O que tinha tudo para ser um jogo de algumas certezas e respostas para algumas perguntas se transformou em motivo de preocupação para os argentinos. A Albiceleste foi até o Estádio Nacional de Bucareste, enfrentar a Romênia, e fez um jogo bem fraco criativamente. A zaga, frágil como sempre, só não foi vazada por causa da falta de qualidade dos adversários na hora de concluir suas jogadas. Tivesse escolhido um adversário um pouco mais difícil, Alejandro Sabella poderia ter saído de campo com uma dor de cabeça ainda maior.

Todos conhecem a fragilidade da defesa argentina. Enquanto no ataque sobram opções de boa qualidade, lá atrás o único que inspira confiança é o lateral-direito Pablo Zabaleta, do Manchester City. Nesta quarta, não foi diferente. Federico Fernández e José Basanta não deixaram Sergio Romero relaxar um segundo sequer, dando brechas para os ataques romenos, especialmente com Maxim e Marica. Na lateral-esquerda, além de estar longe de ser uma barreira humana, Carlos Rojo pouquíssimo apoiou o ataque. Apenas fez número no setor. Caso a Romênia tivesse um pouco mais de qualidade lá na frente, poderia muito bem ter saído com a vitória sobre os bicampeões mundiais.

O que mais preocupou a Argentina, no entanto, foi a atuação pouco criativa de seu meio-campo e do setor ofensivo. Inicialmente, Sabella escalou a equipe em um 4-3-3, com Mascherano centralizado e tendo Fernando Gago e Ángel Di María completando a zona de ligação. Atrás de Sergio Agüero e Gonzalo Higuaín, Lionel Messi foi o principal armador da equipe. Quando tinha a posse de bola, Higuaín abria pela direita, Agüero centralizava-se no ataque e Di María avançava pela ponta esquerda. Sabella insistiu nesse erro por todo o primeiro tempo, isolando o atacante do Napoli na ponta direita quando deveria tê-lo como homem mais fixo pelo central. Agüero tem muito mais habilidade que o napolitano, enquanto este é uma melhor referência lá na frente que o Citizen.

Fora isso, Fernando Gago, um dos responsáveis pela criação, foi particularmente mal no jogo e perdeu uma boa chance – talvez a última – de provar que deveria ser o titular em vez de Lucas Biglia. Não participou de nenhuma jogada significativa do ataque argentino, que era municiado principalmente por Di María e Messi. O jogador do Barcelona, inclusive, não foi brilhante, mas também foi aquele que mais buscou deixar os companheiros em condições de marcar. Conforme o segundo tempo passava, Sabella foi fazendo suas trocas e testes, colocando em campo Ezequiel Lavezzi, Rodrigo Palacio e Biglia. No entanto, nada disso tirou a seleção argentina do marasmo criativo, e o jogo ficou mesmo no zero.

Destaque do jogo

O destaque da partida acaba sendo negativo e não personificado em um só atleta. Todo o sistema de criação argentino foi bem aquém do esperado. Mesmo que, por vezes, a armação seja mesmo um problema da Albiceleste, ver o time alternar tantos atletas de qualidade, diante da limitada Romênia, e não ter sucesso em criar boas chances de gol, ficando só no zero, foi o grande ponto a se destacar.

Momento-chave

Aos 40 minutos do segundo tempo, após um jogo fraco criativamente, a Argentina teve a chance de conseguir a vitória, mas Pantilimon6 fez defesa sensacional, à queima-roupa, em um sem pulo de Ezequiel Lavezzi, que vinha em diagonal.

Curiosidade

Este foi o primeiro encontro entre Romênia e Argentina desde 1994. Naquele ano, os romenos eliminaram a Albiceleste nas oitavas de final da Copa do Mundo, disputada nos Estados Unidos.

Formações iniciais
Campinho Romênia Argentina.jpg
Ficha técnica

Romênia 0 x 0 Argentina

Romênia

Ciprian Tatarasanu (Costel Pantilimon, intervalo), Alexandru Matel (Srgian Luchin, 30’/2T), Florin Gardos, Dragos Grigore, Razvan Dinca Rat, Alexandru Chipciu (Gheorghe Grozav, 42’/2T), Doru Pintilii, Alexandru Bourceanu, Cristian Tanase (Costin Lazar, 11’/2T), Alexandru Maxim (Gabriel Torje, intervalo), Ciprian Marica (Raul Rusescu, 22’/2T). Técnico: Victor Piturca

Argentina

Sergio Romero, Pablo Zabaleta, Federico Fernández, José Basanta e Marcos Rojo; Fernando Gago (Lucas Biglia, 11’/2T), Javier Mascherano e Ángel Di María (Maxi Rodríguez, 44’/2T); Gonzalo Higuaín (Ezequiel Lavezzi, 31’/2T), Lionel Messi e Sergio Agüero (Rodrigo Palacio, 11’/2T) . Técnico: Alejandro Sabella

Local: Estádio Nacional de Bucareste, em Bucareste (ROM)

Árbitro: Gianluca Rocchi (ITÁ)

Gols: nenhum

Cartões Amarelos: nenhum

Cartões Vermelhos: nenhum