um gol salvador. Um gol que leva a Argentina para as oitavas de final. Um gol que liberta o time de um vexame que rondava a equipe.

Emoção

A Argentina pareceu sofreu para lidar com o próprio emocional ao longo da partida e o gol sofrido da Nigéria evidenciou isso. O time ficou alguns minutos sem saber o que fazer. Arrancou o gol da vitória na raça, no abafa, sem muita organização e nem muito equilíbrio – seja tático, seja emocional. A vitória assim, tão sofrida, pode ajudar o time em termos anímicos, claro. Da desclassificação certa à classificação dramática.

Só que em termos de futebol, o time precisará mostrar mais. E precisará mostrar mais de controle também, controle emocional para lidar com adversidades. Sofrer um gol não pode ser um drama, como tem sido. Até porque contra a França, a tendência é que as dificuldades sejam bem maiores. Será preciso um pouco mais de organização, em termos táticos, atuações melhores em termos técnicos e também um mental mais forte. A Argentina sofreu demais, mas ganhar só no sofrimento até o final é difícil. Serão alguns dias para colocar a cabeça no lugar e melhorar o time para um duelo grande.

França x Argentina
Sábado, 11h – Kazan

FICHA TÉCNICA

Nigéria 1×2 Argentina

Local: Estádio São Petersburgo, em São Petersburgo (Rússia)
Árbitro: Cuneyt Çakir (Turquia)
Gols: Messi aos 14’/1T (Argentina), Moses aos 6’/2T (Nigéria), Rojo aos 40’/2T (Argentina)
Cartões amarelos: Balogun, Mikel (Nigéria), Banega, Messi (Argentina)

Nigéria

Francis Uhozo; Leon Balogun, William Troos-Ekong e Kenneth Omeruo (Alex Iwobi aos 45’/2T); Victor Moses, Wilfred Ndidi, John Obi Mikel, Oghenekaro Etebo e Bryan Idowu; Ahmed Musa (Simy aos 46’/2T) e Kelechi Iheanacho (Odion Ighalo, intervalo). Técnico: Gernot Tohr

Argentina

Franco Armani; Gabriel Mercado, Nicolás Otamendi, Marcus Rojo e Nicolás Tagliafico (Sergio Agüero aos 35’/2T); Javier Mascherano, Enzo Pérez (Cristian Pavón aos 16’/2T) e Éver Banega; Lionel Messi, Ángel Di Maria (Maximiliano Meza aos 27’/2T) e Gonzalo Higuaín. Técnico: Jorge Sampaoli